segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Marmitex e Prato Feito: muito arroz e farofa, pouco feijão e mistura minguada



Em tempos de fraudemia do vírus chinês, a quantidade de fornecedores de refeições via aplicativos aumentou exponencialmente. Pela lógica, a qualidade das refeições oferecidas deveria melhorar, haja vista, o leque de opções disponível. No entanto, a prática do dia a dia revela outra realidade: o consumidor desse tipo de serviço tem que conviver com o mau atendimento, relaxo e descaso. E como se não bastasse a demora na entrega do pedido (colocam sempre a culpa no coitado do motoboy que não achou o endereço), ao abrir uma quentinha robusta, constata-se que a robustez é apenas um disfarce malandro de uma quantidade absurda de arroz e farofa, alguns grãos de feijão seco, sem caldo, mistura minguada e mal feita.


Sim, porque esse é um truque descoberto pelos fornecedores de quentinhas (não tão quentinhas assim quando atrasa. E sempre atrasa!): socar arroz, muito mas muito arroz mesmo e jogar uma farofa mal feita por cima para dar a impressão que a marmitex é bem servida. Isso sem contar que quem preparou a comida jamais imagina o que seja tempero e ponto de cozimento, itens básicos e imprescindíveis para que uma refeição seja minimamente palatável. E não adianta dizer que quem está com fome come qualquer coisa porque na prática não funciona bem assim. Tente então comer uma coxa de frango branquela, insossa, dura, semicrua e nadando em óleo que eles chamam matreiramente de “molho”.


Esse é um truque que também é muito utilizado quando pedimos um prato feito em alguns restaurantes. Ao chegar à mesa, o que temos no prato? Uma montanha de arroz salpicada de farofa e alguns grãos de feijão que são mais decorativos do que degustáveis e uma mistura mal feita soterrada por essa avalanche de empulhação. Quem faz o prato, seja o proprietário ou o funcionário, não tem a mínima noção no equilíbrio das porções dos alimentos que compreende basicamente, carboidratos, proteínas e vegetais. Esse manjado truque é confessado por alguns proprietários que alegam que equilibrar as porções no caso de prato feito e também da marmitex significa prejuízo. Isso explica porque o prato executivo em que as porções vêm separadas em cumbucas pagamos um preço bem mais elevado.


Durante essa fraudemia, o setor que mais cresceu foi justamente o disk-marmitex em razão dos restaurantes estarem impedidos de funcionar. Pessoas que perderam seus empregos ou foram proibidas de trabalhar e os restaurantes lacrados pelos governotários e prefeitardados, muitos acabaram aderindo aos apps de refeições e atacaram de cozinheiros, ainda que não soubessem nem mesmo fritar um ovo. Efeito Masterchef talvez?


O cerne da questão reside justamente nos recursos humanos. As pessoas que se arriscam na cozinha não possuem qualificação adequada, são muito mal treinadas para a função. Mas como exigir qualificação se às vezes nem mesmo o proprietário do negócio a possui? Só para citar um exemplo, um comerciante do ramo de gesso fechou a empresa para abrir uma padaria sendo que ele não tinha nenhuma experiência no ramo. O resultado disso é que em seis meses ele já está passando o ponto e o prejuízo foi incalculável. Não se pode mudar assim de ramo radicalmente só achando que vai se dar bem se a experiência no setor é praticamente nula. Infelizmente existem centenas de casos assim.


No caso da marmitex é claro que o formato não ajuda. E a questão das embalagens novamente surge na pauta. Já existe no mercado um tipo de marmitex  com divisórias. Em diversos países esse tipo de marmitex já é utilizado há muito tempo e o preço de custo não é assim tão mais caro em relação às outras. Vou repetir aqui o que já escrevi em outro artigo sobre as embalagens do setor alimentício no Brasil: redução imediata da alíquota ou mesmo isenção de imposto sobre todas as embalagens do setor alimentício, incluindo naturalmente a marmitex.


