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segunda-feira, 11 de novembro de 2024

As consequências políticas do desemprego*

Por Ludwig von Misses

"O desemprego como um fenômeno permanente e de considerável magnitude tornou-se o principal problema político de todos os países democráticos. Que milhões fiquem permanentemente excluídos do processo produtivo é algo que não pode ser tolerado, mesmo que seja por um curto período de tempo. O indivíduo desempregado quer trabalhar. Quer ganhar um salário porque considera que as oportunidades que um emprego lhes proporciona são maiores do que o duvidoso valor do ócio na pobreza. Fica desesperado porque não consegue encontrar trabalho. É entre os desempregados que os aventureiros e os aspirantes a ditador costumam recrutar as suas tropas de choque.

A opinião pública considera que essa situação de desemprego é uma prova do fracasso da economia de mercado. O público acredita que já ficou demonstrada a incapacidade de o capitalismo resolver os problemas de cooperação social. O desemprego é apresentado como o inevitável resultado das antinomias, das contradições da economia capitalista. O que a opinião pública não percebe é que a causa real do permanente desemprego em larga escala deve ser atribuída à política salarial defendida pelos sindicatos e ao apoio que o governo tem concedido a esse tipo de política. A voz do economista não chega a ser ouvida pelo público.

É crença geral, entre as pessoas leigas, que o progresso tecnológico tira de muitas pessoas a possibilidade de seu próprio sustento. Por essa razão as guildas (atualmente os conselhos de classe) perseguiam os inventores; por essa razão os artesãos destruíam as máquinas. Hoje em dia os que se opõem ao progresso tecnológico recebem o apoio de pessoas que são habitualmente consideradas cientistas. Em livros e artigos afirmam que o desemprego tecnológico é inevitável – pelo menos no sistema capitalista. Como um meio de combater o desemprego recomendam que a jornada de trabalho seja reduzida; como os salários devem ser mantidos sem alteração (ou diminuídos menos que proporcionalmente, ou até mesmo aumentados), isso significa na realidade que os salários estão sendo aumentados e, por conseguinte, também o desemprego. Recomendam que sejam implementados programas de obras públicas para gerar emprego. Mas se os recursos necessários são oriundos de arrecadação de impostos ou da emissão de títulos, a situação permanece a mesma. Os recursos usados nesses projetos são retirados de outros projetos, e o aumento da oportunidade de emprego num setor da economia é neutralizado pela redução noutro setor do sistema econômico.

Finalmente, acabam recorrendo à expansão de créditos e à inflação., Mas com preços aumentando e salários reais diminuindo, as reinvindicações sindicais por maiores salários ficam cada vez mais intensa. Não obstante, devemos mencionar que desvalorização da moeda e medidas inflacionárias semelhantes, conseguiram, em alguns casos, temporariamente, suavizar os efeitos da política salarial dos sindicatos e reduzir por algum tempo o crescimento do desemprego.

Comparado com a forma ineficaz com que é tratado o problema do desemprego em países habitualmente chamados democráticos, os ditadores conseguem ser muito mais bem sucedidos. O desemprego desaparece se forem adotadas formas de trabalho compulsório, como prestação de serviço militar, criação de campos de trabalho ou qualquer outra forma compulsória de prestação de serviços. Os trabalhadores nesses empregos terão que se dar por satisfeitos com salários bem menores do que os recebidos por outros trabalhadores. Gradativamente, uma redução dessa diferença irá ocorrer, seja pelo aumento dos salários dos que trabalham nessas frentes de serviço, seja pela diminuição do salário dos demais trabalhadores. O sucesso político de alguns governos totalitários se deve sobretudo aos resultados obtidos na sua luta contra o desemprego".

Comentário de Donald Stewart Jr.

No caso dos salários, é lugar comum serem estabelecidos valores mínimos, assim como encargos sociais bastante onerosos. O objetivo visado com essas interferências é fazer com que o trabalhador brasileiro ganhe mais e tenha mais vantagens adicionais mais generosas. Esse tipo de interferência faz com que o custo de mão de obra fique elevado para o nível de atividade da economia brasileira; a consequência inevitável é maior desemprego e uma fuga para a economia informal, que no Brasil já emprega mais de 50% da população economicamente ativa. Mais uma vez, como didaticamente preconiza Misses, os efeitos são o oposto do que se pretendia atingir.

