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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Ainda existem traços escravagistas nas relações de trabalho




Uma das situações que mais incomodam nas relações de trabalho são os resquícios escravagistas que ainda a permeiam e não adianta negar porque isso é fato, embora não seja regra geral. Não estou me referindo aqui ao dito “trabalho escravo”, isso ainda é outra questão, embora os traços escravagistas estejam necessariamente também inseridos ali. O que me refiro é a sensação de posse de quem se encontra numa posição hierárquica acima de quem está sob a sua direção. Vamos desenvolver isso.

Alguns empregadores ainda acreditam que são os donos absolutos de seus empegados, basta observar a maneira de como os primeiros se relacionam com os segundos. Mas isso não é exclusividade dos empregadores, pois supervisores, gerentes e demais cargos que estejam em posição hierárquica acima de seus subordinados conseguem criar um clima desconfortável no ambiente de trabalho no qual encontramos funcionários desmotivados e inseguros com medo até de ir tomar uma água ou ir ao banheiro. E qualquer funcionário que trabalhe nesse clima inóspito naturalmente não conseguirá ser produtivo.

Essa situação de posse do empregado está muito presente principalmente no Trabalho Doméstico. A própria legislação do Trabalho Doméstico (Lei complementar nº 150/2015) não ajuda muito, pois defini o trabalhador doméstico “aquele que presta serviço no âmbito familiar”. E o que isso significa? Significa que o trabalhador doméstico está sujeito a todo tipo de mandos, desmandos e situações humilhantes de toda (toda!) família. Qualquer membro da família pode advertir, punir e até demitir a empregada. Por isso sempre recomendo que se coloque no contrato de trabalho neste caso, importante cláusula que disponha a quem o trabalhador se reportará, isto porque na ausência dessa cláusula qualquer um daquela casa poderá mandar e desmandar na empregada.

O antropólogo e articulista Roberto da Matta tratou muito bem dessa questão em seu sensacional e recomendado livro, “Você Sabe com quem Está falando?”. Também o filósofo, escritor e palestrante Mario Sergio Cortella discorreu sobre essa questão em seu livro "Qual é a tua obra: inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética". Cortella tem uma palestra disponível no YouTube na qual tratou desse tema nos dando uma solução brilhante e desconcertante. Sim, a arrogância da carteirada se faz presente no dia a dia do brasileiro. E ele nos deixa uma questão: "Por que tantas pessoas se “acham” superiores no universo de negócios e corporativo?"

E essa questão não é apenas exclusividade nas relações de trabalho, pois ela está presente nas relações consumeristas em diversas empresas sejam elas grandes magazines ou não e que adotam o lema “aqui o cliente nunca tem razão”; nas relações locatícias nas quais o locador se acha mais dono do locatário do que de sua propriedade; nas forças armadas, nas abordagens policias e até mesmo em algumas relações conjugais.

A solução para essa incômoda questão nas relações de trabalho, obviamente cabe ao setor de RH desenvolver políticas de conscientização entre os colabores que inclui gerentes, supervisores e até mesmo os diretores sócios-proprietários. O quadro de funcionários é o mais essencial capital humano que a empresa dispõe para atingir suas metas no mercado, enfrentar concorrentes e naturalmente obter os seus lucros. Com equipes ou funcionários desmotivados as metas se transformarão em estrondoso falhanço. Afinal, um  crachá plastificado pendurado no pescoço no qual está escrito "supervisor ou gerente" não pode significar salvo conduto que lhe outorgue título de propriedade para que ele tome posse de seu subordinado.

No artigo anterior abordei a questão da liderança compartilhada, entretanto o fetiche do poder e de mandar são traços que ainda estão arraigados e bastante presentes no dia a dia dos brasileiros, sobretudo nas relações do trabalho o que resulta numa rejeição imediata para a implantação da liderança compartilhada nos departamentos das empresas.

Já em outras situações, a questão da carteirada e da sensação de posse parece que a solução está longe de ser solucionada. Requer doses maciças de Educação que começa em casa naturalmente, requer banhos de verniz cultural, muito estudo e pesquisa de História de nosso passado e de nossa formação. No entanto, esses são produtos caros que parece que o brasileiro médio não está disposto a pagar, na verdade ele não os quer nem de graça. 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Empresa que expõe demissão de trabalhador nas redes sociais poderá sofrer sanções judiciais




Desde o avanço tecnológico das redes sociais nas quais as pessoas estão sendo filmadas e expostas o tempo todo, uma prática para lá de duvidosa vem sendo adotada por algumas empresas, qual seja, a de punir com demissão funcionários por atos cometidos nas suas vidas privadas, mas que são expostos nas redes sociais por se envolveram em situações de desinteligência com outras pessoas fora da jornada de trabalho e até mesmo usufruindo das suas férias.

Recentemente um caso polêmico foi o de uma enfermeira que se envolveu numa situação de injúria racial numa loja de Pet Shop. A situação foi filmada, viralizou nas redes sociais e foi notícia em alguns jornais televisivos sensacionalistas. Ao tomar conhecimento da reportagem, o hospital particular no qual a enfermeira prestava serviços tratou prematuramente de emitir uma nota informando que a enfermeira foi dispensada de seu quadro de colaboradores.  Isso foi correto?  A demissão pode ter sido, porém a exposição da demissão não foi correta e eu explico:

Primeiramente lembremos que demitir funcionários é prerrogativa de toda empresa tenha lá os seus motivos ou não. O problema é tornar isso público desnecessariamente, pois isso demonstra falta de conduta Ética Profissional pelos gestores de RH e até mesmo algum grau de maldade e sadismo. As relações de trabalho entre empresa e colaborador é assunto confidencial e interessa apenas entre as duas partes envolvidas entre as quais existe um contrato bilateral que nenhuma das partes poderá extrapolar os seus termos, pois tal contrato produz os seus efeitos apenas dentro do ambiente de trabalho e nunca fora dele.