No caso do prato feito parece-me que não há solução, trata-se de uma pegadinha porque na realidade o correto seria Prato Feito Pela Casa, de maneira que, a casa distribui no prato as porções como bem entende, enfiando goela abaixo do cliente uma quantidade estúpida e desumana de arroz e farofa. Só nos resta fugir ou passar vazado dessas baiucas. E quanto às quentinhas, se pedidas por app, basta dar pontos negativos e aguardarmos pacientemente o dia em que os donos de restaurantes optarem pela marmitex com divisórias. Enquanto esse dia não chega, pediremos feijoada e ao abrir a quentinha comeremos baião de dois. E sem queijo coalho!

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Embalagem do setor alimentício no Brasil é caso de polícia



Você já cortou o seu dedo ao abrir uma lata de goiabada ou ervilha? Já lascou a unha e feriu a mão ao tentar girar a tampa emperrada de um vidro de palmitos ou conservas? Já teve o desprazer de comer batatas chips moídas como pó de vidro? Já perdeu mais da metade do pacote de biscoitos porque estavam trincados ao abrir o seu invólucro? Já teve que comer pão francês completamente murchado porque a padaria o embalou inadequadamente em saco plástico? Pois então, comigo já ocorreu tudo isso e mais um pouco inúmeras vezes. Acredito que com o leitor que está lendo esse artigo neste momento também algumas vezes na vida.


Ao longo dos anos já li diversos artigos criticando o design das embalagens dos produtos alimentícios no Brasil. O que chama a atenção é que o problema das piores embalagens ser uma exclusividade do setor alimentício, justamente o qual deveria primar em primeiro lugar pela higiene, segurança para o consumidor, praticidade e atração estética. Podemos constatar que em outros setores de consumo, as embalagens raramente causam alguma lesão física, possuem um design mais atrativo valorizando o conteúdo que será consumido. Como exemplos, podemos citar sabão em pó, cosméticos, perfumaria em geral, equipamentos de informática, estes inclusive são tão bem embalados que dá até dó ao abrir o invólucro.


Basta digitar no Google, “biscoitos importados” ou qualquer outro produto do ramo alimentício para observarmos o apreço que os fabricantes de outros países têm pelos consumidores na preocupação em oferecer produtos em embalagens esteticamente atrativas, seguras e que sejam práticas no manuseio. Vemos potes com geleia práticos e fáceis de abrir, biscoitos em caixas firmes de papelão ou mesmo em belíssimas latas que poderão ser aproveitadas para outras finalidades. Vemos também arroz, açúcar, café e diversos tipos de cereais, todos embalados em caixinhas firmes de papelão. Já aqui no Brasil abrir um pacotinho de café de 1 kg (principalmente o embalado a vácuo) é uma perigosa aventura que não sabemos como vai terminar. Normalmente não termina nada bem.


Há alguns anos uma famosa marca de biscoitos, ainda em atividade, até os embalava em papel manteiga dentro de uma consistente caixa de papelão, hoje não mais. Uma famosa pastilha para garganta por anos era embalada em latinhas charmosas, hoje é embalada num tipo de saquinho bem chinfrim que ao rasgá-lo metade das pastilhas se precipitam ao chão. Existe um tipo de paçoca (todos sabem qual é) que ao abrir a embalagem o que sobra é talco de amendoim. Isso se deve em razão do papel que a embala ser absurdamente colado no tijolinho de doce.


A desculpa pelas péssimas embalagens sempre se escora no barateamento dos produtos. Pura falácia! E a quantidade de produto que se perde ao abrir uma embalagem absolutamente inadequada e insegura? Às vezes perde-se todo conteúdo. E o risco de um dedo cortado, uma unha lascada e outros tipos de lesões físicas? O gasto com antissépticos, curativos, remédios e o risco de parar num pronto socorro. E claro, o custo que se tem com a compra novamente de outro produto (de preferência de outra marca) quando ocorre perda total. Não gosto de frases feitas, mas aqui temos um típico caso do barato sair caro, muito caro.