Meu comentário: O piso salarial das categorias profissionais definidas pelos diversos sindicatos é um dos principais gatilhos do desemprego, além disso impacta de maneira brutal o valor nominal dos salários de profissionais da mesma profissão mas que atuam em empresas de atividades diferentes. Em breve, publicarei um artigo sobre essa questão.

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*Excerto do capítulo II do livro "Intervencionismo - Uma Análise Econômica", de Ludwig von Misses- IL, editora Expressão e Cultura, 1999, RJ


segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Remédios estóicos para o desemprego



*Por Jean-Louis Cianni


"Estóico vem do grego stoa, pórtico. O fundador da doutrina, Zenão de Cítio (por volta de 334-262 a.C), ensinava sob arcadas em Atenas. O desenvolvimento dessa grande escola de filosofia antiga é marcado por três etapas: o estoicismo antigo, o médio (dois séculos antes de Jesus Cristo) e o romano, cujos principais representantes são, Cícero, Sêneca, Epíteto e Marco Aurélio, o imperador filósofo.

Como o epicurista, o estóico busca a ataraxia (ausência de perturbação), afastando da alma tudo que atordoa, e principalmente as paixões, que são como doenças. Todavia, o estóico não encontra o bem no prazer, mas na virtude (grifo meu), entendida precisamente como ausência de paixão (apatia). Se a filosofia fosse um esporte coletivo, diríamos que os estóicos jogam na defesa, enquanto os epicuristas preferem o jogo ofensivo.” [...]

“No início o remédio estóico pareceu-me pior que o mal. Esses homens sobre cujo exemplo eu lia pareciam-me dotados de uma energia e de uma coragem sobre-humanas. Era um objetivo alto demais para mim. Como chegar a um tal grau de renúncia, de autolimitação e lucidez? Eu não passava, afinal, de um ocidental da segunda metade do século XX. Não passara por nenhuma guerra, nenhuma catástrofe natural, nenhuma recessão econômica. Vivia na Eurolândia, desfrutava de proteção social francesa. Era filho de um país e de uma época abençoados, consumindo, desejando, divertindo-me. Será que ainda era capaz de ouvir uma única nota da áspera música estóica?

Pois fui capaz, aplicando, mediante alguns ajustes indispensáveis à minha capacidade, os exercícios básicos de uma filosofia que se pretendia essencialmente uma prática espiritual. Eis aqui três deles, cuja eficácia pude avaliar diretamente.

1- Estar atento a si mesmo. Os estóicos chamam esse primeiro movimento de prosoché. O ponto de partida da filosofia é a consciência da própria fraqueza, estima Epíteto. Implicava em que eu deixasse de fugir de mim mesmo, ou seja, que reconhecesse finalmente minha fraqueza, que a acolhesse. Além disso, a concentração estóica redunda em se distanciar dos próprios desejos e paixões. Praticando-a, eu podia ver que o sofrimento vinha de mim mesmo, e que, portanto, não era insuperável. Enfim, a vigilância estóica focaliza a consciência no instante presente. Desse modo, ela leva a abrir mão das esperanças enganosas e dos arrependimentos inúteis. Eu tinha que arrancar meu olhar do passado, daquela função perdida, daqueles ilusórios privilégios. O que doía era a frustração. O que paralisava era a espera da gratidão de uma sociedade que não daria mais nada e que eu devia agora rejeitar, como numa segunda adolescência, para existir por mim mesmo. Revolta: minha atitude mudava.

2- “Ter uma visão “física” das coisas. Os estóicos recomendam que vejamos os outros, especialmente os adversários, com o olhar do médico, como montes de órgãos e ossaturas. Tratei de aplicar esse método sem reservas a todos os personagens que assombravam minha vida de gerente desempregado. Os tubarões suíços e os consultores internacionais que me haviam eliminado: um montinho de ossos bem alinhados. A diretora da Anpe que me tratava com desprezo, idem. O gerente administrativo da faculdade que me varrera do mapa, a mesma coisa. Os avaliadores, os caçadores de talento, os júris e todos aqueles que me usaram gratuitamente, os falsos aliados, os falsos amigos, todos que me recalcavam em minha condição de desempregado, não por indiferença, mas porque encontravam nisso, decididamente, um interesse objetivo – considerando-se o número de colocações disponíveis no mercado – todos esses finalmente se viam reunidos, triturados, dissolvidos na unidade de sua essência, para formar, depois de conscienciosa aplicação do método estóico, um imenso e salutar ossário de imaculada brancura.