Se a situação de desinteligência na qual a funcionária se envolveu é incompatível com a política da empresa, bastaria aguardar a colaboradora retornar ao trabalho e comunica-la de sua demissão sem ao menos que precisasse justificar os motivos. Expô-la publicamente tende a afetar a sua vida profissional e que poderá ser um grande obstáculo para que ela obtenha outro emprego. Lembrando que a enfermeira já vai responder a um processo na justiça pela situação na qual de envolveu.

O prontuário de um funcionário é o depositário da sua história dentro da empresa. Antes de tomar uma decisão punitiva e precipitada contra o funcionário deve-se consultar o prontuário do colaborador no qual teremos o escore de suas avaliações e desempenho. Será mesmo que uma sumária demissão é a medida correta a ser aplicada? Ou caberia um afastamento temporário para uma melhor avaliação da situação na qual um ajuste de conduta por parte da colaboradora seria o certo a fazer?

Se um colaborador se comporta mal fora do ambiente de trabalho não sabendo lidar com situações de conflito que aparecem de surpresa, podem  existir falhas de caráter na sua conduta e que normalmente são detectadas no processo de recrutamento e seleção. A falha então está no entrevistador que deixou passar algum detalhe importante e crucial durante a entrevista.

É o momento de refletir até que ponto nossa conduta privada fora da empresa e fora da jornada de trabalho poderá nos afetar no ambiente para o qual laboramos, haja vista que o espírito maligno do grande irmão (ou grande irmã) tão bem demonstrado no clássico livro "1984", de George Orwell impregnou os departamentos de RH e gestão de pessoas em algumas empresas.

Portanto, vigiar e punir colaboradores nas suas vidas privadas por atos praticados fora da jornada de trabalho e ainda colocá-los em exposição nas redes sociais como resposta (que ninguém pediu, diga-se de passagem) à população, a empresa que se prestar a isso poderá responder por sanções judicias e pagar danos morais por exibir informações desabonadoras visando macular a reputação profissional do trabalhador. Já existem decisões judicias em casos semelhantes ao que foi exposto em tela. A empresa que expõe o trabalhador nesse tipo de situação comete um erro tão grave que às vezes acaba sendo pior do que o ato cometido pelo trabalhador.

Isto posto, ao sair de casa para o trabalho é bom ter cautela em se envolver em confusão, pois o olho que tudo vê do RH da empresa (coisa ridícula, diga-se de passagem) na qual o trabalhador labora poderá estar na vigilância observando a vida privada de seus colaboradores. Qualquer deslize, a demissão virá e como se não bastasse, a comunicação de dispensa estará disponível nas plataformas diversas da web para todo mundo saborear. Mais sádico do que isso, só mesmo as obras do marquês de Sade.


segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Mulheres ganham menos do que os homens: debate inútil que não leva a lugar algum



Quando vejo em algum noticiário de tv jornalistas e “ixpecialixtas” pomposos reunidos em volta de uma mesa chique de vidro cuja pauta seja “mulheres ganham menos do que os homens”, já me preparo para o festival de abóboras e sandices de causar engulhos em quem está assistindo.  Pessoas completamente alheias à legislação trabalhista e que sequer pisaram algum dia num setor de Recursos Humanos dando pitacos e deitando falação sobre o que não entendem com ares de sabichões. A afirmação de que as mulheres ganham menos do que os homens não se sustenta nem mesmo na própria frase.  É o que vamos ver agora.

A frase que afirma “mulheres ganham menos do que os homens” é uma frase que devido ao vício retórico de linguagem já se anula logo de início. Simplesmente porque ao se referir às “mulheres” a frase já colocou todas (todas!) as mulheres no mesmo barco como se todas realmente ganhassem menos do que todos (todos!) os homens em suas funções. É óbvio que isso é um absurdo e não corresponde à verdade de maneira alguma e portanto a frase "mulheres ganham menos do que os homens" trata-se de uma falsa premissa.

Considere então um grupo de 100 mulheres e constataremos que nesse grupo existem mulheres que ganham mais do que outras mulheres; pegue um grupo de 100 homens e constataremos que existem homens que ganham mais que outros homens. Misture agora os dois grupos e teremos mulheres que ganham mais que outros homens e do que outras mulheres, da mesma maneira que teremos homens que ganham mais do que outros homens e do que outras mulheres. Isso é no mínimo tão óbvio, tão lógico que qualquer afirmação além disso não passa de manifestação mendaz de parvos palpiteiros de plantão.

Darei agora dois exemplos de situações reais:

Exemplo nº 1:

Temos dois supervisores de RH, um homem e uma mulher, um tem salário de R$ 7.500,00 reais, outro recebe um salário de R$ 3.450,00. Ambos na faixa etária dos 30 anos e com praticamente o mesmo tempo de serviço e experiência, só que em empresas diferentes. Qual deles é a mulher? Sim, a mulher é quem recebe R$ 7.500,00, enquanto o homem, R$ 3.450,00, menos da metade dela. Por que isso? Porque ela trabalha para uma empresa multinacional com aproximadamente 600 funcionários enquanto o homem é supervisor de RH de uma rede de supermercados com aproximadamente 150 funcionários.