Solução para essa questão existe, não é difícil de se resolver, é perfeitamente viável. Só é preciso um pouco de boa vontade das partes envolvidas, senão vejamos: sabemos que a embalagem agrega valor ao produto e isso é lição básica de marketing. Além disso, bastaria o governo diminuir a alíquota de imposto ou mesmo isentar de imposto as embalagens destinadas ao setor alimentício, sejam elas de papel, papelão, alumínio, madeira, vidro, materiais recicláveis, etc.  Já as empresas do setor alimentício deveriam selecionar fabricantes de embalagens que possuam certificações de qualidade e que ofereçam o melhor custo-benefício sem perda da qualidade.


Quanto ao design gráfico visual, ele é bastante atrativo, porém o formato da embalagem é mais ainda. Aliás, para quem não sabe, importantes ícones das artes plásticas do Brasil já foram responsáveis pela execução do visual das embalagens, tais como, Lygia Pape, Alexandre Wollner, Aloísio Magalhães, Aldemir Martins entre tantos outros [1]. É preciso agregar essa beleza visual com o formato da embalagem que ofereça não só beleza, mas higiene, segurança e praticidade no manuseio, caso contrário o consumidor continuará tendo um gasto alto com curativos, torunda de gaze e algodão, esparadrapo, continuará a ter que comer perigosos cacos assassinos de batatas chips e farofa de bolacha Maria.

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[1] CAVALCANTI, Pedro, CHAGAS, Carmo. História da Embalagem no Brasil. Editora Abre. 2006


segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Férias antecipadas (MP 927) não devem ser descontadas na rescisão contratual


Em razão do Decreto Legislativo nº 6 de 20 de Março de 2020 que dispõe sobre a situação de calamidade pública da saúde, em 22 de Março foi editada a MP 927/2020 que perdeu a sua validade em 19/07/2020 por não ser votada a tempo de ser convertida em lei. A MP 927 trouxe alternativas emergências para a manutenção do emprego, entre as quais, destaca-se a antecipação das férias individuais do empregado, mesmo que o empregado ainda não tenha completado os doze meses do período aquisitivo. Alguns empregadores anteciparam as férias, decisão que eu sempre discordei e não recomendei aos meus clientes. 


Esse item da MP 927 foi o que mais causou polvorosa entre nós, profissionais de RH. Ocorre que, e eu sempre deixei isso bem claro em meus artigos, as alterações na legislação trabalhista ainda que provisórias (como foi o caso), são elaboradas por pessoas que nunca colocaram os pés num departamento de pessoal, desconhecem completamente as rotinas trabalhistas e os softwares de gerenciamento (caríssimos, diga-se de passagem) da folha de pagamento, férias, rescisões, etc. Uma linha sequer que se altere na legislação e todo sistema de gerenciamento do DP tem que ser reprogramado novamente. Isso não sai nada barato, além do trabalho que dá para fazer as devidas alterações.


Bem, vamos ao ponto que interessa. Um empregador então decide antecipar as férias de um funcionário que tinha seis meses de empresa, já considerando que ele tenha recebido o valor total e adicional de um terço. Lembrando que o artigo 8º da MP 927 permitia que o empregador tivesse o prazo de até 20/12/2020 para quitar o adicional de um terço, mas digamos que já foi tudo quitado. Supomos que ao retornar ao trabalho após gozar as férias o funcionário seja demitido ou peça demissão. O valor das férias antecipadas deve ser descontado? E a minha resposta para essa questão é NÃO, não deve ser descontado, independente se o funcionário foi demitido ou pediu demissão. Vejamos:


A MP 927 não foi impositiva, obrigatória, ela abriu a possibilidade de livre negociação entre empregado/empregador, conforme o Art. 3º: "Para enfrentamento dos efeitos econômicos decorrentes do estado de calamidade pública e para preservação do emprego e da renda, poderão ser adotadas pelos empregadores...”. Portanto, se o empregador concedeu férias antecipadas por deliberação ou necessidade, ele deve suportar ou arcar com o risco conforme artigo 2º d CLT, além de não fazer sentido algum conceder antecipação de férias para manutenção do emprego de seu funcionário e logo a seguir contemplá-lo com demissão e descontar o valor.


