segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

*Justiça Social, um credo dogmático que recusa a razão e as evidências científicas




“Há uma questão que começa nas nossas universidades e chega até a Justiça Social. O aspecto mais imediato do problema é que o estudo acadêmico sobre Justiça Social é transmitido aos alunos, que depois vão para o mundo. Esse efeito é mais intenso nas áreas associadas à Justiça Social, que ensinam os alunos a serem céticos em relação à ciência, razão e evidências; a considerarem o conhecimento como vinculado à identidade; a captarem a dinâmica do poder opressor em cada interação; a politizarem cada faceta da vida; e a aplicarem os princípios éticos de forma desigual, de acordo com a identidade. Porém, a Justiça Social também se materializa como uma cultura predominante no campus, que aceita muitas dessas ideias como contextos óbvios. Nos Estados Unidos, atualmente, a maioria das universidades possui pré-requisitos de “diversidade”: essas ideias são ensinadas a todos, como parte do currículo geral. É comum subestimar esse problema. Costumamos deparar com a suposição de que, uma vez formados, os alunos terão que aprender habilidades para se colocar no mercado de trabalho e que isso resolverá a questão assim que ingressarem no “mundo real”, eles terão que deixar para trás essas posições ideológicas a fim de encontrar emprego. Mas e se eles simplesmente levarem as suas crenças para o mundo profissional e recriarem esse mundo para se ajustar a eles?

Infelizmente, é exatamente isso que vem acontecendo. O mundo real está mudando para absorver as habilidades desses alunos, e uma indústria de Justiça Social, que já vale bilhões de dólares, está se formando, toda dedicada a treinar empresas e instituições a promulgar e policiar A Verdade Segundo a Justiça Social. Um novo cargo intitulado (com uma ou outra variação) “Diretor de Diversidade, Equidade e inclusão” foi criado para mudar a cultura organizacional de acordo com a ideologia da Justiça Social [...]

No entanto, os diretores de diversidade. Equidade inclusão não se limitam à academia; eles também afloram nos departamentos administrativos e de recursos humanos, inclusive nas prefeituras. De acordo com um importante site de classificados de emprego no Reino Unido, empregos para cargos relacionados à igualdade e diversidade são especialmente comuns na Equality and Human Rights Commission, em associações profissionais, na Law Society, em escolas e universidades, na polícia, em grandes empresas do setor privado, nos sindicatos. Tornaram-se regra, e não a exceção. Portanto, esses diretores e executivos exercem um poder institucional, social e cultural significativo [...]

Talvez não seja surpreendente que as grandes corporações tenham cedido tão facilmente à pressão da Justiça Social. Afinal, o objetivo prioritário delas é ganhar dinheiro, e não defender valores liberais. Como a maioria dos consumidores e eleitores dos países ocidentais apoia a ideia de gral de justiça social, e como a maioria das pessoas não consegue entender a diferença entre justiça social e Justiça Social, as grandes corporações por vezes optam por ceder às demandas dos ativistas pela Justiça Social, pelo menos em questões menores que não afetam muito os resultados financeiros, por achar que esse é um modo astuto de manter um relacionamento favorável com o seu público.[...]

Portanto, não é exagero observar que os Teóricos da Justiça Social criaram uma nova religião, uma tradição de fé que é ativamente hostil à razão, à refutação, ao desmentido e à discordância de qualquer tipo. Na verdade, todo projeto pós-moderno agora parece, em retrospecto, uma tentativa inconsciente de desconstrução de velhas metanarrativas do pensamento ocidental – ciência, razão, juntamente com religião e sistemas econômicos capitalistas – para abrir espaço para uma religião totalmente nova, uma fé pós-moderna baseada em um Deus morto, que vê misteriosas forças mundanas em sistemas de poder e privilégio e que santifica a vitimização. Cada vez mais, essa é a religião fundamentalista da esquerda teoricamente secular [...]

A Teoria não permaneceu confinada à academia. Primeiro, aplicado, depois reificado, o pós-modernismo sob a forma de Justiça Social deixou as universidades, difundiu-se - com zelo evangélico – por meio de diplomados e através das redes sociais e do jornalismo ativista [...]”