Portanto, neste caso, temos que inexoravelmente considerar a atividade econômica da empresa, bem como, o quadro de funcionários. Esses são dois dos principais elementos que também definem o valor do salário de um profissional e não o sexo do empregado. Não poderia ser o inverso? Ela trabalhar no supermercado e ele na multinacional? E neste caso ela estaria ganhando menos não porque é mulher mas em razão da atividade econômica da empesa para a qual presta serviços.

Exemplo nº 2:

Um gerente financeiro saiu da empresa em que trabalhava para abrir a sua própria consultoria. O seu salário na empresa girava em torno de R$ 9.500,00 reais. Em seu lugar foi contratada uma moça com larga experiência na função e com formação em Economia. Ela foi contratada por um salário de R$ 3.500,00 reais por mês. Alguns dirão: bingo, aí está, viu só? Eis um caso que entraria nas estatísticas rasteiras. Só porque é uma mulher entrou ganhando menos da metade do que o gerente que se demitiu, certo? Errado! Fosse o contratado um homem iria receber de salário os mesmos R$ 3.500,00 reais. Acontece que o antigo gerente trabalhava há mais de seis anos na empresa, beneficiou-se de cinco aumentos na data base do acordo coletivo e um aumento por mérito. Quando um funcionário é contratado seja homem ou mulher para substituir outro, o seu salário nunca será o mesmo do que aquele que foi substituído, ele vai receber um salário inicial bem menor.

Alguns analistas até aceitam equivocadamente a premissa de que as mulheres ganham realmente menos do que os homens e tentam justificar com algumas alegações que não se sustentam, entre as quais; que as mulheres optam por profissões mais intelectuais em escritórios, profissões essas que, segundo eles, pagam menos em relação às opções de trabalhos mais arriscados e perigosos escolhidos pelos homens. Ora, nem todo homem escolhe profissões de risco ou de perigo, além de que, essas profissões ditas de risco ou braçais não oferecem salários maiores do que profissões burocráticas em escritórios, muitas vezes pagam bem menos. Vide a faixa salarial de quem trabalha em serviços arriscados e perigosos na construção civil, a faixa salarial não é nada atrativa.

Estatísticas sobre esse tema enxergam a questão bem de longe e pelo lado de fora, da mesma maneira que um torcedor fanático num estádio de futebol quer ensinar o que o técnico e os jogadores em campo devam fazer e fica berrando sandices da arquibancada. Os elaboradores dessas estatísticas desconhecem ou ignoram de propósito como ocorre a composição salarial de um profissional. Então (de novo) vamos desenhar:

- Toda categoria profissional tem um piso salarial que vale para ambos os sexos. O funcionário que é contratado para ganhar o piso da categoria não vai ganhar mais nem menos do que o piso estabelecido no acordo coletivo, seja ele homem ou mulher.

- Quando uma vaga é aberta numa empresa, o valor do salário a ser pago já está definido independente se o candidato escolhido será um homem ou uma mulher. Não existe essa história de que se for homem o salário será “x” e ser for mulher o salário será “y”, o setor de RH já dispõe do valor de mercado daquele profissional. Eu nunca obtive orientação de empregador ou cliente para baixar o valor do salário caso o candidato recrutado fosse uma mulher.

- Não é o sexo do profissional que define o seu valor no mercado de trabalho e sim um conjunto de características exclusivas e variáveis, a saber: experiência na função, habilidades, desenvoltura, nível cultural, linguagem e expressão, cursos de aperfeiçoamento, formação escolar e a demanda por esse profissional no mercado de trabalho. São esses os principais elementos que definem o seu salário, e principalmente o porte e a atividade econômica da empresa na qual vai trabalhar.

- O porte e a atividade econômica da empresa têm um peso decisivo no valor do salário a ser pago. Um contador de uma imobiliária não vai ganhar o mesmo salário do que um contador de uma indústria química ou farmacêutica seja o profissional homem ou mulher. Se a imobiliária tiver uma mulher como contadora ela vai ganhar bem menos do que o contador que trabalha na indústria química ou vice-versa.

- Se realmente mulheres aceitassem trabalhar por um salário menor, os empregadores só contratariam mulheres para obterem mais lucro em relação aos seus concorrentes e assim sendo, aumentando a demanda pela mão de obra feminina automaticamente ocorreria a elevação do salário das mulheres o que faria com que os homens baixassem suas pretensões salariais efeito da resposta do próprio mercado de trabalho que equilibra o valor salarial de ambos os sexos através da oferta e demanda. Isso foi brilhantemente exposto pelo economista libertário Walter Block, da Escola Austríaca de Economia em seu magnífico livro "Defendendo o Indefensável".

As estatísticas que afirmam que mulheres ganham menos do que os homens partem de uma falsa premissa e criam um problema artificial com puro viés ideológico para fomentar a discórdia e claro, reivindicar políticas públicas. Consideram erroneamente que o valor do salário é definido pelo sexo da pessoa e não pelas habilidades, experiência, tempo de serviço, formação e especialização, faixa etária, atividade econômica e porte da empresa como expliquei e precisei desenhar neste artigo.

Sim, é sempre importante repetir, existem mulheres que ganham menos do que  homens da mesma maneira que existem homens (e que não são poucos) que ganham muito menos que muitas mulheres e por fim, homens que ganham mais que outros homens e mulheres que ganham mais que outras mulheres como desenhado neste artigo. Portanto, o debate sobre essa questão é algo absolutamente inútil como sandices berradas por torcedor imbecil nas arquibancadas, é puro ativismo e militância política das mais chinfrins.