Mas e se foi o empregado que ao retornar ao trabalho pediu demissão? Vamos lá: primeiro, se o empregado estava em gozo de férias antecipadas foi por livre deliberação de seu empregador que a concedeu; segundo, mesmo nos pedidos de demissão as férias proporcionais são pagas na rescisão contratual, entendimento pacífico do Tribunal Superior do Trabalho-TST, conforme Súmulas 171 e 261 e também da Resolução 132 da Organização Internacional do Trabalho-OIT, artigos 4º e 11º que tratam das férias dos trabalhadores, e por fim, descontar férias em rescisão contratual se caracterizaria numa aberração jurídica trabalhista uma vez que as férias são um direito irrenunciável do trabalhador. O desconto somente caberia no caso de demissão por justa causa.


Existe uma tendência entre juristas que entende que se a demissão partiu do empregado, as férias que foram antecipadas podem ser descontadas. Por isso é que eu digo que não devem, mas não afirmo que não podem. Particularmente entendo que não, pois o desconto confrontaria toda legislação sobre férias, incluindo Súmulas Jurisprudenciais, Resolução da OIT e, sobretudo, contra o princípio dos direitos irrenunciáveis como já citei acima.


Atualmente, voltou tudo como era antes. A concessão de férias só é permitida se o empregado completar 12 meses de serviço na empresa (artigo 134 da CLT), a antecipação está proibida. Ressaltando que o que foi celebrado e acordado entre empregado/empregador no período da vigência da MP 927 não é anulado, permanece válido. 


Pessoalmente sempre mantive restrições sobre férias remuneradas, um produto CLT, porém “copy & paste” da fascista Carta Del Lavoro. No entanto, uma vez que elas existem, empregadores devem seguir a legislação, caso contrário, a legislação é que os seguirá a passos largos alcançando-os facilmente. Enquanto isso novas alterações trabalhistas são tramadas na calada da noite. Quais serão as próximas? De repente, uma nova alteração atrapalhista surgirá da fornalha estatal e ela virá quente, ardendo em brasa. Haja softwares de gerenciamento de DP, haja paciência, haja extintor de incêndio.


segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Teste Rorscharch (borrões de tinta) é ineficaz nas entrevistas de seleção

 

Prancha Rorscharc


Muitos candidatos nas entrevistas de seleção já passaram pelo teste Rorscharch, dependendo do cargo pretendido. O teste consiste em olhar para figuras representadas por manchas ou borrões de tinta e responder ao entrevistador o que o candidato enxerga em cada uma delas. É como a pareidolia em que as pessoas enxergam rostos, vultos e figuras em nuvens, montanhas, etc. Algumas empresas ainda insistem nesse teste para avaliação das aptidões dos candidatos. Mas será que o teste Rorscharch realmente funciona? Vejamos um pouco de história.


O teste foi criado (não tão criado assim) pelo psicólogo suíço Hermann Rorscharch (1884-1922). Quando jovem, Hermann era fissurado num jogo chamado Kleksographie. O jogo consiste na arte de criar imagens a partir de manchas de tinta e foi criado (acidentalmente, diga-se de passagem) pelo escritor e poeta alemão Justinus Kerner. Rorscharch então decidiu (pasmem!) que essa técnica poderia ser utilizada no campo clínico para avaliação das mais diversas personalidades de pacientes com problemas mentais.


Ocorre que o pedagogo e psicólogo francês Alfred Binet (1857-1911)  o precursor do teste de QI, já estava trabalhando com manchas de tintas para avaliação da inteligência humana. Além de Binet, em 1896 nos Estados Unidos, apareceu um outro jogo descrito por Albert Paine & Ruth McEnery Stuart, denominado Gobolinks que consistia em como fazer monstros com borrões de tinta e usá-los em versos criativos. Como podemos observar, Rorschach não foi o pioneiro nos borrões de tinta como muita gente imagina.


