segunda-feira, 13 de abril de 2026

Palestras motivacionais não servem para nada, absolutamente nada!




Será que as palestras motivacionais servem para alguma coisa? Que tipo de profissional ainda se interessa em frequentá-las? Será que quem as frequenta sai de lá satisfeito? Acredito que apenas uma meia dúzia de gatos pingados adoram palestras motivacionais. Coincidentemente essa meia dúzia são os próprios palestrantes.

Na condição de profissional do setor de RH, tive que participar de algumas dessas palestras ridículas e insanas, embora eu tenha a satisfação de dizer que nunca promovi nenhuma delas para os funcionários, ainda que meus empregadores sempre me solicitavam insistentemente em promovê-las. Na verdade eu sempre os convenci da inutilidade desses espetacúlos que mais se assemelham a um filme "B" de viés tarantinesco.

Pense em algum livro de auto-ajuda. Qualquer um. É isso, as palestras motivacionais na verdade são representações ao vivo de todo tipo de besteirol que encontramos nesses livros de auto-ajuda perfeitamente dispensáveis. Pior ainda, quem assiste tem o desprazer de ver de perto tipos bizarros de palestrantes e picaretas pulando, berrando, uivando como cães famintos, dançando e se requebrando num espetáculo mais deprimente que se possa ver.

Os tipos de palestrantes variam:  temos desde uma ex-domadora de cavalos, executivas que viraram cartomantes (mas afirmam peremptoriamente que são consultoras exotéricas, que fique bem claro isso!), uma CEO que foi enquadrada por uma estagiária, e por isso deixou de ser CEO para ser palestrante motivacional, uma campeã de oratória que só fez oratória porque sofria bullying dos pais (é, tem dessas coisas), executivos que viraram monges, ex-religiosos que viraram consultores sobre inteligência responsável e sustentável (sabe-se lá o que isso seja e eles também não explicam, talvez seja o tal de "capitalismo consciente e espiritual", como se isso existisse) , e por aí vai, tem para todos os gostos e desgostos.

A conversa fiada de sempre: todos já passaram fome, mascavam balinhas de hortelã para enganar a dor da fome, andavam cinco quilômetros a pé para pegar o metrô para o trabalho (em ruas de terra e atoleiro bravo quando chovia) e claro, todos com sapatos furados porque não sobrava dinheiro para comprá-los. Nessa hora a voz do palestrante embarga, há um silêncio retórico proposital (o falacioso "Argumentum ex silentio") que termina em algumas lágrimas derramadas. De repente ele volta a sorrir e vamos em frente que atrás vem gente.

Hoje dizem que chegaram ao topo. Ou são empresários de sucesso com mais de mil empregados ou são....são...palestrantes motivacionais! Alguém pode me dizer se a vontade de chegar ao topo é o que todo mundo quer?  Por que todo mundo tem que chegar ao topo? Chegar ao topo não significa necessariamente sucesso ou felicidade, da mesma maneira que não chegar ao topo não significa fracasso.

Muitos profissionais de RH conhecem o TEDx e até mesmo devem ter participado de um. Para quem não sabe a sigla TED significa Technology, Entertainment, Design, ou, Tecnologia, Entretenimento e Planejamento. Surgiu no estado da California, aquele estado que ainda vive o clima Woodstok e a era hippie. O lema do TED é "ideias que merecem ser compartilhadas". TEDx são pequenas palestras de 18 minutos nos quais os palestrantes purgam suas neuras para um público incauto sob o disfarce de palestra motivacional.

Mas uma frase inesquecível eu guardei de uma palestrante. Numa certa altura da palestra ela saiu-se com essa: "EM TEMPOS DIFÍCEIS AS COISAS NÃO SÃO FÁCEIS!!. Sim, ela disse isso! O pior é que poucas pessoas presentes perceberam a gafe. Essa é para emoldurar num quadro e nunca mais se esquecer. Que lição, que aprendizado, deixou toda a filosofia grega de joelhos.

Esse é o nível dos "gurus" palestrantes motivacionais, daí para pior.  E olha que essa palestrante que citou essa "brilhante" frase tinha formação superior com mestrado e MBA, se bem que isso não quer dizer muita coisa, aliás não quer dizer nada.  E por falar em guru, muitos devem se lembrar que o "guru" Robert Kyiosaki (autor do livro "Pai Rico, Pai Pobre) quando esteve em São Paulo para aproferir suas palestras engana trouxa foi impiedosamente vaiado pela platéia.