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

A figura do alcagueta no ambiente de trabalho



Infelizmente na maioria das empresas com raras exceções convivemos com a indefectível e repugnante figura do alcagueta. Também chamado de delator, puxa saco, linguarudo, dedo duro, fofoqueiro, X9, espião, etc.. Essa figura já se tornou folclórica no ambiente de trabalho. E tanto faz, pode ser do sexo feminino ou masculino, lá está ele marcando presença sempre à espreita de um flagrante de um colega de trabalho para denunciá-lo ao supervisor ou até mesmo diretamente ao proprietário da empresa. A atriz Emily Blunt no filme "O Diabo Veste Prada" interpretou magistralmente um tipo desses, aliás na minha opinião ela foi protagonista das melhores cenas do filme. Não é muito fácil lidar com esse tipo, vejamos então um típico alcagueta em ação:


Está sempre olhando o relógio para ver quem chega atrasado, é o primeiro a saber (sabe Deus como) quando uma colega está grávida, sabe quem está enviando currículos porque está insatisfeito com o emprego, sabe quem na reunião do cafezinho está falando mal do supervisor e do próprio empregador, está sempre de olho em quem conversa mais do que trabalha. É capaz de passar de carro nos arredores da empresa na calada da noite para ver se o vigia está fazendo a ronda ou dormindo na guarita, sim já tive o desprazer de trabalhar com um sujeito desses. E tudo isso é passado em detalhes para o gestor do espionado ou até mesmo diretamente para o diretor da empresa.


O pior de tudo é que essa figura tem alguma (às vezes muita!) credibilidade e tolerância por dois motivos básicos: primeiro, porque não inventa nada, tudo que ela reporta é quase cem por cento verdade (alguns chegam até a aumentar os fatos para piorar a situação) e segundo, por ser um bajulador nato, muitos supervisores e patrões adoram uma bajulação, ainda que ela não seja autêntica. Por isso, em algumas empresas essa figura goza de algum prestígio e respaldo.


Não é nada fácil identifica-lo, principalmente os novatos que estão chegando. Ele é sempre uma figura simpática, prestativa, amigão para o que der e vier, costuma dar presentinhos irrecusáveis tais como, balas, confeitos e chocolates. É amável, gentil, está sempre sorrindo e às vezes até ajuda a falar mal do chefe, pois jogar o verde para colher maduro é uma de suas ferramentas favoritas.


Bem, uma figura dessas é lógico que é desprovida de conduta ética profissional, não quer aprender a tê-la e tem raiva (muita raiva) de quem a possui. Na verdade, o alcagueta barganha com si próprio a falta de habilidade profissional pela delação (premiada ou não, alguns o fazem por puro prazer e inveja do colega) de seus colegas de trabalho. Todos os delatores sem exceção deixam a desejar no desempenho de suas funções, e isso é fato. Por isso, falar apenas o necessário perto dessas figuras é uma excelente defesa, mesmo assim ele poderá te delatar por te achar um tanto quanto apático ou pernóstico.


Provavelmente a única maneira de se livrar dessa figura é na entrevista de recrutamento e seleção. Uma entrevista bem feita poderá sim detectar um alcagueta, basta fazer as perguntas certas. Mesmo assim se ela conseguir dar um olé no entrevistador, a segunda entrevista que vai checar as habilidades profissionais é fatal. Pois, como eu disse, em praticamente cem por cento dos casos, o alcagueta é ruim no que faz, não tem expertise profissional. Ser falastrão e histriônico são duas características marcantes do alcagueta. No entanto, se na maioria das empresas essa figura está presente, significa que o recrutamento está falhando em algum ponto. O trabalho na modalidade Home Office também afasta a presença dessa inoportuna figura.


É claro que muitos empregadores têm ojeriza a esse tipo de figura e na próxima lista de cortes e demissão, o dedo duro é o primeiro a ser limado. É sempre bom lembrar, o dedo duro é sempre improdutivo como profissional. Por outro lado, existem aqueles empregadores que até estimam esses tipos podendo até a promovê-los a gestor sem qualquer mérito ético-profissional. E se isso acontecer é sinal (mal sinal, diga-se de passagem) que o empregador seja também desprovido de ética profissional tanto quanto ou até pior que a figura. Talvez então tenha chegado aquele momento game over, é hora de começar a enviar currículos e trocar de emprego.


segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Aprenda com Miles Davis a transformar erros em acertos



Não, não é um artigo sobre autoajuda, mesmo porque Miles Davis (1926-1991) não foi um escritor que escreveu sobre essas bobagens. Miles Davis foi um tremendo monstro e bandleader do Jazz e que praticamente continua sendo um divisor de águas nesse estilo. É autor do mais importante álbum da história do Jazz, "A Kind of Blues". Podemos dizer que o Jazz existe antes e depois de Miles Davis, mas isso já é tema para outro artigo. A lição desse artigo foi contada por outro monstro do Jazz, o gigantíssimo pianista Herbie Hancock, membro durante muito tempo da banda de Davis e que aprendeu com o saudoso mestre a sair de situações conflitantes.


Herbie Hancock conta uma situação que o deixou absurdamente assombrado. Foi numa apresentação ao vivo em Stuttgart, Alemanha em 1963 que contava com Miles Davis (trumpet), Herbie Hancock (piano) Ron Carter (baixo acústico), Tony Williams (bateria) e Wayne Shorter (sax alto). Como podem ver, só feras no palco!