As abordagens da Justiça Social que se concentram exclusivamente na identidade grupal e ignoram a individualidade e a universalidade estão condenadas ao fracasso pela simples razão de que as pessoas são indivíduos e compartilham uma natureza humana comum. A política identitária não é um caminho para o empoderamento.”

Meus comentários: os autores distinguem os termos justiça social (com letras minúsculas) e Justiça Social (com letras maiúsculas). O primeiro os autores descrevem os significados mais amplos e genéricos do termo; e o segundo, trata-se de um credo identitário dogmático criado por acadêmicos teóricos pós-modernistas para fins de violento ativismo político que não admite evidências racionais, lógicas e científicas.  Já está em elaboração uma resenha desse livro neste blog.

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*Excertos extraídos do livro, " Teorias Cínicas", de Helen Pluckrose e James Lindsay, editora Faro Editorial,  1ª edição, São Paulo/2021

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Mulheres ganham menos do que os homens: debate inútil que não leva a lugar algum



Quando vejo em algum noticiário de tv jornalistas e “ixpecialixtas” pomposos reunidos em volta de uma mesa chique de vidro cuja pauta seja “mulheres ganham menos do que os homens”, já me preparo para o festival de abóboras e sandices de causar engulhos em quem está assistindo.  Pessoas completamente alheias à legislação trabalhista e que sequer pisaram algum dia num setor de Recursos Humanos dando pitacos e deitando falação sobre o que não entendem com ares de sabichões. A afirmação de que as mulheres ganham menos do que os homens não se sustenta nem mesmo na própria frase.  É o que vamos ver agora.

A frase que afirma “mulheres ganham menos do que os homens” é uma frase que devido ao vício retórico de linguagem já se anula logo de início. Simplesmente porque ao se referir às “mulheres” a frase já colocou todas (todas!) as mulheres no mesmo barco como se todas realmente ganhassem menos do que todos (todos!) os homens em suas funções. É óbvio que isso é um absurdo e não corresponde à verdade de maneira alguma e portanto a frase "mulheres ganham menos do que os homens" trata-se de uma falsa premissa.

Considere então um grupo de 100 mulheres e constataremos que nesse grupo existem mulheres que ganham mais do que outras mulheres; pegue um grupo de 100 homens e constataremos que existem homens que ganham mais que outros homens. Misture agora os dois grupos e teremos mulheres que ganham mais que outros homens e do que outras mulheres, da mesma maneira que teremos homens que ganham mais do que outros homens e do que outras mulheres. Isso é no mínimo tão óbvio, tão lógico que qualquer afirmação além disso não passa de manifestação mendaz de parvos palpiteiros de plantão.

Darei agora dois exemplos de situações reais:

Exemplo nº 1:

Temos dois supervisores de RH, um homem e uma mulher, um tem salário de R$ 7.500,00 reais, outro recebe um salário de R$ 3.450,00. Ambos na faixa etária dos 30 anos e com praticamente o mesmo tempo de serviço e experiência, só que em empresas diferentes. Qual deles é a mulher? Sim, a mulher é quem recebe R$ 7.500,00, enquanto o homem, R$ 3.450,00, menos da metade dela. Por que isso? Porque ela trabalha para uma empresa multinacional com aproximadamente 600 funcionários enquanto o homem é supervisor de RH de uma rede de supermercados com aproximadamente 150 funcionários.

Portanto, neste caso, temos que inexoravelmente considerar a atividade econômica da empresa, bem como, o quadro de funcionários. Esses são dois dos principais elementos que também definem o valor do salário de um profissional e não o sexo do empregado. Não poderia ser o inverso? Ela trabalhar no supermercado e ele na multinacional? E neste caso ela estaria ganhando menos não porque é mulher mas em razão da atividade econômica da empesa para a qual presta serviços.