O teste dos borrões de tinta (são 10 pranchas com borrões diferentes) obviamente requer um método de codificação e interpretação para avaliação. Hermann Rorscharch faleceu prematuramente antes que pudesse elaborar um método de codificação para o seu próprio teste. O seu falecimento ocorreu justamente quando o seu livro com as pranchas das tintas estavam praticamente impressos. A venda do livro foi um tremendo fracasso.


Após o falecimento de Rorscharch, vários pesquisadores e psicólogos se debruçaram sobre a questão e desenvolveram os mais diversos métodos de codificação e interpretação do teste. Atualmente os dois sistemas mais utilizados são: o sistema de Exner (John E. Exner) e o sistema de Bhom (Ewald Bohm). Existem muitos outros e assim sendo, podemos concluir que não há consenso sobre um método preciso e adequado de codificação e interpretação.


Vejamos agora, grosso modo, alguns dos principais traços característicos que o teste Rorscharch pretende avaliar:


- A quantidade de inteligência

- A qualidade de inteligência

- Afetividade

- Atitudes Gerais

- Humor

- Traços Neuróticos


A aplicação dos testes é utilizada nos campos jurídico-forense, clínico, educacional, organizacional, etc. Devem ser aplicados apenas por psicólogos habilitados e treinados no teste conforme determinação e critério do Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos-SATEPSI. No Brasil foi introduzido no ano de 1927 pelo médico Ulisses Pernambuco com a contribuição da psicóloga russa Helena Antipoff e do psiquiatra José Lemes Lopes.


Já escrevi em diversos artigos sobre testes de inteligência nas entrevistas. A comunidade científica refuta com veemência testes de aferição da inteligência como por exemplo os testes de QI pela falta de precisão, afinal, de acordo com a comunidade não existe medida científica para a inteligência. Assim sendo, não poderia ser diferente com o teste Rorscharch com suas imprecisões e diversos métodos de codificação ao redor do mundo.


O que nós vemos num borrão de tinta? Vemos um borrão de tinta, oras! Outra resposta diferente dessa vai depender muito da subjetividade de quem faz a pergunta e não há como fugir disso. A possibilidade de forjar ou manipular os resultados, bem como, as respostas é infinita.


Quem já pesquisou o mínimo sobre História da Arte da qual a arte abstrata faz parte, sabe muito bem que de nada adianta perguntar ao artista pintor que criou uma pintura abstrata o que significa aquelas manchas ou borrões. A pintura abstrata é apenas uma composição de cores e traços que o artista criou até chegar num visual belo e agradável de se ver e puramente decorativo sem nenhuma teoria mirabolante por trás a respeito do que ele quis transmitir com sua arte.


Portanto, o teste Rorscharch é análogo  à pareidolia, algo para lá de ridículo se levado a sério numa entrevista de seleção de pessoas para avaliar aptidões. Como entretenimento lúdico, propósito pelo qual foi criado em sua origem, pode até ser divertido num happy hour brincar numa roda de amigos de enxergar figuras aonde elas não existem, sobretudo quando começamos a enxergar bailarinas e sereias sorrindo e dançando no líquido etílico dentro do copo que já carreja  a quinta ou sexta dose de whisky barato.


segunda-feira, 27 de julho de 2020

Aplicação de quebra-cabeças, teste de QI e perguntas impossíveis nas entrevistas de emprego: isso tudo é necessário?

Há alguns anos atrás tomei conhecimento do interessante livro “Como Mover o Monte Fuji?”, do premiado escritor e pesquisador William Poundstone. Ele se dedicou com afinco à pesquisa dos testes de recrutamento e seleção aplicados pela Microsoft, testes esses depois copiados pelas mais importantes companhias de TI e depois pelas mais badaladas consultorias financeiras de Wall Street que constantemente figuram na revista Fortune.