Durante a execução de uma belíssima e clássica composição de Davis, “So What!”, lá pelo meio da música quando Miles executava seus brilhantes solos de trumpet, Hancock ao piano erra feio o acorde. Tudo acontece numa fração de segundo que faz Hancock levar as mãos à cabeça pelo erro. Miles percebe o erro e também numa fração de segundo executa um fraseado no trumpet que faz com que o erro de Hancock se transforme em acerto! A sensibilidade de Miles naquele instante na escolha das notas deixou Hancock literalmente desconcertado, segundo ele, um momento que ele nunca e jamais vai se esquecer.


Transformar erros em acertos é um desafio para poucos. Exige treino (muuuuito treino), estudo, pesquisa, leitura, perspicácia e gigantesca percepção da realidade. O resultado disso é o aprimoramento das habilidades, seja lá em qualquer profissão que seja. O que num primeiro instante pode parecer improviso de momento, na verdade tem anos de treino por trás. É a mesma situação para quem fala de improviso em público, a pessoa já treinou infinitas vezes variadas situações que ficaram gravadas na memória e que a qualquer momento ela vai precisar colocar alguma delas em prática.


Miles Davis tinha uma frase que ele gostava de repetir: "Quem não erra já está cometendo um erro". Aprender com os erros e transformá-los em acertos é  um dos grandes exercícios para treinar as habilidades. Foi o que Miles fez naquela noite em Stuttgart. Hancock em seu depoimento sobre Miles, diz que Miles o ensinou a transformar veneno em remédio. Essa é a grande lição que o mestre nos legou: sempre poderemos extrair algo bom de uma situação ruim. Tentemos sempre,  não é fácil, podemos errar, vamos errar, e isso quer dizer então que estamos no caminho certo.


Abaixo o vídeo do depoimento do pianista Herbie Hancock.




 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

2020, o ano em que o trabalho foi criminalizado

Com toda certeza, 2020 foi o pior ano possível do século XXI para o setor trabalhista no Brasil. Conforme dados apurados no trimestre Julho/Agosto/Setembro pelo IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), atualmente contamos com um contingente de 14,3 milhões de desempregados. E essa alta taxa de desemprego poderá aumentar ainda mais caso burocratas tiranos continuem a impor medidas totalitárias de restrições em razão de uma segunda onda de araque da peste chinesa.  Basta ter QI acima de 60 para saber que a fraudemia caiu no colo de governadores e prefeitos oportunistas para usarem e abusarem contra a população os seus caprichos e vontades de tiranetes caipiras e provincianos que tudo copiam e nada criam.


Também não poderia deixar de fora uma modalidade trabalhista que entrou em vigor esse ano e que virou o setor de RH de cada empresa ao avesso, atende pelo nome de Contrato Verde e Amarelo. Ele bateu o fabuloso recorde de quase duas mil emendas! Ainda bem que amarelou e prematuramente caiu de podre. Foi tarde, embora continue a produzir os seus efeitos para as empresas que aderiram a essa modalidade que durou de Janeiro a Abril de 2020. Depois perdeu a validade por falta de votos no congresso nacional.


A ideia do Contrato Verde e Amarelo não foi ruim, mas da maneira prolixa e confusa como foi elaborado, para variar, por pessoas que nunca pisaram num departamento de pessoal, quase que é preciso editar um manual de hermenêutica para interpretá-lo. Acabou entrando para a galeria das figuras bizarras do bestiário trabalhista nacional ao lado da CLT (Chicote no Lombo dos Trabalhadores) e da justiça do trabalho.


Após o Decreto nº 6 de Março/2020 que instituiu estado de calamidade pública e da emergência da saúde pública, tivemos a Medida Provisória 927, editada em 22 de Março que flexibilizou as relações trabalhistas, mas que perdeu a validade em 19 de Julho de 2020 por também não ser votada a tempo pelo congresso nacional. Não há setor de departamento pessoal que resista a tudo isso.


Com o fechamento de centenas de empresas proibidas de exercerem suas atividades por determinação de caudilhetes deslumbrados e provincianos que decidiram o que seria serviço essencial ou não, as demissões em massa foram inevitáveis e explodiram de norte a sul do país. Mais uma vez o governo federal socorreu os demitidos com a criação do programa de auxílio emergencial, cujo prazo de validade termina em dezembro desse ano. Milhões de brasileiros conseguiram aos trancos e barrancos sobreviver graças ao auxílio emergencial.


Como podemos constatar, o governo federal fez a sua parte até além do que podia, porém não podemos afirmar a mesma coisa de governotários e prefeitardados. Ambos tiveram imenso apoio da mídia canalha globostol que adotou a peste chinesa para chamar de sua. A mídia se alimenta dela, vive dela e adotou como lema frases de efeito para causar terror aos incautos e mal informados, tais como “fique em casa”, “obedeça”, “ajoelhe”, “use focinheira” “cale a boca”, “denuncie seu vizinho”, “tenha medo” entre outros mantras. Enquanto isso, jornalistas da mídia flagrados inúmeras vezes sem máscara e flanando nas praias (para "desopilar"), bem como universiotários e celebridades socialistas do Leblon debocharam da cara do povo fazendo lives para beócios.