3- Pensar grande. Comecei a usar a imaginação. Decolava de pijama do meu escritório, voando pelo céu como Peter Pan; minha casa já não passava de um pontinho lá embaixo, Montpellier, o aeroporto, as praias... Tudo isso parecia bem distante, pequeno, ridículo. Eu via o mundo com a objetiva de um satélite. Ícaro estava vivo, retomava sua ascensão. Dessa vez, não era para se aproximar do sol, mas para decolar, antes de mais nada, de si mesmo e de suas ruinosas obsessões.

Todos esses exercícios, repetidos com a seriedade e o humor necessários, lançavam as bases de um novo regime de orientação e consciência. Eu não era mais diretor de nada nem de ninguém, nem membro de algum comitê diretor. Mas recuperava outro cargo, do qual fora afastado há muito tempo; eu mesmo. A partir de agora, era eu o estrategista, o piloto, o presidente executivo dessa empresa de mim mesmo.

Acrescento a esses exercícios aquele que sem dúvida mais me ajudou: a meditação. Os estóicos a consideram um diálogo consigo mesmo ou para si mesmo. Esse diálogo, difícil e tenso, permitiu-me ordenar o caos incontrolável de meus pensamentos, progressivamente transformando minha representação do mundo e da situação. Ele pode tomar a forma de um texto escrito, do que dá testemunho a obra de Marco Aurélio. O que funcionou para um imperador romano pode perfeitamente convir a um simples diretor de comunicação.”

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*Excertos extraídos do livro, A Filosofia como Remédio para o Desemprego, de Jean-Louis Cianni, editora Best Seller, 2009.


segunda-feira, 25 de maio de 2020

Pandemia não tira emprego de ninguém, mas governadores e prefeitos ditadores sim!


Que ninguém se engane quando um repórter com sua focinheira estatal aparece na TV falando sobre o caos causado pelo vírus chinês. Na verdade, ele está propositalmente nos enganando. O vírus chinês ou qualquer outra enfermidade não provoca caos algum, pois, quem provoca são as determinações totalitárias de governotários e prefeitardados que adoram brincar de ditadores sádicos inventando isolamentos sem nenhum embasamento científico e prisão domiciliar para a população.

Não devemos cair na narrativa enganosa de manchetes sensacionalistas da imprensa marrom sobre o impacto do vírus chinês sobre o desemprego, pois trata-se de uma falácia, um malabarismo retórico que tira de foco as determinações totalitárias de burocratas bestiais lombrosianos, determinações essas sim, que provocaram um caos avassalador na economia do país cujo saldo é o fechamento de centenas de empresas e demissões em massa. O vírus chinês não tem nada com isso, culpar o vírus seria o mesmo que culpar tuberculose, pneumonia, gripes e outras viroses pelo desemprego. Buscar um nexo causal infinito é bem próprio de vigarista.

De acordo com os dados do IBGE, a taxa de desemprego cravou em 12,2% no trimestre encerrado em Março. Esse percentual representa um contingente de 1,2 milhão de pessoas que perderam os seus empregos. Estima-se que até o final de Junho a taxa de desemprego atinja o pico percentual de 15,4% (eu creio que o pico será muito maior do que isso!) em razão das determinações totalitárias. E que ninguém se iluda que após o encerramento da prisão domiciliar, caso ela ocorra, o que é difícil de acreditar, que tudo voltará ao normal porque isso não vai acontecer assim num passe de mágica.

É muito fácil para burocratas encastelados, imprensa cúmplice, celebridades socialistas do Leblon e da Vila Madalena e servidores públicos corroborar e aplaudir isolamento social. Todos esses têm seus empregos e salários garantidos. E o mais importante: nenhuma dessas classes citadas produz, não gera empregos, não contribui em nada para a economia do país, só gera gastos e despesas sendo que o setor público é pago exclusivamente com o dinheiro surrupiado de nossos impostos.

Para quem não sabe, conforme dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), atualmente o Brasil tem um contingente de 11,4 milhões de servidores públicos e 500 mil funcionários estatais, o que representa um crescimento absurdo de 123% em 32 anos nesse setor. Não é à toa que o Brasil é conhecido como o país dos concurseiros. O setor público é o que mais aplaude e pede bis por isolamento e focinheiras estatais, pois para este setor nada muda, em casa ou na repartição pública estão recebendo seus salários e o pacotaço de benefícios da mesma maneira e com seus empregos vitalícios garantidos.