Perguntas como a do titulo livro, entre outras, tais como, “como você testaria um saleiro?”, “quantas vezes por dia os ponteiros dos relógios se sobrepõem?”, “o sol nasce no leste?”, “se você pudesse eliminar um dos estados americanos, qual deles seria?”, além de testes de QI e quebra-cabeças lógicos inimagináveis (alguns bolados pelo próprio Bill Gates, um fissurado em quebra-cabeças) com um prazo bem curto para ser respondido, todo esse pacote que passa por três ou às vezes até quatro entrevistadores faz parte do processo de recrutamento e seleção da Microsoft.

Uma das razões disso tudo é observar como o candidato atua em situação de estresse, a sua habilidade de raciocinar abstratamente e manipular conceitos; como usa a sua imaginação na resolução de problemas. E aqui não importa o que o candidato fez de bom no passado em outras empresas, mas o que ele poderá fazer beneficamente no futuro dentro da companhia.

Joel Spolksky, um dos recrutadores da Microsoft afirmou que os maiores desafios no recrutamento são: “identificar pessoas inteligentes que não sabem realizar e pessoas que sabem realizar, mas não são inteligentes”. Esses dois tipos devem ser evitados, pois o que a empresa quer obviamente são pessoas inteligentes e que sabem realizar. Vejam a justificativa do recrutador Spolsky:

“As pessoas inteligentes que não sabem realizar, costumam ter PhD  e trabalham em grandes empresas, mas ninguém lhes dá ouvidos porque não são nada práticas; já as pessoas que sabem realizar, mas não são inteligentes, fazem coisas estúpidas sem pensar, depois alguém tem que limpar a sujeira”. Não só a Microsoft, mas todas as empresas de TI, por motivos óbvios não podem errar na contratação de seus funcionários de nível técnico (desenvolvedores de software) para cima.

No entanto, esses métodos de recrutamento são questionados e com muita propriedade por Poundstone em seu livro. Vamos pontuar alguns deles:

-A comunidade científica refuta com veemência a teoria do QI (elaborada pelo francês Alfred Binet e aperfeiçoada pelo psicólogo americano Lewis Terman), pela sua falta de precisão, pois não existe medida científica para a inteligência.

-A Neurociência já catalogou sete tipos de inteligência do hemisfério cerebral, sendo elas: Linguística, Lógico-Matemática, Musical, Espacial, Motora, Interpessoal e Intrapessoal. Cada pessoa, conforme sua experiência de vida aplica cada uma delas de maneiras diferentes.

-Pessoas que são muito boas em algumas coisas nem sempre são boas em outra, pois o raciocínio que funciona em um problema pode não funcionar em outras situações.

Pois muito bem, ocorre que simulações de situações de estresse são situações criadas artificialmente naquele momento dos testes e isso é bem diferente de uma situação real que ocorre durante o trabalho. Não há garantia alguma que se o candidato se sair bem numa situação criada artificialmente também o fará numa situação real ou vice-versa. Fatores externos não identificáveis podem contribuir para o acerto ou para o erro. Por exemplo, pilotos de aviação com vasta experiência podem cometer equívocos irreversíveis ou serem consagrados como heróis, tudo vai depender das condições identificáveis ou não.

É fato que muitas empresas deixaram de contratar excelentes profissionais que se saíram mal nos testes das entrevistas. É fato que aquele candidato que passou em todos os testes e que foi contratado acabou se revelando um fiasco profissional tendo que ser demitido em poucos meses. E aqueles que foram reprovados nos testes e não foram contratados fizeram carreiras brilhantes em outras companhias.