Portanto, o ano de 2020 para setor trabalhista no Brasil foi o ano em que o setor de departamento pessoal de cada empresa virou de ponta cabeça, comparando-se apenas ao ano de 1943 quando a bizarra CLT entrou em vigor, elaborada também (ou melhor, copiada) por burocratas tiranos e provincianos que acharam lindo dar um “copy & paste” na Carta del Lavoro” fascista. No entanto, 2020 foi pior do que aquele, 2020 foi o ano em que comerciantes e trabalhadores foram detidos e algemados simplesmente porque estavam tentando trabalhar, foi o ano em que, difícil de acreditar, burocratas adeptos do "copy & paste" conseguiram criminalizar o trabalho. Durante a peste chinesa, sair para o trabalho pode levar o sujeito em cana.


segunda-feira, 4 de maio de 2020

O livre mercado grita, mas prefeitos e governadores se fazem de surdos

Não é apenas “a voz rouca das ruas” (expressão criada por FHC em 1997) que clama pela volta da normalidade, é o próprio livre mercado gritando através de um imenso megafone pela reabertura do comércio geral, pelo retorno da economia do país, atualmente sob cárcere privado e pelo fim dessa inútil quarentena ou isolamento severo absurdamente inconstitucional e que já virou motivo de escárnio ao redor do mundo.

E o que mais o livre mercado está gritando? Pois bem, o livre mercado está gritando que os preços estão subindo loucamente por causa da escassez decorrente da paralisação da produção de bens e insumos; pelo aumento de mortes decorrentes de infarto, AVC, acidentes domésticos e outras enfermidades porque as pessoas temem se dirigir até os hospitais; pelo aumento exponencial da violência doméstica e pela depressão das pessoas confinadas cujas imunidades estão baixando pela falta de exposição ao sol. Infectologistas não cansam de dizer que é a exposição das pessoas que as imuniza.

Mas o grito maior que ecoa e reverbera pelas ruas desertas e vazias é o grito do desemprego. O isolamento obrigatório está causando um desemprego sem precedentes na história do país que levará talvez meio século para se recuperar. Setores dos mais diversos estão demitindo. O último boletim do Instituto Brasileiro de Economia - IBRE-FGV aponta os setores de hotelaria, turismo, gastronomia, varejo e indústrias em geral, os que mais estão sofrendo com as demissões, sendo que o maior volume das baixas encontra-se maciçamente no setor administrativo de todos esses segmentos.

Empresas congelaram o recrutamento por tempo indeterminado. No momento apenas os setores hospitalares, produtos de higiene, delivery, e programadores e designers de aplicativo estão contratando. Aliás, até houve naturalmente um aumento percentual de 30% nesses segmentos. No entanto, o restante está totalmente estagnado e pior, demissões a todo vapor.

Ninguém recomendou, nem mesmo a OMS o fechamento de comércio ou confinamento severo. Países que seguiram isolamento vertical sem confinamento como, por exemplo, Japão, Holanda, Suécia entre outros, tiveram um número baixíssimo de infecção do vírus do PCC (partido comunista chinês). Em razão dessa medida, a Suécia acaba de ser elogiada pela própria OMS, quem diria!

Semana passada, no dia 30 de Abril, nos Estados Unidos, manifestantes armados invadiram a câmara legislativa do estado de Michigan para exigir da governadora progressista Gretchen Whitmer (uma espécie de dita-dória de saias) que retirasse as determinações de confinamento severo. Donald Trump afirmou em seu Twitter que a governadora deveria ceder em sua estratégia de confinamento e negociar com os manifestantes.

Com a palavra, Guy Ryder, diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho –OIT, que em seu boletim do dia 07 de Abril, declarou: “Para milhões de trabalhadores, a ausência de renda é igual à ausência de comida, de segurança e de futuro. Milhões de empresas em todo o mundo estão à beira do colapso. Elas não têm poupança ou acesso ao crédito. Essas são as verdadeiras faces do mundo do trabalho. Se não forem ajudados agora, simplesmente perecerão”.

Aqui no Brasil essa ajuda já aconteceu e está em andamento através de medidas urgentes tomadas pelo governo federal. Infelizmente no Brasil, alguns governadores e prefeitos, rascunhos mal feitos de ditadores, politizaram a doença em nome de uma pauta progressista perversa contra o governo federal.  Esses chefetes de araque contam com o apoio da mídia criminosa e um séquito de celebridades, as mesmas de sempre, os socialistas do Leblon (ou esquerda caviar, se preferir), verdadeiros mercadores do medo e do terror contra a população.

Governadores e prefeitos não estão ouvindo “a voz rouca das ruas”, não estão ouvindo em alto e bom som o grito de alerta do livre mercado. É óbvio que ouvindo estão sim, mas se fazem de surdos. Como já entenderam a mensagem que estão politicamente derrotados e devidamente sepultados nas urnas eleitorais, decidiram então massacrar de vez os seus próprios eleitores e sobretudo os não eleitores.

O Artigo 1, § único da Constituição Federal diz que "todo o poder emana do povo". Não é o que esses ditadores meia bomba entendem, certamente na próxima edição do Diário Oficial novas medidas restritivas virão, massacrar a população estará no briefing do dia. A caneta do caudilho chega a tremer!

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Incontrolável: lições de perícia, tomada de decisão e amor à profissão



"A grandeza de uma profissão é talvez, antes de tudo, unir os homens: não há senão um verdadeiro luxo e esse é o das relações humanas". (Antoine de Saint-Exupéry)


Incontrolável (Unstoppable) talvez seja um filme que tenha passado despercebido pelos profissionais de Recursos Humanos. Provavelmente por tratar-se de um filme de muita dinâmica, ação e grandes efeitos especiais. Entretanto, tirando a ação, temos como pano de fundo as relações de trabalho na trama desse espetacular filme, e dela podemos absorver importantes e belíssimas lições de perícia, dedicação, tomada de decisão e sobretudo, de amor à profissão demonstrada pelos protagonistas, ou seja, dois ferroviários condutores de locomotiva, um veterano e um novato.

