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segunda-feira, 10 de junho de 2024

A Lei do Triunfo (Napoleon Hill), alguns excertos



No artigo anterior a esse, escrevi sobre a importância da obra do escritor Napoleon Hill no desenvolvimento profissional e pessoal de cada um. Fiz diversas menções a respeito de seu livro "A Lei do Triunfo", que na minha opinião considero a sua obra capital. Segue alguns excertos da obra citada que poderão estimular leitores à leitura da obra inteira. Vale a pena!

Educação

“Educação- não nos esqueçamos disso- consiste em poder obter tudo o que é necessário para atender às próprias necessidades, sem violar os direitos alheios”

“Graças ao nosso deficiente sistema educacional muita gente caminha pelo mundo afora sem descobrir a força que dorme na sua própria mente”.

“O homem que sabe fazer uso inteligente dos conhecimentos dos outros é mais educado do que aquele que tendo conhecimento, não sabe como emprega-los”.

Imaginação/Entusiasmo

“Não é uma infelicidade ser empregado. Ao contrário, muitas vezes fica provado que essa situação é a mais vantajosa num associação, uma vez que nem todos os homens têm capacidade de direção”.

Iniciativa e Liderança 

“Todos os líderes fazem uso da lei de um propósito definido, da lei da confiança em si mesmo e da lei da iniciativa e liderança. E quando se trata de um verdadeiro líder, faz uso também da imaginação e do autocontrole, da personalidade agradável, da exatidão de pensamento, da concentração e da tolerância. Sem o emprego combinado de todas essas leis não se pode tornar um líder verdadeiro. A omissão de qualquer dessas leis abalará proporcionalmente o poder do líder”.

Autocontrole

“Quando uma pessoa irritada começar a nos injuriar, com ou sem razão, não devemos esquecer que, se iniciarmos represálias iguais nos colocaremos no mesmo nível mental daquele que nos ofende, ficando assim dominados por ele! Por outro lado, se não nos irritarmos, se mantivermos a compostura e permanecermos calmos e serenos, conservaremos as nossas faculdades habituais de raciocínio. Surpreenderemos a outa pessoa. Responderemos com uma arma cujo manejo ela não conhece, e, por conseguinte, a dominaremos com facilidade”.

Fazer mais que a obrigação

Há mais de 20 razões mostrando que se deve desenvolver o hábito de prestar mais serviço do que é nossa obrigação, conquanto a grande maioria das pessoas assim não proceda. O fato de que a maioria das pessoas faz apenas o trabalho necessário para poder permanecer no emprego é uma vantagem para todos aqueles que prestam mais serviços do que a sua obrigação, pois todos que assim agem, lucram, quando comparados com os outros. Trabalhando o menos possível, uma pessoa pode conservar o emprego, mas não passará disso, e quando o trabalho escassear, essa pessoa será a primeira a ser dispensada”.

“Em vez de dizer às pessoas: “mostre-me o seu dinheiro e eu mostrarei o que posso fazer”, invertemos a regra, dizendo:” Deixe que lhe mostre os meus serviços, de maneira a poder olhar para o seu dinheiro, se gostar dos meus serviços”.

Concentração

“A mente se alimenta com o que lhe damos ou com o que lhe é imposto pelo ambiente. Portanto, escolhamos o nosso ambiente, com o maior cuidado, com o fim de proporcionar à nossa mente o material apropriado para o trabalho de conseguir o nosso objetivo definido. Se o nosso ambiente não nos agrada, escolhamos outro!

Fracasso

“A derrota é uma força destruidora apenas quando é aceita como um fracasso. Porém, quando a aceitamos como uma lição necessária, é sempre uma benção”.

Caráter/Reputação

"Não devemos esquecer que nossa reputação é feita pelos outros, mas o nosso caráter é formado por nós mesmos. Queremos que a nossa reputação seja favorável, mas não podemos estar certos de tal coisa, pois a reputação é algo exterior, que existe na mente dos outros, é aquilo que os outros acreditam que temos. Como caráter o caso é diferente. Nosso caráter é o que somos; é o resultado de nossos pensamentos e atos. Nós o controlamos. Podemos fazê-lo fraco ou forte, bom ou mau. Quando estivermos satisfeitos e tivermos certeza de que temos um caráter íntegro, não nos preocupemos com a reputação, pois é impossível que o nosso caráter seja destruído ou prejudicado por qualquer outra pessoa senão nós mesmos”.

“Lembremos que nossa verdadeira riqueza é medida não pelo que temos, e sim pelo que somos”.


segunda-feira, 25 de março de 2024

Revista Forbes elege “Don’t Stop Believin” (Não Pare de Acreditar), da banda Journey como a melhor canção de todos os tempos


Journey: Jonathan Cain, Neal Schon, Steve Perry, Steve Smith, Ross Valory

A famosa revista estadunidense Forbes com sede em Nova Iorque, em matéria publicada recentemente elegeu a canção “Don’t Stop Believin’”, da banda Journey como a melhor canção de todos os tempos. A letra da música fala sobre resiliência e a persistência de atingir os objetivos planejados. A Forbes é uma publicação que aborda temas variados tais como, economia, finanças, investimentos e marketing. No entanto também é famosa por publicar rankings sobre temas diversos ao redor do mundo.

A canção “Don’t Stop Believin’ foi escrita no ano de 1981 e faz parte do premiado álbum “Escape” que atingiu na época o primeiro lugar em vários países. O tecladista Jonathan Cain que fazia a sua estreia na banda foi quem trouxe o argumento da letra baseado na sua própria história pessoal. Baseado nesse argumento, o vocalista Steve Perry escreveu os versos da música e a melodia teve a autoria do próprio tecladista Jonathan Cain, do guitarrista Neal Schon, e do baterista Steve Smith.