Portanto, as entrevistas com perguntas básicas e tradicionais e na sequência perguntas pertinentes à experiência profissional ainda é o melhor método na seleção de pessoas. Simular uma situação artificial de tensão no candidato, sobretudo para aferir a sua inteligência não é recomendável por falta de conexão com uma situação real. Para concluir com uma frase do próprio Poundstone, “medir inteligência é como tentar fixar gelatina na parede”.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Cidades do estado de São Paulo estão sob severa ditadura: a sanha dos burocratas prossegue


Centro nervoso de Campinas em fase de lockdwon

Algumas cidades do estado de São Paulo continuam sob a chibata de burocratas mandriões, sustentados com o dinheiro suado de nossos impostos. Enquanto na maioria dos países do mundo não se fala mais em isolamento, quarentena, lockdwon, uso de máscaras e demais baboseiras outras, por aqui os tiranetes, moleques socialistas de plantão, gostaram de impor à população uma condição de cárcere privado infinito, impedindo a abertura do comércio e babando de alegria das demissões em massa. Sempre é bom lembrar, que sem a ajuda da implensa parceilaaaa da China (alô Groborixoo e Bandeilantes!) isso seria impossível de se conseguir.

Entre essas cidades citadas, Campinas é um caso a ser considerado. Reduto de petistas empedernidos (do coro solta lula!), socialistas dos mais diversos vieses e, sobretudo, reduto de cabide de emprego de servidores públicos que endossam essa patifaria orquestrada pelo prefeito, a cidade pelo o que parece está condenada a um lockdown permanente. O que mais intriga é que não há reação por parte dos empresários (existem alguns privilegiados amigos do rei como uma certa magazine tal e uma empresa de cosméticos e perfumes que todos sabem de quem se trata, esses estão tranquilos), que se borram nas calças de medo dos delatores que os espreitam.

Fase vermelha, fase laranja, fase amarela. Mas que patifaria é essa? Isso não tem fundamento algum em parte alguma. Trata-se de mais um engodo, uma armadilha de burocratas sádicos que vêm testando uma brutal engenharia social numa população incauta que tem pavor de ler, de buscar fontes alternativas de informações precisas, corretas e acima de tudo, éticas. Os apresentadores dos jornais regionais debocham do povo diuturnamente tocando o terror com as mais sádicas mentiras sobre o vírus chinês. Sempre trazendo uma entrevista com um “ilustre” convidado engajadologista da Unicamp que mal sabe articular o português, mas sabe muito bem impor o terror, com bazófia, desfaçatez e mendacidade.

A muleta da vez são os leitos superlotados dos hospitais. Ora, desde quando os leitos dos hospitais públicos de Campinas deixaram de estar lotados? Desde que o PT assumiu a prefeitura e isso foi em 1988, o serviço público de saúde da cidade que já era lastimável se tornou um flagelo absoluto na roda das cadeiras vermelhas da prefeitura que há 30 anos gira num círculo vicioso entre PT, PSDB e PSB. O que se pode esperar disso? Isso explica a decadência de uma cidade que já foi polo de expansão das culturas do café e da cana de açúcar e que num passado não tão remoto, uma das cidades com melhor qualidade de vida dos pais. Hoje, essa fama diluiu-se em lenda urbana.

Campinas já poderia estar livre desse prefeito caudilhete que é filiado ao PSB, só poderia ser, como não?. O Tribunal de Justiça de São Paulo em 2019 já o considerou inapto (ele recorreu da sentença) para exercer o cargo de prefeito com a perda do mandato por “ultrapassar os limites entre o público e o privado...”, justamente pelo excesso da contratação de comissionados (leia-se cabide de empregos), que é justamente o que ele está fazendo agora com uma corja de seguidores militontos sociopatas que apoiam suas determinações totalitárias.

É muito fácil para gente dessa estirpe continuar em casa, pois seus salários e empregos estão garantidos, enquanto o setor privado já está para lá de quebrado. Uma infinidade de lojas passando o ponto, o setor de bares e restaurantes tradicionais há anos na cidade fechando suas portas para sempre e centenas de milhares de trabalhadores perdendo seus empregos para o sádico prazer desses canalhas.

É preciso reagir urgentemente diante das determinações totalitárias e inconstitucionais desses ditadores mandriões que não largam o osso. O artigo 5º da Constituição Federal é bem claro sobre o princípio genérico da legalidade segundo o qual, “ninguém será obrigado a fazer ou deixar alguma coisa senão em virtude da lei”. Decreto não é lei, não se obriga e nem desobriga alguém por decreto.