Na verdade,  quer o palestrante seja um ilustre desconhecido ou mesmo um guru badalado e autor de best sellers no atacado e no varejo, suas palestras não levam a nada. Falam, falam mas nunca dizem como atingiram o topo, se é que isso tenha alguma importância. A maioria das palestras é enfadonha e sem sentido, não é difícil de perceber que o palestrante se perde em seu próprio discurso e começa a divagar e proferir um festival de besteirol.

Portanto, tal e qual os livros de auto-ajuda, que ajuda apenas quem os escreve, a palestra motivacional é a mesma coisa, só motiva aquele que a profere e está vitaminando sua conta bancária às custas de quem os assiste.

Motivação para o funcionário, é um justo e bom salário condizente com as funções do profissional que as executa com expertise, é um pacote de benefícios atrativos, é um bom ambiente de trabalho, são os prêmios, licenças prêmios, bônus, promoção ou gratificações que o funcionário recebe pelo seu desempenho e dedicação. É o reconhecimento do empregador que seu colaborador fez um bom trabalho. E isso basta. Com esses argumentos é que convenço os empregadores a desistirem dessas bizarras palestras motivacionais.

Entretanto, nunca devemos nos esquecer da brilhante frase daquela palestrante do TEDx, frase essa que encerra um formidável aprendizado que mudará as nossas vidas para sempre: "Em tempos difíceis, as coisas não são fáceis". Depois dessa, quem se habilita a participar da próxima palestra motivacional?

segunda-feira, 6 de abril de 2026

O Setor de RH contra-ataca




Presumo que dentro em breve teremos aumento substancial nos dígitos do desemprego. Ora, mas que novidade, não? Na medida em que mais leis trabalhistas, mas leis que criminalizam comportamentos e empregadores por tabela, mais leis de coitadismo, mais leis de ações afirmativas e tantas outras mais são sancionadas, do outro lado a resposta vem imediatamente do mercado de trabalho. E não tem como escapar disso.

O recrudescimento no processo seletivo aumenta justamente na proporção do sancionamento dessas leis. “A vaga já foi preenchida”, diz o profissional do RH outro lado da linha ao atender um candidato que estava aguardando ser chamado dias após a entrevista de seleção pela qual passou. E por que será que que ele não foi o escolhido? Vamos inventar algumas “justificativas” ou melhor, vamos sugerir algumas ideias:

Optamos por contratar uma pessoa que resida próxima à empresa

O salário pretendido está bem além do que podemos pagar

A vaga foi suspensa temporariamente pela diretoria

Buscamos um perfil com bem menos experiência do que a sua

Óbvio que nenhuma delas é verdadeira, e com alguma criatividade podemos inventar outras mais. Não há lei que obrigue a revelar para o candidato não contratado os motivos pelos quais ele não foi o escolhido, no entanto, se esse dia chegar (e não duvido nada que ele chegue) imaginação é que não vai faltar.

Quando eu disse recrudescimento no processo seletivo significa na prática duas ou até 3 entrevistas presenciais, nada de entrevista por vídeo chamada. Vejamos:

De início, redação surpresa com tema livre numa folha de papel sulfite sem pauta com prazo de 20/30 minutos, tempo esse rigorosamente cronometrado, nem um segundo a mais. E não importa o cargo!

Essa fase da redação é sem dúvida alguma eliminatória, embora mentimos que não. Tudo, absolutamente tudo está sob escrutínio, desde o esmero da caligrafia,  clareza de pensamento, erros de português, concordância verbal e claro, o tema escolhido. O candidato terá que justificar (e muito bem justificado!) os motivos do tema escolhido. 

A próxima etapa é a entrevista, ainda que o candidato tenha se saído mal na redação. Nada de perguntas idiotas do tipo, “fale-me sobre você” ou “como você se vê daqui há cinco anos”; nada dos ridículos testes psicológicos que não servem para nada (teste Rorschach, por exemplo) ou perguntas embaraçosas, nada disso. A interação observará o raciocínio lógico do candidato, a capacidade de resiliência, assertividade, improvisação; perguntas matadoras sobre atualidades serão formuladas; últimos livros lidos, últimos filmes assistidos, preferência musical (Hum..aqui pegou, hein?), hobbies e por fim serão colocadas algumas questões perturbadoras sobre caráter e conduta ética profissional. Uma partida de xadrez ou de outro jogo de tabuleiro não está descartada, vai sempre depender do cargo. Se o candidato não souber as regras do jogo vai ter que aprender ali na hora. Dinâmicas de grupo, idem. 