Exemplo nº 2:

Um gerente financeiro saiu da empresa em que trabalhava para abrir a sua própria consultoria. O seu salário na empresa girava em torno de R$ 9.500,00 reais. Em seu lugar foi contratada uma moça com larga experiência na função e com formação em Economia. Ela foi contratada por um salário de R$ 3.500,00 reais por mês. Alguns dirão: bingo, aí está, viu só? Eis um caso que entraria nas estatísticas rasteiras. Só porque é uma mulher entrou ganhando menos da metade do que o gerente que se demitiu, certo? Errado! Fosse o contratado um homem iria receber de salário os mesmos R$ 3.500,00 reais. Acontece que o antigo gerente trabalhava há mais de seis anos na empresa, beneficiou-se de cinco aumentos na data base do acordo coletivo e um aumento por mérito. Quando um funcionário é contratado seja homem ou mulher para substituir outro, o seu salário nunca será o mesmo do que aquele que foi substituído, ele vai receber um salário inicial bem menor.

Alguns analistas até aceitam equivocadamente a premissa de que as mulheres ganham realmente menos do que os homens e tentam justificar com algumas alegações que não se sustentam, entre as quais; que as mulheres optam por profissões mais intelectuais em escritórios, profissões essas que, segundo eles, pagam menos em relação às opções de trabalhos mais arriscados e perigosos escolhidos pelos homens. Ora, nem todo homem escolhe profissões de risco ou de perigo, além de que, essas profissões ditas de risco ou braçais não oferecem salários maiores do que profissões burocráticas em escritórios, muitas vezes pagam bem menos. Vide a faixa salarial de quem trabalha em serviços arriscados e perigosos na construção civil, a faixa salarial não é nada atrativa.

Estatísticas sobre esse tema enxergam a questão bem de longe e pelo lado de fora, da mesma maneira que um torcedor fanático num estádio de futebol quer ensinar o que o técnico e os jogadores em campo devam fazer e fica berrando sandices da arquibancada. Os elaboradores dessas estatísticas desconhecem ou ignoram de propósito como ocorre a composição salarial de um profissional. Então (de novo) vamos desenhar:

- Toda categoria profissional tem um piso salarial que vale para ambos os sexos. O funcionário que é contratado para ganhar o piso da categoria não vai ganhar mais nem menos do que o piso estabelecido no acordo coletivo, seja ele homem ou mulher.

- Quando uma vaga é aberta numa empresa, o valor do salário a ser pago já está definido independente se o candidato escolhido será um homem ou uma mulher. Não existe essa história de que se for homem o salário será “x” e ser for mulher o salário será “y”, o setor de RH já dispõe do valor de mercado daquele profissional. Eu nunca obtive orientação de empregador ou cliente para baixar o valor do salário caso o candidato recrutado fosse uma mulher.

- Não é o sexo do profissional que define o seu valor no mercado de trabalho e sim um conjunto de características exclusivas e variáveis, a saber: experiência na função, habilidades, desenvoltura, nível cultural, linguagem e expressão, cursos de aperfeiçoamento, formação escolar e a demanda por esse profissional no mercado de trabalho. São esses os principais elementos que definem o seu salário, e principalmente o porte e a atividade econômica da empresa na qual vai trabalhar.

- O porte e a atividade econômica da empresa têm um peso decisivo no valor do salário a ser pago. Um contador de uma imobiliária não vai ganhar o mesmo salário do que um contador de uma indústria química ou farmacêutica seja o profissional homem ou mulher. Se a imobiliária tiver uma mulher como contadora ela vai ganhar bem menos do que o contador que trabalha na indústria química ou vice-versa.

- Se realmente mulheres aceitassem trabalhar por um salário menor, os empregadores só contratariam mulheres para obterem mais lucro em relação aos seus concorrentes e assim sendo, aumentando a demanda pela mão de obra feminina automaticamente ocorreria a elevação do salário das mulheres o que faria com que os homens baixassem suas pretensões salariais efeito da resposta do próprio mercado de trabalho que equilibra o valor salarial de ambos os sexos através da oferta e demanda. Isso foi brilhantemente exposto pelo economista libertário Walter Block, da Escola Austríaca de Economia em seu magnífico livro "Defendendo o Indefensável".