A situação exige denúncia por abuso de autoridade e por decretos inconstitucionais, a situação exige desobediência civil imediatamente. Se a cidade tiver que esperar pelo esvaziamento dos leitos hospitalares, o que nunca vai ocorrer, para o fim do isolamento compulsório, estaremos condenados ao lockdown infinito (leia-se quebrar a economia) que é justamente o que esses pilantras querem. Reação já! Desobediência civil já, de cara limpa e sem essas imundas focinheiras.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

O que você faria se testemunhasse seu colega de trabalho furtando produtos?

Essa é uma pergunta que muitos recrutadores fazem na entrevista de seleção. Eu mesmo já a fiz para alguns candidatos. Não há muita variação nas respostas, algumas poucas até são bem intrigantes e criativas. Mas existe um padrão de resposta entre elas, uma que mais se repete. É aquela que o candidato diz que falaria com o colega e tentaria convencê-lo a devolver o produto. Será mesmo que ele faria isso ou conseguiria obter do colega uma atitude positiva? Vejamos:

Um estudo elaborado pela Associação Brasileira de Segurança Orgânica-ABSO,  apontou que 5% dos empregados furtariam o lugar no qual trabalham se enxergassem uma oportunidade. De acordo com a pesquisa, o setor de farmácias/drogarias é o que mais revela prejuízo causado pelo furto de funcionários.

Muitas vezes, o que constatei na prática, é que o furto pode ser consequência de raiva ou vingança motivadas por situações ocorridas no próprio ambiente de trabalho. Por exemplo, uma discussão ou uma advertência equivocada poderá gerar um ato inconsequente do empregado que pode culminar em depredação de material ou mesmo em furto. Nem sempre houve a intenção real de furtar.

Conforme dados apurados, a ABSO listou alguns dos principais motivos que fazem o funcionário furtar:

- Por ser ganancioso e querer ter mais dinheiro do que o salário que recebe.
 
- Casos extremos de necessidade.
 
- Facilidade em cometer furtos sem ser descoberto.
 
- Quando percebe que outros funcionários também furtam e não são pegos.
 
- Por uma falta de política clara da empresa sobre o que é ou não permitido.
 
- Quando o funcionário vê que o dono da empresa age de forma ilícita e resolve seguir seu exemplo.
 
- Falta de comprometimento com a organização.
 
- Por considerar que o salário que recebe é injusto e muito abaixo do que deveria.

Também segundo a pesquisa, os produtos mais visados nas empresas das mais diversas atividades são os seguintes:

Celular, games, cds, pilhas, goma de mascar, lâmina de barbear, desodorante, analgésico, camisa de futebol, meias, tênis. Podemos acrescentar também a apresentação de notas fiscais frias para o reembolso de gastos, uma situação comum que ocorre com empregados que viajam constantemente ou executam serviços externos.

Ocorre que no momento da entrevista, situação na qual o candidato está tenso, ele poderá dar uma resposta que não necessariamente corresponderia numa situação real e futura. O candidato sempre procura agradar o entrevistador respondendo o que ele acha que o entrevistador quer ouvir.  Voltemos então à pergunta: o que você faria se testemunhasse seu colega de trabalho furtando produtos?

Bem, naturalmente que nessa questão não existe uma resposta certa ou errada, porém ela deverá estar alinhada ao cargo pretendido. Ela terá desdobramentos inimagináveis e que inevitavelmente revelará o caráter, a atitude e a inteligência do candidato. Portanto, a resposta que o entrevistador quer ouvir sempre diz respeito à conduta ética do profissional somada à política cultural da empresa.

E então? O que você responderia? Que atitude você tomaria?

No trabalho do Freelancer não pode haver relação de subordinação

Existem muitas dúvidas razoáveis de Freelancers que atuam no mercado de trabalho. Tais dúvidas se traduzem principalmente em reclamações pel...