Essa etapa inicial revelará se o candidato se enquadra nos valores e na cultura da empresa. Em caso afirmativo ele será encaminhado em outra data a ser marcada para a segunda entrevista diretamente com a pessoa a qual irá se reportar e que avaliará as suas habilidades profissionais através de testes práticos. Em caso negativo aguardará em sua casa por uma daquelas quatro respostas que sugeri nos parágrafos acima.

Que venham então as leis, lei disso, lei daquilo, lei daquilo lá também, pois nós profissionais do setor de Recursos Humanos estamos prontos para contra-atacar todas elas e infelizmente quem será penalizado será sempre o beneficiário (de araque) dessas leis. Que seja sancionada então essa lei bizarra e muito mal definida lei da misoginia, estamos prontos nas trincheiras, na retaguarda e na infantaria e o nosso arsenal é assustador.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Já tomei gancho de 5 dias por causa de uma brincadeira





No começo de minha carreira profissional eu era um sujeito bem zoeira. Tinha 17 anos, segundo emprego, feliz por ser promovido (minha primeira promoção!) de Office-Boy para Assistente de Departamento Pessoal. Como os semelhantes se atraem, meu melhor amigo na empresa era um jovem que trabalhava na contabilidade e ele era tão zoeira quanto eu. E quando dois espíritos de porcos se juntam, sai de baixo!

Eu e esse meu amigo tocávamos o terror o tempo todo. Era mais divertido estar na empresa do que ficar em casa. Ele um exímio desenhista, eu já tinha a verve de escrever textos cômicos e sarcásticos e o resultado disso foi um jornal corporativo semanal clandestino que criamos para zoar com todos os funcionários. Não poupávamos nem os chefes e supervisores. Fazíamos uma matriz durante o expediente mesmo para depois xerocar as cópias na impressora da empresa. Distribuição gratuita para todos!

A primeira edição do jornal todos acharam muita graça e divertido. Na segunda edição muitos já não acharam tão divertido assim e olharam torto. Na terceira, fomos chamados na diretoria, o jornal foi proibido eu e meu amigo ganhamos uma sinistra e ameaçadora carta de advertência. But, the show must go on!

A zoeira continuava infinita. Ora trancávamos gavetas dos colegas  e escondíamos as chaves,  ora imitávamos os cacoetes dos desafetos e o que mais desse na telha. Não tinha pra ninguém, éramos os reis do bullying, embora esse termo ainda não estava em evidência na ordem do dia. Dia mais, dias menos uma voz lá no fundo soprava que passaríamos do limite, era apenas uma questão de tempo. Esse dia chegou!

No setor financeiro trabalhava uma garota que sofria de blefarite (inflamação crônica das pálpebras na região dos cílios) o que fazia com que ela pingasse colírio com frequência nos olhos. Decidimos então pregar uma peça nela. O plano era o seguinte: após ela pingar o colírio nós diríamos a ela que abrimos o frasco e pingamos algumas gotinhas de limão lá dentro. É óbvio que não pingamos, era só uma pegadinha para ver a reação dela. Ficamos de tocaia, esperamos ela chegar e pingar o colírio. Então chegamos até ela e perguntamos se estava tudo bem. Ela disse “sim, por que”? Então dissemos que pingamos algumas gotinhas de limão no colírio dela. Pra que! A garota levou as mãos aos olhos e foi aquela gritaria. Ela correu lavar os olhos enquanto gritava sem parar pedindo socorro e acreditem, ela berrou que estava ficando cega e não enxergava mais um palmo na frente! 

Ela não conseguia ouvir que era apenas uma pegadinha e quando ouviu não acreditou, pois disse que sua visão estava turva. Aliás, dadas as reputações nada boas da dupla endiabrada ninguém acreditou que era uma pegadinha. Com aquela gritaria, alvoroço e corre corre todos os funcionários, inclusive os chefes estavam ali de olhos esbugalhados e mãos na cintura (quando alguém põe as mãos na cintura boa coisa é que não vem!) para ver o que aconteceu.