Sem dúvida alguma que o ator protagonista, um gigante das performances que é Denzel Washington (na minha opinião um dos melhores da atualidade) no papel do experiente e veterano maquinista Frank Barnes, enriqueceu o personagem a tal ponto que não há como deixar de nos comover. Seu parceiro interpretado por Chris Pine no papel de Will Colson, um novato maquinista também não deixou a desejar. E de início, quando os personagens se conhecem já percebemos o conflito entre gerações.

A história é baseada em um fato verídico que ocorreu no dia 15 de Maio de 2001 nos Estados Unidos em Ohio e ficou conhecido como “O Incidente do CSX 8888”, o prefixo original do trem desgovernado. Tudo teve início quando o maquinista desse trem desceu da cabine da locomotiva para engatar manualmente um desvio nos trilhos e não colocou os freios da locomotiva em posição correta. O trem então começou a andar sem que o maquinista percebesse e quando percebeu ele até tentou pular de volta, mas já era tarde, ele não conseguiu, tropeçou e caiu na margem ao lado dos trilhos sofrendo ferimentos leves.

O comboio então seguiu em frente da estação Stanley Yard sem maquinista e ganhando velocidade com 47 vagões carregados de produtos químicos e tóxicos, no caso, o perigosíssimo fenol fundido. O trem desgovernado percorreu um total de 106 km do estado de Ohio a uma velocidade de 82 km por hora. E aqui é que entra a experiência de um maquinista veterano que conduzindo a sua locomotiva de ré (!) consegue alcançar e engatar no comboio reduzindo a velocidade para 11 km por hora, sendo possível então outro maquinista pular para dentro da locomotiva e desliga-la. Vejamos como isso aconteceu.

Resumindo: Frank Barnes e Will Colson estavam trabalhando juntos pela primeira vez. O serviço era transportar 42 vagões vazios. Durante o trajeto, Frank Barnes recebe pelo rádio a informação que o trem desgovernado estava vindo em sua direção em alta velocidade. Portanto, a instrução passada pelos controladores de tráfego era para que Frank entrasse rapidamente no próximo desvio para não colidir frontalmente com o comboio. Embora Colson, o maquinista novato sugeriu acionar os freios e parar onde estavam, Frank mantém sua posição de levar a composição para o desvio e foi o que fez. Frank observa quando o trem desgovernado passa na linha ao lado. E assim que o trem passa, Frank toma a decisão de desengatar a sua locomotiva, passar para a linha ao lado e voltar de ré na intenção de alcançar o desgovernado. Atitude que inicialmente foi rejeitada pelo novato, porém acabou sendo convencido mais uma vez pelo experiente Frank.

Frank Barnes comunica pelo rádio com os controladores que vai alcançar o trem desgovernado, fazer o engate no último vagão, acionar o freio dinâmico aos poucos e reduzir então a velocidade do desgovernado para que alguém pudesse adentrar na locomotiva e neutralizá-la.  E aqui constatamos a convicção da perícia de um experiente veterano que sabe o que está fazendo, embora os controladores tenham ficado em polvorosa com a decisão de Frank, pois ele está determinado e sabe que vai conseguir alcançar o comboio desgovernado. Para isso, ele impõe uma velocidade perto dos 100 km por hora e de ré na sua locomotiva, uma SD40-2.

E aqui entramos no ponto alto do filme que mais nos interessa. O presidente da companhia ouviu pelo rádio a decisão de Frank e não a aceitou, pois ele estava determinado a descarrilar o trem, tanto que a tentativa do descarrilamento foi tentada, mas sem sucesso. Frank já havia dito aos controladores de tráfego que a tentativa de descarrilar o comboio iria falhar. O presidente da empresa pega o rádio e fala diretamente com Frank ameaçando-o caso ele não desista de perseguir o trem desgovernado seria demitido. Então Frank, calmamente e sorrindo responde ao presidente da empresa: “O senhor já fez isso, o senhor já me demitiu, estou cumprindo aviso prévio que recebi pelo correio, plano  de aposentadoria precoce forçada, metade dos benefícios, faltam apenas duas semanas para o término do aviso”. Ao que o presidente responde: “faltando apenas duas semanas para terminar o aviso prévio, você vai a arriscar sua vida por nós?” Frank diz: “não é pelo senhor, não é pelo senhor" É de arrepiar! Nesse momento, Colson pega o rádio e diz ao presidente que eles vão parar o trem desgovernado e corta a transmissão do rádio.

Daí em diante é ação e adrenalina pura com as impactantes cenas dirigidas magistralmente pelo saudoso diretor Tony Scott (Top Gun - Ases Indomáveis). Frank e Colson passarão por terríveis momentos até que a SD40-2 alcance e engate no desgovernado. Will Colson foi quem conseguiu entrar na locomotiva e neutralizá-la. É claro que o excelente roteirista Mark Bomback (Duro de Matar 4.0) acrescentou brilhantemente cenas e diálogos adaptados da história original o que justamente faz desse filme uma fonte de belos exemplos e grandes lições nas relações de trabalho.

Naturalmente que a história original não foi tão dramática assim, pois não houve vítimas fatais como no filme, nenhum trem foi destruído e os prefixos das locomotivas foram trocados. Os maquinistas originais, respectivamente, Jess Knowlton (o veterano engenheiro com 31 anos de experiência) e o novato Terry Forson foram reconhecidos como grandes heróis e recebidos pessoalmente na época pelo presidente George W. Bush. Os dois maquinistas foram consultores nas gravações do filme e até hoje prestam seus serviços na mesma companhia ferroviária. 