As estatísticas que afirmam que mulheres ganham menos do que os homens partem de uma falsa premissa e criam um problema artificial com puro viés ideológico para fomentar a discórdia e claro, reivindicar políticas públicas. Consideram erroneamente que o valor do salário é definido pelo sexo da pessoa e não pelas habilidades, experiência, tempo de serviço, formação e especialização, faixa etária, atividade econômica e porte da empresa como expliquei e precisei desenhar neste artigo.

Sim, é sempre importante repetir, existem mulheres que ganham menos do que  homens da mesma maneira que existem homens (e que não são poucos) que ganham muito menos que muitas mulheres e por fim, homens que ganham mais que outros homens e mulheres que ganham mais que outras mulheres como desenhado neste artigo. Portanto, o debate sobre essa questão é algo absolutamente inútil como sandices berradas por torcedor imbecil nas arquibancadas, é puro ativismo e militância política das mais chinfrins.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Lei nº 13429/2017-Terceirização de Serviços penaliza contratante antecipadamente





Imagine você, caro leitor, que está de carona com um amigo em um veículo e por distração e inadvertidamente seu amigo que dirige colide na traseira de outro veículo. Você gostaria ou se sentiria confortável em levar a culpa e pagar o prejuízo pelo ato displicente de seu amigo, ainda que solidariamente? Eu creio que não. Pois é justamente assim que funciona a Lei nº 13.429/2017 que dispõe sobre a terceirização de serviços. Vejamos:


O Artigo 5º A em seu parágrafo 5º da lei em comento traz a seguinte redação:


“A empresa contratante é subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas referentes ao período em que ocorrer a prestação de serviços, e o recolhimento das contribuições previdenciárias”...


Como assim? Por que jogar nas costas da contratante essa responsabilidade? Vamos lá:


- Quando a contratante firma o contrato de prestação de serviços com a contratada é óbvio que esta já incluiu os valores dos encargos trabalhistas e, portanto, tais encargos já estão pagos quando a contratante faz a quitação mensal do pagamento dos serviços.


- Há que se perceber que o citado artigo coloca violentamente a contratante como uma espécie de fiadora ou garantidora do pagamento dos encargos, caso a contratada não os faça, sem ao menos ser consultada sobre o assunto, ou seja, se aceitaria ou não se prestar a garantidora do contrato.


- Naturalmente que o artigo 5º em comento é praticamente um salvo conduto para que a empresa contratada não arque com as despesas de encargos trabalhistas de seus empregados, haja vista, que essa responsabilidade o artigo 5º penalizou antecipadamente a empresa contratante.


- Caso essa situação venha a ocorrer na prática (e tem ocorrido sim algumas vezes), a contratante terá triplo prejuízo: primeiro, ela já pagou os encargos inclusos no preço da prestação de serviços; segundo, ela terá que recolher esses encargos que a contratada deixou de recolher e terceiro, terá que gastar com despesas jurídicas para tentar (tentar!) ser ressarcida pela contratante, sabe Deus quando e se realmente a ação judicial terá chances de sucesso.


É bom deixar claro que nesse caso, a contratante faz jus ao benefício da ordem e somente poderá ser cobrada da dívida trabalhista após a busca frustrada do patrimônio da empresa contratada prestadora de serviços. A possibilidade de pedir excussão do processo também não é descartada, afinal a lei impôs à contratante a condição de fiadora, porém obviamente será negada uma vez que se trata de ação trabalhista.


Não quero dizer absolutamente com isso que todas as empresas que prestam serviços na condição de contratadas agem dessa forma deixando de recolher os encargos trabalhistas e jogam a batata quente no colo das empresas contratantes. No entanto, a insegurança jurídica na área trabalhista (leia-se justiça do trabalho) é uma nuvem escura cheia de surpresas desagradáveis que sempre paira sobre a cabeça dos empregadores. A tempestade é infinita.


Diversas leis no Brasil apontam seus dedos atribuindo culpa a quem não tem. Só para citar dois exemplos, o código de defesa do consumidor em seus artigos 12 e 14 diz que o fabricante de produtos ou fornecedor de serviços respondem independente de culpa pelos danos causados aos consumidores; a lei do meio ambiente também vai nesse diapasão penalizando o poluidor independente de ter culpa ou não.