Resumo da ópera: brincadeira ou não, eu e meu amigo tomamos 5 dias de gancho, pois esse não é o tipo de brincadeira que se faz com uma colega de trabalho. A ameaça da justa causa espreitava entre as linhas do comunicado de suspensão. Sentimos que já era hora de desativar o modo zoeira.

Anos se passaram e atualmente nós três somos contatos nas redes sociais. Ela não sarou da blefarite (isso não tem cura, às vezes some e de repente volta), às vezes lembramos desse episódio e damos boas gargalhadas. A lição que aprendemos é que acreditar numa mentira pode nos deixar cego para a verdade considerando a reputação de quem a conta, afinal uma mentira bem contada deixou nossa amiga temporariamente cega, fato que nos levou também a entender por que placebo sempre funciona, para o bem ou para o mal, depende da reputação de quem o prescreve.


segunda-feira, 23 de março de 2026

Vocabulário próprio da SEITA do CLT por Luana Zucoloto

 

Ela é atualmente a mais solicitada comediante de Stand-up do momento. Luana Zucoloto é publicitária de formação e trabalhou por oito anos em empresas de grande porte pelo regime CLT. No entanto, desde criança sentiu que tinha vocação para comediante e mesmo quando ainda era empregada celetista já fazia algumas apresentações na noite paulistana. 

Certa dia numa reunião da empresa, o seu chefe sabendo de seu lado comediante pediu a ela que apresentasse uma piada naquele momento. Luana não se fez de rogada, sacou da bolsa o seu holerite e disse: "Isso é uma piada". A demissão foi imediata!

Então Luana fez do limão uma limonada e partiu em carreira solo como comediante tendo como tema alvo a CLT e todo leque enigmático e cheio de siglas estranhas que envolve o universo de um setor de RH.


Com a palavra, Luana Zucoloto!




segunda-feira, 16 de março de 2026

Cinco livros obrigatórios para profissionais que atuam no setor de Relações do Trabalho – Parte 1



A complexidade das Relações de Trabalho no Brasil reguladas por infinitas leis estapafúrdias que só erguem barreiras intransponíveis para a empregabilidade, requer dos profissionais que atuam no setor, além de atualização permanente da legislação, um leque de conhecimentos diversos que dialogam com várias disciplinas, entre as quais, Economia, Filosofia, Direito do Trabalho, Sociologia e outras tantas. Selecionei cinco livros essenciais e obrigatórios tanto para o profissional que está iniciando no setor, bem como, para aquele mais experiente que atua nele há mais tempo.



Intervencionismo
 – Ludwig von Mises

Neste livro sobre intervencionismo estatal, Ludwig von Mises, membro da Escola Austríaca de Economia, dedica um capítulo no qual discorre magistralmente como a fixação pelo Estado de um salário mínimo tem impacto direto sobre os altos índices de desemprego, cujo corolário é  "a existência de um salário mínimo é sinal de ignorância máxima". Outro capítulo imperdível é dedicado sobre o corporativismo sindical.


Defendendo o Indefensável – Walter Block

Aqui o economista libertário Walter Block com seu estilo divertido e refinada ironia discorre sobre diversos temas. No capítulo sobre o “Trabalho”, Block analisa a legitimidade de furar uma greve; o emprego de mão-de-obra infantil e por fim, prova definitivamente com A+B que a afirmação de que as mulheres ganham menos do que os homens é uma impossibilidade lógica.

Ação Afirmativa ao Redor do Mundo – Thomas Sowell


Este livro é fruto de profunda pesquisa e estudos feitas pelo renomado economista Thomas Sowell em diversos países que aplicaram políticas de ações afirmativas (quotas) seja no setor da educação, seja no setor de relações de trabalho. Todas elas, na prática resultaram num tremendo falhanço o que fez com que os países que as adotaram tivessem que revoga-las e abandona-las para sempre.


A Indústria da Justiça do Trabalho – Josino de Moraes

Eis aqui um livro que jamais o seu professor militonto da facu irá indicar. Recentemente a (in)justiça do trabalho determinou que uma empresa, no caso, a Stone, empresa de tecnologia reintegrasse todos os trabalhadores que foram demitidos em razão da crise econômica. Por isso, embora o livro foi escrito em 2001, nada mudou, o empregador já entra derrotado nas audiências trabalhistas sem qualquer chance de defesa. Resenha do livro aqui.


