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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Marva Collins: ela fundou uma escola com recursos próprios para alunos pobres




O artigo de hoje destacará o trabalho espetacular de uma professora norte americana, Marva Collins (1936-2015) que escreveu a sua assinatura na história do ensino nos Estados Unidos como brilhante educadora.

Em todas as profissões sempre vai existir aquele profissional que se destaca dos demais, aquele que um dia fez a diferença e podemos dizer que a professora Marva Collins foi uma dessas profissionais que fez a diferença e até hoje ela é referência para os seus pares de profissão.

Marva Delores Collins nasceu no estado do Alabama, filha de um contabilista e pequeno comerciante teve uma boa e sólida educação. Formou-se na Clark Atlanta University, na Geórgia. Lecionou por dois anos no Alabama e em 1959 mudou-se para Chicago e começou a lecionar inicialmente como professora substituta e depois titular por 14 anos em escolas públicas. Aborrecida com o equivocado currículo escolar chancelado pelo governo que em nada contribuía para o desenvolvimento e aprendizado dos alunos, sobretudo aqueles de origem pobre e com dificuldades, decidiu tomar de empréstimo cinco mil dólares e fundar a sua própria escola nos cômodos superiores de sua própria residência.

No ano de 1975, Collins fundou a Westside Preparatory School, situada no bairro pobre de Garfield Park, em Chicago-Illinois. Collins cobrava um preço irrisório pelas aulas, pois sua intenção visava alunos pobres, sobretudo negros cujos pais tinham baixíssima renda. Utilizou métodos sofisticados de ensino como o estudo dos clássicos, Artes Liberais, o Método Socrático, o método Harkness Table (Mesa de Aprendizagem Colaborativa), etc. Foi muito bem sucedida no seu empreendimento cuja atuação foi reconhecida por todo país.

Pelos méritos de seu trabalho foi convidada duas vezes para o cargo de Secretária da Educação, uma no governo do presidente Ronald Reagan, outra no governo de George Bush (pai) propostas que evidentemente ela não aceitou nenhuma das duas, pois nunca quis ter qualquer conexão com cargos políticos. Foi contemplada com diversos prêmios na área da educação. Em 2004 ganhou a Medalha Nacional de Humanidades.

A sua escola, sempre singela e no mesmo local ficou ativa desde a inauguração em 1975 até o ano de 2008 quando encerrou as atividades por dificuldades financeiras. Foram 33 anos dedicados à paixão pelo magistério e capacitação de alunos que viviam em situação de pobreza. Trinta e três anos não é pouca coisa não! Fica aqui registrada a minha homenagem a essa grande e corajosa guerreira pela sua nobre iniciativa.

Obs: Existe um filme de 1981 sobre a vida de Marva: "The Marva Collins Story," com Cicely Tyson (Marva) e Morgan Freeman (Clarence, o marido de Marva). Disponível no YouTube no original, sem tradução, mas vale a pena, é bem fiel à história.

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Emburrecimento Programado – John Taylor Gatto – Leitura recomendada


John Taylor Gatto (1935-2018) lecionou língua inglesa durante trinta anos. Suas aulas eram disputadíssimas pela maneira autêntica e peculiar que as ministrava estimulando em cada aluno as habilidades de vocação de cada um deles. Feroz opositor do ensino compulsório, defendeu com garra o sistema Homeschooling e o auto-aprendizado. Ganhou por três vezes consecutivas, 1989, 1990 e 1991 o prêmio de professor do ano na cidade de Nova York. Premiado por diversas organizações libertárias, inclusive pelo congressista libertário Ron Paul e o prêmio Alexis de Tocqueville pelo estado de Nova York. Após se aposentar em 1991, se dedicou a dar palestras sobre educação e escreveu diversos livros sobre o tema. 

Gatto sempre apontou o terrível erro de um currículo elaborado e planejado por um ministério da educação ao sabor de políticos e engenheiros sociais. Esse tipo de currículo escolar tende a drenar as habilidades naturais do estudante tendo o seu maior impacto na vocação individual de cada um, além de não capacitar as crianças para enfrentar as adversidades na vida adulta seja na vida pessoal e, sobretudo, no desenvolvimento da carreira profissional.

O autor defende que o livre mercado pode oferecer escolas particulares com grade curricular própria não chancelada pelo Estado, mas para concorrer com ele. Disciplinas que desenvolveriam a criatividade do aluno conforme a vocação de cada um deles tendo como base de ensino, por exemplo, as Artes Liberais (Trivium e Quadrivium) entre outros métodos que estimulam a capacidade cognitiva do aluno. Em diversos países que existem essas escolas os resultados de aprendizado são infinitamente superiores ao do ensino planejado pelo Estado.

Vejamos alguns trechos do livro:

“A escola é uma sentença de prisão de doze anos em que maus hábitos são o único currículo verdadeiramente aprendido.”

“A escolarização monopolizada é a principal causa da nossa perda de identidade nacional e individual. Por ter institucionalizado a divisão de classes sociais e por ter atuado como um agente de sistema de castas, ela é avessa aos nossos mitos fundadores e à realidade do nosso período de fundação. Sua força emana de muitos grupos – a corrente histórica anti-crianças e anti-famílias é um deles – mas seu maior poder vem do fato de ser um complemento natural de nosso tipo de economia comercial que requer consumidores permanentemente insatisfeitos.”

“Ao impedir o livre mercado na área da educação, um grupo de engenheiros sociais, apoiados pelas indústrias que lucram com a escolarização compulsória –faculdades de licenciatura, editoras de livros didáticos, fornecedores de materiais e outros- assegura que a maior parte das crianças não terá uma educação, embora elas possam muito bem ser bastante escolarizadas”. 

Eis aqui portanto um sensacional e fundamental livro, um dos últimos escritos pelo professor Gatto destinado tanto para os pais e mesmo para estudantes. Um livro que dá uma chacoalhada e puxão de orelhas em muitos professores que se intitulam “agentes de transformação social”, sabe-se lá o que isso significa. Pode significar qualquer coisa, menos a digníssima profissão de um verdadeiro e legítimo professor, afinal como diz Gatto nesse livro, “educação e escolarização são, como todos testemunhamos, termos mutuamente excludentes”. Assino embaixo!


Liderança Compartilhada: empregadores e empregados estão preparados?

As relações do trabalho no Brasil ainda caminham bem devagar quase in slow motion no que diz respeito às alternativas modernas de liderança....