Enquanto na maioria dos outros países tudo já voltou praticamente ao normal, o Brasil é um dos únicos, quiçá o único país do mundo no qual burocratas jeca tatus, provincianos e imbecis mantém por puro sadismo com a cumplicidade da imprensa criminosa a obrigatoriedade de severo isolamento, uso de focinheiras, recusa do uso da eficiente cloroquina entre outras maldades. Tudo em nome da vaidade de político caipira, coroné do sertão com chicote na mão, mas com a pretensão de um dândi afetado.

Infelizmente, esse vírus xing ling caiu como uma luva no colo de esquerdopatas ressentidos. Através dele, burocratas usam o chicote do estado no atacado e no varejo como um último suspiro para ressuscitar a foice e o martelo.  Portanto, fiquemos atentos ao blá blá blá retórico de políticos e da imprensa. A pandemia não causa caos, não causa desemprego e nem fechamento de empresas. Nenhum tipo de pandemia pode pagar a conta desse prejuízo econômico. O endereço de cobrança é outro e com data certa de recebimento. O endereço são as urnas eleitorais e a data é justamente na próxima eleição.

Senhores candidatos a prefeitos: Tremei!

segunda-feira, 30 de março de 2020

Governadores e prefeitos travam a economia e fomentam o desemprego



Av. Paulista-Foto/Reprodução/Internet

Foi preciso que o criminoso vírus chinês se espalhasse pelo mundo vindo parar aqui em Banânia para que o governo tomasse medidas urgentes para o setor trabalhista. Em 22 de Março foi editada a Medida Provisória nº 927 para amenizar o impacto causado no setor trabalhista em razão do estado de calamidade pública reconhecido pelo Decreto Legislativo nº 6 de 20 de Março de 2020.

A MP 927 incentiva e flexibiliza o teletrabalho, a antecipação de férias individuais e coletivas, o banco de horas e posterga o recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço-FGTS dos respectivos meses de Março, Abril e Maio de 2020. Algumas normas trabalhistas também foram oportunamente suspensas. Há de se destacar o artigo 2º dessa MP que propõe a vontade das partes entre empregado e empregador:

Art. 2º Durante o estado de calamidade pública a que se refere o art. 1º, o empregado e o empregador poderão celebrar acordo individual escrito, a fim de garantir a permanência do vínculo empregatício, que terá preponderância sobre os demais instrumentos normativos, legais e negociais, respeitados os limites estabelecidos na Constituição.

A MP 927 só confirma que, se as relações de trabalho entre empregado/empregador fossem livres ou negociáveis como são em muitos países, ela não teria razão de existir. Só esse fato mais que comprova que a CLT e toda legislação trabalhista que vem a reboque são barreiras intransponíveis no que tange à empregabilidade e que pegam desprevenidas ambas as partes em situações adversas, como por exemplo, essa de calamidade pública que o país está atravessando.

Na contramão, no talo da velocidade e em rota de colisão contra o governo federal, alguns governadores e prefeitos insensatos e irresponsáveis, se aproveitam desumanamente de uma situação de calamidade pública para decretar quarentena e o fechamento do comércio e da indústria que abrangem infinitas atividades econômicas, permitindo apenas que “serviços essências” funcionem. Mas como assim, “serviços essenciais”?

Ora, no meu entendimento não existem “serviços essências”, todos os serviços e atividades são essenciais, até mesmo por uma questão de lógica. Para que um “serviço essencial” funcione, ele vai depender na maioria das vezes dos “serviços não essências”, isto porque toda atividade econômica funciona numa engrenagem em cadeia. Não existe atividade econômica que funcione sem conexão com outras. Vamos a um exemplo:

Para que o álcool em gel seja produzido, funcionários precisam se locomover e utilizar transporte coletivo ou automóvel; postos de combustíveis têm que funcionar, borracharias, oficinas mecânicas, restaurantes e lanchonetes (o trabalhador precisar se alimentar, não?), supermercados, padarias, transportadoras, etc. E a maioria dessas atividades foi proibida de funcionar só porque um burocrata parasita bostejou o que ele entende por "serviço essencial" e "serviço não essencial". O resultado disso? Demissões, desemprego e um colapso econômico sem precedentes.