Traduzindo independente de culpa: dinheiro para os cofres públicos, como não?  Portanto, somos todos culpados, independente de termos culpa ou não, porque assim diz e assim quer o estado, ora, está escrito na lei positivada, ainda que tal lei desafie a lógica, a ética e o bom senso. O martelo chega a tremer! Bang!


segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

*Poder Educacional da Literatura



 “O que é literatura? Nem todo livro escrito pode ser chamado de literatura. Um livro de aritmética ou geometria, um trabalho que trata tecnicamente das ciências não deve ser considerado literatura. O jornal, por mais variado que seja em termos de conteúdo, não pode ser definido como literatura. O que, então, constitui literatura? Duas coisas: primeiro, o assunto tratado deve apelar para nossa natureza humana comum; segundo, o assunto deve ser tratado de tal maneira que sua leitura proporcione prazer.


Um complementa o outro. Um texto sobre a natureza humana ou que seja atraente aos nossos sentimentos por si só, sem estilo, sem forma especial de expressão correspondente ao assunto, correspondente à personalidade que dele trata ,não constitui literatura. Do mesmo modo, o mero estilo, por mais polido, sem algo atraente para  a nossa natureza humana, excluiria um livro assim escrito da categoria de literatura. Quando lemos uma peça de Shakespeare, vemos nela pensamentos profundos, num estilo maravilhoso. Descobrimos que esse grande autor “pôs um espelho diante da natureza”, e toda aspiração de nossa alma, toda batida de nosso coração, podemos encontrar nas maravilhosas páginas desse grande poeta.


De Quincey traça uma bela distinção entre o que ela chama de literatura do conhecimento e literatura do poder, uma ótima distinção que serve ao nosso propósito. Alguns livros são puramente técnicos e, ainda assim, agradam o intelecto e influenciam sua época. Podemos chamar esses livros de literatura do conhecimento. Na teologia, um exemplo dessa categoria de literatura é o livro Analogy, de Burler. Na filosofia, emos Ensaio sobre o entendimento humano, de Locke. No âmbito da economia política, podemos citar A riqueza das nações, de Adam Smith. A literatura do poder é diferente. Lida mais com as emoções e paixões da natureza humana; dirigi-se à cabeça e ao coração; interpreta para nós nossas aspirações e pensamentos mais profundos e sutis. Pode levar-nos às lágrimas por seu páthos, pode inspirar alegria e risos por sua inteligência ou humor, mas invariavelmente mexe como nossas emoções de uma forma ou de outra.


Mais uma vez, a literatura do poder, ao revelar-nos certas relações secretas entre nós e o mundo material, coloca-nos em um espírito de maior harmonia e contentamento com tudo que é grandioso, nobre e belo nas colinas, nos vales e no céu estrelado, no rio que corre ou no oceano agitado que é seu destino, e nossa apreciação e despertada para a percepção da beleza de tudo o que existe para ver e ouvir neste lindo mundo nosso. Mais uma vez, a literatura do poder chega ao cantos mais recônditos de nossas almas e desperta em nós a vida espiritual, além de revelar-nos nossas falhas, nossas fraquezas, mostrando-nos a nobreza e a beleza da virtude, para que possamos admirá-la e incorporá-la, e a deformidade do vício, para que possamos odiá-lo.


A partir disso, podemos perceber o grande elemento educacional da literatura e o alcance de sua influência. De fato, a literatura serviu parea educar as nações mais cultas. A Grécia moldou-se com base na literatura de Homero, Ésquilo e Sófocles. Num sentido especial, trata-se de uma nação literária. Mais uma vez, a literatura da Grécia refinou Roma, e os fragmentos remanescentes das literaturas grega e romana foram as influências educacionais do processo de civilização dos bárbaros e propagação de toda cultura medieval e moderna. Os maiores intelectos inspiraram-se na literatura da Grécia e de Roma e, mais tarde, nas literaturas cristãs das nações cristãs. Na história da civilização, a literatura foi o elemento singular que elevou os povos da barbárie à cultura e ao refinamento. [...]