De acordo com os aficionados por trens e até mesmo os profissionais ferroviários, todos consideram “Incontrolável”, um dos mais belos filmes sobre o tema, não só pelas cenas de grandes efeitos, mas principalmente em razão da perícia, empenho, tomada de decisão e o amor à profissão demonstrada pelos dois maquinistas. Sem sombra de dúvida, esse filme é uma grande homenagem aos profissionais ferroviários.

Vale a pena conferir a história verídica no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=uyhVfq3ZZJE


segunda-feira, 10 de junho de 2019

Aprendendo Sociologia do Trabalho com a música sertaneja de raiz



"Empregado quando é bom o patrão é companheiro" (Tião Carreiro & Pardinho)

A Literatura, o Cinema e a Música representam uma inesgotável fonte de sapiência e aprendizado. Algumas vezes de maneira complexa, outras de maneira mais simples. Absorvemos as mensagens dos mais belos filmes que assistimos, dos clássicos da literatura que lemos com tanto prazer e também das elaboradas melodias que ouvimos. E dessa fonte de saber, portanto, ganhamos um aprendizado intelectual e prestimosas lições de vida que nortearão nossa conduta ética, moral, pessoal e profissional para sempre. E a música sertaneja de raiz tem muito a nos ensinar. É o que veremos a seguir:

A saudosa dupla Tião Carreiro e Pardinho, que compunha a legítima música sertaneja de raiz, cantou magistralmente as relações de trabalho na bela melodia, “O Patrão e o Empregado”, composta por José Dias Nunes (o Tião Carreiro) em parceria com outro compositor, um craque da música caipira, Lourival Santos. A letra da canção é um verdadeiro elogio ao capitalismo e retrata da maneira mais realista possível as relações entre patrão e empregado. Uma tijolada sem dó nem piedade na verborrágica luta de classes pregada pelo aldrabão (embora inteligentíssimo, devemos reconhecer) Karl Marx, que, é sempre bom lembrar, nunca trabalhou na vida, vivia às custas dos amigos e nunca colocou os pés numa fábrica [1].

E por falar em Karl Marx, nunca é demais reiterar o que já escrevi em diversos artigos neste blog sobre a teoria do valor-trabalho, de Marx. Essa teoria maluca do alemão Marx que odiava judeus, embora fosse um deles, foi espetacularmente refutada pelo economista Carl Menger, o fundador da Escola Austríaca de Economia, em seu livro, “Princípios de Economia Política”, publicado em 1871 . E não somente por Menger, mas também pelo economista Eugen von Böhm-Bawerk, também da Escola Austríaca, na sua obra, "A Teoria da Exploração do Socialismo-Comunismo", que pode ser baixada aqui.

Tião Carreiro não frequentou escola, aprendeu a ler e escrever folheando jornais e revistas. Autodidata, aprendeu por conta própria a tocar viola e criou um estilo único e inconfundível de manusear o instrumento, estilo esse que foi seguido por inúmeras duplas sertanejas que tiveram o mestre Tião Carreiro como fonte de inspiração. Também aprimorou o estilo da cantar das duplas sertanejas, colocando ênfase na segunda voz, a mais grave como destaque, estilo também seguido por diversas duplas.

Eis aqui então a bela poesia da canção, “O Patrão e o Empregado”, uma verdadeira aula de Sociologia do Trabalho, pois a relação entre ambos se completam e é vista sob uma condição natural criada por Deus. Assim sendo, podemos dizer sim, por que não, que nessa singela melodia, Tião Carreiro e Pardinho também refutaram e com muita maestria a imaginária e ilusória luta de classes que nunca existiu na verdade, pregada pelo vivaldino Karl Marx.


Eu estava sem assunto a lei divina mandou
Passei a mão na viola o meu santo me ajudou
Pra falar de duas classes que a tempo Deus criou
Empregado e patrão ainda ninguém falou
Empregado é abençoado patrão Deus abençoou

Empregado e patrão duas linhas paralelas
Para defender os dois eu estou de sentinela
No futebol do trabalho os dois juntos faz tabela
Constrói a grande vitória que o país precisa dela
Pátria precisa dos dois e os dois lutam por ela

Empregado quando é bom o patrão é companheiro
Empregado dá suor e o patrão dá o dinheiro
O dinheiro é coisa boa pra aqueles que sabe usar
Usando só para o bem o dinheiro faz cantar
Usando só para o mal o dinheiro faz chorar

Já trabalhei no pesado, pisei descalço na neve
Hoje no braço da viola o meu serviço é mais leve
Sou empregado dos fãs que pra mim nada me deve
Eu é quem devo resposta da carta que o fã me escreve

Desde o tempo de menino conheci um velho ditado
O patrão quando é rico empregado é remediado
O que vou dizer agora eu não deixo pra depois
Quem trabalha para pobre não sai do feijão com arroz
Trabalhar pra quem é pobre é pedir esmola pra dois.

Compositores: Jose Nunes / Lourival Dos Santos
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[1] JOHNSON, Paul (1990), "Os Intelectuais", Imago

Algumas notas sobre Napoleon Hill e sua obra "A Lei do Triunfo"

Quem acompanha os meus artigos sabe que sou um crítico contumaz da literatura de autoajuda (que eu chamo também de literatura de fancaria), ...