O Fascismo no Direito do Trabalho Brasileiro - Arion Sayão Romita
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Outro livro essencial e obrigatório que passa longe dos cursos de Direito do Trabalho totalmente dominados por ideologia esquerdista chinfrim. O jurista Arion Romita esclarece como os asseclas que assessoravam Getúlio Vargas, simpatizantes do modelo fascista de governo, elaboraram a mais violenta e sádica ferramenta que se tem notícias na história das relações do trabalho  no mundo batizada de Consolidação das Leis do Trabalho-CLT, totalmente inspirada na Carta del Lavoro do regime fascista de Mussolini. Resenha do livro aqui.

A leitura desses cinco livros revelará ao leitor que todas as políticas públicas aplicadas ao setor das relações de trabalho resultam em barreiras intransponíveis para a empregabilidade, condenando o país a nunca sair dos dois dígitos percentuais de índice do desemprego.

domingo, 8 de março de 2026

8 de Março - Dia Internacional da Mulher – Lucia Pamela




Lucia Pamela (1902-2002), nasceu na cidade de St. Louis, estado do Missouri-EUA. Ela foi musicista, cantora de boate, bandleader, radialista e desenhista. Estudou no Conservatório Beethoven de Música e Canto na Alemanha.

De volta à terra natal formou e liderou a primeira banda feminina de Jazz do Odeon Theatre, a Pamela & The Musical Pirates. Em 1926 foi eleita Miss St. Louis. Apresentou diversos programas de rádio, tais como os famosos “Kansas City”, Gal About Town, The Encouragement Hour, entre outros.

Tocou com diversos nomes pesos pesados do Jazz, entre eles, Lionel Hampton e nas orquestras de Paul Whiteman.

Em 1969 ela produziu um disco de jazz bip bop, no mínimo curioso, cômico e experimental com tema de ficção científica, intitulado “Into Outer Space With Lucia Pamela". Nesse álbum, Pamela tocou sozinha todos os instrumentos musicais, entre os quais, piano, acordeão, bateria, clarinete, theremin (instrumento musical eletrônico executado só com a imposição das mãos e sem contato físico) e muitos outros, além de utilizar recursos de engenharia musical para distorcer o som das cordas orquestrais para resultar num efeito etéreo e fantasmagórico. 

O álbum na época foi prensado em tiragem limitada, com o passar dos anos virou cult entre os colecionadores e o preço por uma cópia é "sideralmente" estratosférico.

Duas músicas desse álbum, “Walking on The Moon” e “Flip Flop Fly” ficaram bastante conhecidas sendo reproduzidas posteriormente por diversos grupos musicais. A banda anglo-francesa de música eletrônica Stereolab prestou uma homenagem à Pamela através da canção "International Colouring Contest" que faz parte do álbum “Mars Audiac Quintet”. A introdução da música inclui um sample da voz da própria Pamela.

Além desse álbum musical, Pamela também produziu um livro de colorir em desenho animado denominado “Into Space With Lucia Pamela In The Year 2000.” O tema é sobre uma viagem imaginária à lua.

Há ainda quem duvide de que algum dia o homem pisou na lua. Pois muito bem, Lucia Pamela jura que ela lá esteve antes de qualquer astronauta e seu esquisitão álbum musical é a prova inconteste do fato.

Por isso, neste dia internacional da mulher, este blog presta homenagem a esta prolífica artista, Lucia Pamela, que acabou escrevendo o seu nome nas estrelas. Ou seria na lua?

segunda-feira, 2 de março de 2026

Fim da jornada 6X1 é cortina de fumaça, a solução correta é outra




Ano de eleição significa políticos em polvorosa, sabemos muito bem que a menina dos olhos de politiqueiros é a legislação trabalhista e tudo que a envolve. Isto quer dizer que na prática farão de tudo para fisgar a classe trabalhadora incauta. E a bola da vez é a jornada 6X1, que diga-se de passagem, muitas empresas já nem a utilizam como norma absoluta. A redução da jornada 6X1 (44 horas semanais) para 36 horas semanais em pauta no congresso nacional ainda depende de aprovação da câmara e do senado.