Um único livro, às vezes, uma única passagem de um livro, é suficiente para moldar um caráter. Cuidem, portanto, de  que o livro que os senhores forem ler seja útil para fortalecer seu caráter e suas resoluções, sendo,  ao mesmo tempo, uma fonte de cultura e refinamento. A literatura estudada dessa maneira, o livro assim lido, cumprirá sua função essencial de influência educacional.”

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*Excerto extraído do capítulo, "Literatura: sua natureza e influência", do livro História e Essência da Educação Ocidental, de Patrick Francis Mullany, editora Kirion, 1ª edição, SP/2021

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Salário do trabalhador deveria ser o dobro do que recebe. Saiba porque



A maioria dos trabalhadores com vínculo empregatício não está satisfeita com o salário que recebe, todos acreditam que recebem menos do que deveriam desproporcionalmente em razão de seus desempenhos. E estão certos, certíssimos! Quem arriscou em dizer que a causa disso é a baixa qualificação profissional ou exploração por parte do empregador, errou feio, pois a resposta correta é: direitos trabalhistas!  A razão dos baixos salários se traduz em direitos trabalhistas, os verdadeiros vilões redutores de salários.


Formação escolar, habilidades, qualificação, nível cultural são apenas fatores periféricos que obviamente impactam no momento do empregador definir o salário do profissional.  Entretanto, o fator que realmente tem um peso determinante para a composição salarial são os terríveis e ditos “direitos trabalhistas”.  As aspas significam duas coisas a saber:


1-Esses direitos são mais artificias do que sabores de gelatina em pó de caixinha, e essa questão já tratei em diversos artigos em meu blog.


2-Quem paga esses “direitos” é o próprio trabalhador sem ao menos se dar conta disso. E quando o trabalhador toma consciência disso, parte imediatamente para o dito trabalho informal que lhe renderá muito mais liquidez.


Tomemos como exemplo o salário médio atual de um assistente contábil que está em torno de R$ 1.970,00 (hum mil novecentos e setenta reais) por mês. Na verdade esse salário poderia ser em torno de R$ 3.800,00 (três mil e oitocentos reais) ou até mais. E por que não é?  Fácil resposta, quando o salário de um cargo é definido, o empregador já considerou todas as obrigações de tributos, taxas e impostos que incidirão sobre o salário do trabalhador. Vamos ver isso:


Considere o recolhimento mensal de previdência social, depósito mensal de FGTS, o recolhimento previdenciário sobre as férias e o 13º salário, o terço das férias, a provisão da multa de 40% em caso de demissão imotivada, e finalmente o subsídio do vale transporte. O percentual disso tudo gira em torno de 103%! Há um espetacular artigo publicado em meu blog, “Qual o custo do trabalho no Brasil?”, escrito pela juíza (aposentada) do trabalho, Silvia Mariózi em Outubro de 2019 e que abordou essa questão com brilhantismo e lucidez. Isso significa que o salário de R$ 1970,00 reais de um assistente contábil custará para o empregador praticamente R$ 4.000,00 reais, ou seja, um pouco mais que o dobro do valor original do salário.


Todo esse montante de obrigações que vai para os cofres estatais para sustentar comensais lagosteiros poderia ir diretamente para as mãos do trabalhador. Portanto, aquele trabalhador incauto que ainda acredita em “direitos trabalhistas”, iludido com o mito da carteira assinada, ao aderir a eles, algum burocrata dirá: “bem vindo ao clube varguista”, cuja mensalidade o associado bancará os “direitos trabalhistas” de seu próprio bolso e ainda achando que fez um bom negócio. Mal sabe ele que o seu baixo salário é em razão dessa péssima adesão e que sem a qual ele poderia estar ganhando o dobro do que recebe. E o clube varguista segue firme e impávido. Que venham as lagostas e os chocolates suiços.




segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Aprendendo liderança e motivação com Duke Ellington




O Jazz é um gênero musical que nos traz infinitas e inestimáveis lições de liderança, motivação e principalmente insights de improvisação, sobretudo, nas circunstâncias que exigem tomadas de decisão diante de desafios.  E quem vai nos passar uma importante lição sobre motivação hoje é um dos maiores músicos de Jazz da história, Edward Kennedy “Duke” Ellington (1899-1974), bandleader, maestro, compositor, arranjador e que atuou proficuamente em sua banda até o seu falecimento em 1974.


