segunda-feira, 17 de março de 2025

Entrevista de emprego: algumas considerações sobre perguntas e respostas





Nas entrevistas de emprego o entrevistador naturalmente concentra o seu foco no candidato como um todo. Isso quer dizer, na fala, no gestual, na empatia transmitida, na indumentária, etc. Ocorre que a maioria dos candidatos preocupados em obter a aprovação do entrevistador tem o foco disperso e isso é um grande problema para o candidato embora ele não perceba. Vamos virar essa chave com algumas sugestões para melhorar a postura do candidato diante do entrevistador.

Pacote de benefícios (não faça essa pergunta!)

É bem comum no final da entrevista o candidato perguntar ao entrevistador sobre o pacote de benefícios oferecido pela empresa. Essa pergunta não deve ser feita, ela é extremamente deselegante. É a mesma coisa de ser convidado para um jantar e já na entrada perguntar pela sobremesa. Ora, o candidato se apresenta para a vaga de um emprego e não para receber um pacote de benefícios. Obviamente que o entrevistador vai expor ao candidato questões sobre benefícios que envolvem convênios, vale alimentação, etc. O que importa é a vaga, o pacote de benefícios é consequência.

A polêmica questão sobre perfeccionismo

A maioria dos profissionais de RH recomenda que o candidato jamais diga ao entrevistador que ele possui a característica de ser perfeccionista. Tenho opinião diferente e não podemos generalizar essa questão. Isto porque muitos empregadores valorizam funcionários perfeccionistas levando em conta o tipo de atividade econômica da empresa, por exemplo: empresas cujas atividades estão relacionados com trabalho que exige precisão e por conseguinte, perfeição, tais como, empresas de engenharia e arquitetura, clínicas dos mais diversos ramos da saúde (inclusive estética) e muitos outros. Ser perfeccionista é desejável em algumas situações e isso não quer dizer absolutamente que o perfeccionista vai exigir que todos a sua volta também o sejam. E é recomendável o candidato esclarecer esse importante detalhe durante a entrevista. Que fique bem claro que o candidato deve pesquisar antes da entrevista o tipo de atividade econômica da empresa, pois pode ser que a característica de perfeccionista seja desejável embora o candidato não saiba disso.

Resiliência (não fale essa palavra na entrevista)

Resiliência é uma palavra que já há algum tempo faz parte das relações de trabalho. Grosso modo, resiliência significa aguentar porrada e se manter de pé sem perder a linha ou a compostura, ter casca grossa para suportar adversidades. Trata-se de um traço praticamente obrigatório para quem exerce cargos de chefia, gerência ou supervisão. Entretanto, resiliência nem todos a possuem, é uma característica muito pessoal e que vale ouro, revelar isso na entrevista é como entregar a senha do cofre a quem não deveria. As razões são óbvias, não?

Ser comunicativo

Falar pelos cotovelos não significa ser comunicativo e ser monossilábico pode significar excesso de timidez ou mesmo soberba. O candidato deve buscar o equilíbrio e estabelecer uma relação cordial e empática com o entrevistador. Jamais esquecer o nome do entrevistador (ele diz o nome logo que apresenta ao candidato), perguntar a ele “qual é mesmo o seu nome?” durante a entrevista, pode se considerar eliminado do processo de seleção.

Uma boa estratégia que o candidato deve se utilizar na entrevista é ser discreto, manter uma pequena dose de mistério e jogar a bola no colo do entrevistador. Deixar que ele descubra características peculiares e traços da personalidade do candidato, afinal um bom entrevistador de vocação é treinado para isso, ele lê nas entrelinhas. Obviamente nenhum candidato vai falar mal de si próprio, o entrevistador sabe que o marketing pessoal que o candidato expõe sobre si durante a entrevista está envolto em muita maquiagem e perfumaria. Portanto, não adianta dourar a pílula, não vai funcionar.

Por fim, uma estratégia poderosa e que dependendo do cargo funciona muito bem é a Lei nº 4 (Diga sempre menos do que o necessário) do livro "As 48 Leis do Poder", de Robert Greene que já citei em diversos artigos. De acordo com Greene, ela se resume assim:

"Quando você procura impressionar as pessoas com palavras, quanto mais você diz, mais comum aparenta ser, e menos controle da situação parece ter. Mesmo que você esteja dizendo algo banal, vai parecer original se você o tornar vago, amplo e enigmático. Pessoas poderosas impressionam e intimidam falando pouco. Quanto mais você fala, maior a probabilidade de dizer uma besteira".

E aqui cito um exemplo real em que a resposta do candidato fez a diferença:

Entrevistador: cite uma virtude sua

Candidato:  falar pouco e agir mais

Contratado!

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