O que mais chama a atenção é a comparação com alguns países de primeiro mundo  desenvolvidos  e civilizados nos quais temos jornadas de no máximo 35 horas semanais e até mesmo de 29/31 horas como é o caso da Holanda, a menor jornada de trabalho do mundo. No entanto, a média geral mundial sempre fica em torno de 40/42 horas, mesmo em países civilizados de primeiro mundo.

O que ninguém diz ou por má fé ou por desconhecimento dos fatos ou mesmo pela soma das duas coisas é que nesses países aonde a jornada de trabalho é de no máximo 35 horas semanais (4X3) é que por lá não existem: CLT, direitos trabalhistas constitucionalizados, legislação trabalhista pesada, farra sindical, justiça do trabalho, fiscais desocupados fungando no cangote do empregador, carga tributária insana sobre a folha de pagamento, etc. Nada disso existe nesses países.

Nesses países inexiste regulação ou intervenção estatal nas relações de trabalho, no máximo existe um estatuto do trabalho que é facultativo, se o trabalhador optar pelo trabalho formal com contribuição previdenciária, consequentemente ele receberá uma remuneração menor. Além disso, são oferecidas diversas modalidades de contrato de trabalho sem o engessamento de regulação estatal.

Se a jornada 6X1 incomoda tanto, é o momento de tocarmos no cerne da questão que tem nome e endereço: Artigo 58 da CLT! Já escrevi em diversos artigos que o artigo 58 é o mais violento da CLT por determinar de cima para baixo uma jornada de trabalho para profissões diferentes e atividades econômicas também diferentes. Isso é algo insano, impensável e absolutamente ilógico.

Determinar uma jornada de trabalho “X”, seja 6X1, seja 4X3, seja 5X2 ou outra qualquer para profissões administrativas (trabalho intelectual) e operacionais (trabalho braçal) em atividades econômicas diversas é fruto de cérebros sádicos e doentes, com demência severa como eram os cérebros dos que elaboraram a CLT de inspiração cem por cento fascista. Sempre é pontual lembrar que a CLT foi inspirada na Carta del Lavoro do tirano Benito Mussolini.

O tempo ou duração que um trabalho deve ser executado cabe ser definido somente pelo empregador e pelo empregado. Depende do cargo, da função e da produtividade daquela atividade econômica. Burocratas alucinados decidindo sobre jornada de trabalho para empresas privadas só pode ser piada de mau gosto. Para isso teriam que conhecer como funciona cada profissão, cada cargo, cada atividade econômica e em cada região do país, pois o volume da produtividade difere em cada uma delas. E isso é humanamente impossível.

Ora, por que o artigo 58 da CLT determina jornada de 8 horas? Por que não 6 ou 5 ou 10 ou 12? Como que uma claque de desocupados que elaborou a CLT cravou 8 horas para todas as profissões absolutamente distintas uma das outras? Reitero que o tempo utilizado na execução de cada tarefa difere de profissão a profissão e também não é o mesmo em empresas de atividades econômicas diferentes.

Se a redução da jornada para 36 horas for aprovada, vai impactar diretamente as micro empresas responsáveis por 60% dos trabalhadores celetistas no Brasil. A Confederação Nacional da Indústria-CNI estima um aumento dos custos de 267 bilhões de reais ao ano, sendo que os setores mais afetados serão o comércio, a agricultura e a construção civil. De acordo com a ABIMAQ haverá 11% de queda no PIB. As micro empresas já sinalizaram que suspenderão todos os projetos de expansão de seus negócios.

Portanto, a jornada de trabalho não pode ser determinada de fora ou de cima para baixo, pois trata-se de uma questão restrita única e exclusivamente a ser definida entre empregador e empregado, conforme o contrato bilateral entre as partes. A solução mais sensata e inteligente para essa questão é reformar o artigo 58 da CLT para torná-lo facultativo, o que seria a princípio uma medida paliativa, porém, melhor ainda e o certo a fazer é revoga-lo sem dó nem piedade, pois como diz a sabedoria popular, o mal se corta pela raiz.


Palestras motivacionais não servem para nada, absolutamente nada!

Será que as palestras motivacionais servem para alguma coisa? Que tipo de profissional ainda se interessa em frequentá-las? Será que quem as...