Na banda de Duke Ellington, passaram músicos que também se sagraram como gênios absolutos em seus estilos característicos, bem como, no domínio total em seus instrumentos, entre eles, Johnny Hodges, Ben Webster, Jimmy Blanton, Paul Gonçalves, Charles Mingus, John Coltrane entre tantos outros. Duke, ele próprio um exímio pianista, tinha a preocupação de adaptar as suas composições e arranjos de acordo com o talento de cada músico de sua banda para que todos se destacassem extraindo de cada um deles o melhor que eles poderiam dar. E aqui já temos uma importante lição a ser seguida: detectar o talento de cada membro de sua equipe e extrair o melhor de cada um deles sem ficar tripudiando sobre seus erros.


Duke era um gentleman, elegante, dono de um suave humor e sabia lidar muito bem com os seus músicos. Sendo músicos que tocavam nas noites, alguns tinham problemas com alcoolismo, outros eram indisciplinados, mesmo assim, Ellington soube lidar muito bem com os egos inflados de cada um desses excelentes músicos. Jamais demitiu um músico sequer de sua banda, os que o deixaram, era para seguir carreira solo e muito gratos ao mestre pelo incomensurável aprendizado.


Existem centenas de exemplos a serem dados de situações pelas quais o mestre Duke passou com seus músicos dando verdadeiras lições de liderança e motivação. Chega até ser difícil escolher uma, mas aqui vai uma situação espetacular que ocorreu entre Duke e um de seus músicos, no caso o fenomenal trompetista Clark Terry.


Certa vez, antes de um ensaio, Duke chamou o trompetista Clark Terry e disse a ele o seguinte: “Hoje quero que você toque igual ao trompetista Buddy Bolden”. Clark ficou surpreso, pois jamais havia ouvido falar nesse músico chamado Buddy Bolden, então ele respondeu a Duke: “Mas, maestro, quem é esse tal de Buddy Bolden que eu nunca ouvi antes?”. Duke então lhe respondeu: “Mas como você nunca ouviu falar de Buddy? Ele é o melhor trompetista do momento, fantástico, disputado a tapas pelas mais importantes bandas de jazz, o som de seu trompete é único, autêntico, quem o escuta já sabe que se trata de Buddy Bolden. Buddy tem o som mais volumoso de trompete da cidade, usa notas dobradas ao extremo, tem a fama de quando afina o instrumento em New Orleans, os copos se quebram em Argel”. Clark, já atônito pediu a Duke que providenciasse então alguns discos de Buddy para que ele pudesse ouvir o estilo desse músico. Foi então que Duke, com seu sorriso habitual, disse para Clark: “Relaxa, Clark, para falar a verdade, você é o Buddy Bolden!”.


Que show de motivação! O nome dessa tática em comportamento organizacional é competência provocativa em ação. Ellington estava falando o tempo todo sobre o próprio Clark, ainda que este não houvesse percebido. Foi uma poderosa injeção de estimulo e inspiração para que Clark desse tudo de si e todo o seu potencial criativo naquele ensaio e ir além do que ele estava habituado.


Assim então atua um verdadeiro líder, como atuou Ellington nessa ocasião entre muitas outras. Liderança não se resume em autoridade do tipo só eu mando e você apenas obedece. Um bom líder sabe provocar com maestria, ele tem o dom de enxergar nas pessoas o seu melhor desempenho ainda que ele esteja abaixo do esperado, e mais, ele enxerga as qualidades positivas delas muitas vezes muito mais do que elas próprias. Duke tinha esse dom e além de dar show com as suas composições e arranjos, o mestre também deu show em suas lições de liderança e motivação, lições essas tais como o seu legado musical, serão sempre perenes. Take a Train!

No trabalho do Freelancer não pode haver relação de subordinação

Existem muitas dúvidas razoáveis de Freelancers que atuam no mercado de trabalho. Tais dúvidas se traduzem principalmente em reclamações pel...