O próprio combate ao vírus chinês envolve produção de remédios, vacinas, respiradores, máscaras, insumos hospitalares diversos, etc. Todo esse processo está incontestavelmente em cadeia com centenas de outros setores produtivos atualmente proibidos de funcionar por burocratas que dizem seguir determinações e ordens de instituições internacionais especialistas em ditar e bostejar regras aonde não foram chamadas. 

Tudo com a chancela da imprensa marrom, sensacionalista que é, toca o terror e o pânico diuturnamente falseando dados, mentindo sem pudor e com a  ajuda de celebridades, as mesmas de sempre, nossas velhas conhecidas e midiáticas socialistas do Leblon.

O empregador/empreendedor é dono absoluto de seu negócio e, portanto, ele é quem deve decidir se vai abrir ou fechar o seu estabelecimento. Burocratas parasitas encastelados ao decidirem o que pode e o que não pode funcionar esbarram na inconstitucionalidade de seus atos conforme artigo 170 da Constituição Federal que garante a livre iniciativa. E mais, colidem também com o artigo 486 da CLT que diz:

“No caso de paralisação temporária ou definitiva do trabalho, motivada por ato de autoridade municipal, estadual ou federal, ou pela promulgação de lei ou resolução que impossibilite a continuação da atividade, prevalecerá o pagamento da indenização, que ficará a cargo do governo responsável”.

Evidentemente que o vírus tem que ser combatido com responsabilidade e quem se enquadra no grupo de risco deve manter o isolamento. Mas para isso, a economia tem que funcionar a todo vapor. Burocratas que não conhecem uma linha sequer de economia ou são assessorados por keynesianos empedernidos, têm que saber que a população não lhes delegou o poder de fechar o estado e travar todos os setores econômicos, pois estes é que vão trabalhar no combate ao vírus chinês.  Se o estado (sim com letra minúscula) permanecer fechado, teremos sim demissão em massa, teremos sim desemprego. Sofreremos um tremendo black-out, não de energia elétrica, mas infelizmente de todo setor econômico do país.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Caged versus PnadC





Por José Márcio de Camargo*, publicado no Estado de S. Paulo


Após entrar em trajetória de queda a partir do segundo trimestre de 2017, a taxa de desemprego medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC) voltou a aumentar no primeiro trimestre de 2018. Este comportamento já era esperado. Após as festas de fim de ano, o nível de atividade tende a diminuir, o que, todos os anos, gera aumento da taxa de desemprego no primeiro trimestre. Apesar desta sazonalidade, a taxa de desemprego do primeiro trimestre de 2018 foi 0,6 ponto de porcentagem menor que a do primeiro trimestre de 2017. Ou seja, continuou em queda uma vez retirada a sazonalidade.

O que tem surpreendido é a diferença de comportamento entre a PnadC e o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) no que se refere à geração de empregos com carteira assinada. Enquanto os dados da PnadC mostram que no primeiro trimestre de 2018 foram destruídos 408.000 empregos com carteira assinada, 136 mil por mês, os do Caged apontam para a geração de 195.000 empregos formais no mesmo período (65 mil por mês). Não é uma discrepância pequena, 200.000 empregos por mês.

A diferença entre as pesquisas não para por aí. No Caged, o pior mês de geração de empregos formais é sempre o mês de dezembro de cada ano, quando a pesquisa mostra destruição de entre – 300 mil e – 600 mil empregos formais. Este comportamento está ligado ao fato de que a produção industrial para as vendas de fim de ano é concentrada entre agosto e novembro. A partir de dezembro, o setor industrial reduz suas atividades, demite parte de seus trabalhadores e o nível de emprego formal cai.

Na PnadC os piores meses de geração de empregos formais são fevereiro e março, quando a pesquisa mostra uma destruição de aproximadamente 200 mil empregos formais por mês.

Os dados da PnadC correspondem à média do trimestre e não a um determinado mês. Ou seja, o dado de março é a média dos meses de janeiro, fevereiro e março. Os do Caged são o dado efetivo do mês de março. Portanto, a PnadC está sempre defasada três meses em relação ao Caged. Ainda assim, com defasagem de três meses, a correlação entre os dados de geração de empregos formais nas duas pesquisas é de 0,59. Um número muito baixo dado que supostamente refletem o mesmo fenômeno.

As duas pesquisas têm metodologias totalmente diferentes. A PnadC é uma pesquisa por amostra de domicílios, escolhida de forma a ser representativa para a economia brasileira como um todo. A cada trimestre, são amostrados 211 mil domicílios, 70.333 por mês. Cada domicílio escolhido para compor a amostra é entrevistado quatro vezes por ano de forma intercalada (entra em um mês, sai dois meses e volta no mês seguinte), o que faz com que 80% dos domicílios visitados no trimestre terminado em dezembro, por exemplo, são também visitados no trimestre terminado em março, e assim por diante. Isto pode sugerir uma certa inércia. Entretanto, se a amostra é efetivamente representativa, não deveria distorcer os resultados.

O Caged, por outro lado, é uma pesquisa cujos dados são obtidos via registros administrativos. As empresas são obrigadas, por lei, a informar ao Ministério do Trabalho e do Emprego, todos os meses, quantos trabalhadores foram demitidos e quantos foram contratados, e seus respectivos salários. Subtraindo o total de trabalhadores com carteira assinada contratados do total de demitidos, temos o total de empregos com carteira assinada gerados em cada mês.

Apesar da diferença metodológica, não se justifica que as duas pesquisas tenham resultados tão díspares.

Por que os resultados são tão diferentes para representar o mesmo fenômeno? Qual delas é a que melhor representa a realidade? Afinal, o mercado de trabalho brasileiro está criando ou destruindo empregos com carteira assinada?

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*José Márcio de Camargo é Doutor em Economia pela Massachusetts Institute of Technology, atua como docente na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. É referência em assuntos como Microeconomia e Economia do Trabalho. É economista da Opus Gestão de Recursos

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Vitória do PT, derrota para o mercado de trabalho

A vitória da presidente Dilma Rousseff, deixará uma nuvem negra pairando por muito tempo sobre o mercado de trabalho. Durante a campanha, ela deixou bem clara a sua posição inflexível de que não mudaria absolutamente nada no que ela chama de direitos dos trabalhadores. Pior para eles que ficarão desempregados e sem emprego não há direitos.

O quadro geral do mercado de trabalho já se mostra preocupante e sombrio há muito tempo. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE, entre Agosto e Setembro deste ano, ocorreram demissões em massa no ramo da construção civil, na indústria e no comércio.

Na construção civil foram 63 mil demissões, nas indústrias, 59 mil e no comércio, 5 mil. Não houve aumento de postos de trabalho nesse período, a não ser no serviço público, o que não é nenhuma novidade uma vez que, o Brasil se tornou o país dos concurseiros profissionais que só querem  saber é de estabilidade, mimos e mordomias estatais, trabalhar duro e suar a camisa nem pensar.

A vitória do PT também foi muito comemorada pelos ongueiros de plantão. Falo daqueles que recebem nababescas verbas do governo em troca de propaganda esquerdista; militantes profissionais arruaceiros e vândalos que recebem do partido para promover baderna e vandalismo pelas ruas.

Já para os trabalhadores (que representam a maioria da população ativa) que dependem das pequenas e médias empresas, a vitória petista foi um desastre. Essas empresas não estão mais contratando, muito menos criando novos postos de trabalho em razão da perversa legislação trabalhista que a presidente Dilma Rousseff pretende não reformar de maneira alguma.

Como já citei diversas vezes em artigos neste blog, as empresas grandes e multinacionais não serão afetadas pela vitória petista. No entanto, essas empresas também não absorvem o contingente de trabalhadores disponíveis, pois o modus operandi de recrutamento é totalmente diferente das pequenas e médias empresas. As grandes empresas optam pelo recrutamento interno devido aos planos de carreira e quando não, raramente abrem vagas mas apenas para trainees recém-formados ou já em fase de formação universitária.

Portanto, com o PT no governo, o mercado de trabalho continuará refém do corporativismo sindical e da perversa legislação trabalhista cujos direitos oferecidos aos trabalhadores é o de pagar impostos escorchantes e o de amargar por meses a inclusão nos mapas estatísticos do desemprego.

Liderança Compartilhada: empregadores e empregados estão preparados?

As relações do trabalho no Brasil ainda caminham bem devagar quase in slow motion no que diz respeito às alternativas modernas de liderança....