A história pessoal de Jonathan diz respeito quando ele partiu do interior de sua cidade natal, Detroit para tentar a vida como músico em Los Angeles. A concorrência era pesada e sempre quando Jonathan pensava em desistir, ele ligava para o seu pai e este sempre lhe dizia: “Não pare de acreditar ou você acabou, cara!” Os versos da letra, Perry adaptou para contar a história de uma garota e um garoto que moram em cidades pequenas e pegam um trem para tentar a vida em algum lugar. Jonathan, comentando sobre a canção, disse certa vez em uma entrevista: “Sentimos que todo jovem tem um sonho e às vezes o lugar onde você cresce não é onde você está destinado a estar”.

“Dont Stop Believin” foi premiada até o momento com 18 certificados de platina, está entre as 500 melhores músicas de todos os tempos no ranking da revista Rolling Stone. Foi tema de diversos eventos esportivos, trilha sonora de diversos seriados e foi símbolo de resistência e resiliência na fase da pandemia para quem estava travando uma batalha contra a Covid.

Além da letra de "Don't Stop Believin' de forte conteúdo motivador, a revista Forbes também destacou a elaborada linha melódica, sobretudo a introdução memorável em razão do distinto riff introdutório do piano de Jonathan Cain na abertura da música. "Não pare de acreditar ou você acabou, cara". Ele não parou, acreditou e foi em frente e o resultado está aí, diante de nossos olhos. Portanto, não pare nunca, não desista, acredite em você!





segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Radiância motivacional no ambiente de trabalho


Por Ryder Carroll


"Pense em um colega nocivo com quem já trabalhou. Embora você possa estar muito satisfeito com o seu emprego, como se sente quando alguém fala mal da empresa, reclama do trabalho ou manipula pessoas para conseguir o que quer? Isso dá um gosto amargo na boca, que demora a sair. Sem se dar conta, você passar a negatividade para seu cônjuge durante o jantar – e até mesmo para os colegas dele no dia seguinte, segundo um estudo.

Como uma pedrinha jogada em um lago, nossas ações reverberam no mundo à nossa volta. Cada ondulação influencia aquilo que encontra. Quando você segura a porta para alguém, por exemplo, pode inspirar nessa pessoa a disposição de fazer o mesmo por quem vem em seguida ou praticar outra gentileza. Da mesma forma, quando grita com alguém, o cônjuge, filho ou um amigo dele fica sujeito ao efeito da propagação de sua ação. Gosto de me referir à nossa capacidade de influenciar o mundo à nossa volta como “radiância”.

A natureza do que irradiamos costuma ser o reflexo do que está acontecendo dentro de nós. É por isso que cultivar o autoconhecimento, longe de ser algo egoísta, tem importância vital. Se não assumirmos (ou relutarmos em assumir) a responsabilidade por nossas qualidades inferiores, como negatividade ou raiva, acabamos por passá-las adiante. O peso de suas palavras ou ações começa a dar forma ao mundo ao seu redor e deixa-lo mais próximo de seu mundo interior. Sua falta de entusiasmo por um projeto suga a animação do restante da equipe. Seu mau humor volta para você no silêncio de seu companheiro durante o jantar.

Não estou sugerindo que você se force a ser tão alegre quanto um personagem da Disney, soltando arco-íris de perpétuo otimismo pelo nariz. Porém temos obrigação de encarar nossas fraquezas e reforçar nossos pontos fortes, porque não estamos sozinhos. Cultivar nosso potencial nos torna mais preciosos a nós mesmos e aos outros, principalmente aqueles que estão mais próximos de nós.

Ainda que não possa controlar as pessoas, você influencia aqueles com quem tem contato. E eles também podem levar essa influência adiante. Seu conhecimento pode ensinar os outros. Seth Godin escrever: “Ou você é a pessoa que cria energia ou aquela que a destrói”.

Melhorar a si mesmo leva à melhoria dos outros e do mundo, se levarmos aquele efeito de propagação até seu potencial infinito e o multiplicarmos por cada alma motivada. Se não quer melhorar por si mesmo, faça isso pelos outros. Se seu objetivo na vida é ser útil o outros, pode começar sendo útil a si mesmo.”

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Excerto extraído do livro, "O Método Bullet Journal", de Ryder Carroll, editora Fontanar - São Paulo- 2018

 

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Study Vlog e o seu impacto positivo no mercado de trabalho




Em recente artigo escrevi sobre a profissão de influenciador digital, entre a qual se incluem os chamados Study Vlogs. Considero esse segmento um dos mais criativos, brilhantes e importantes que já surgiu no mundo digital, isto porque ele vai refletir e impactar diretamente a carreira profissional de seus autores e naturalmente dos seus seguidores que o tomaram como modelo. Mais adiante veremos os motivos.

A ideia do Study Vlogs (study with me ou estude comigo) surgiu por volta de 2017 na Ásia, precisamente na Coreia do Sul com o termo “gongbang” (uma redução de gongbu bangsong), que significa “transmissão de estudos”, depois no Japão com o termo “benkyou douga” e por fim nos Estados Unidos até se espalhar pelo mundo todo, inclusive no Brasil que já são muitos trazendo conteúdo de alta qualidade. Só não existem nos países onde a internet ainda é controlada e vigiada por Estados totalitários.

O propósito de um study vlog é incentivar e motivar estudantes do ensino médio e universitário que se sentem desmotivados e com muita dificuldade para os estudos. Um dos pontos principais é fazer com que o estudante sinta prazer em desenvolver os seus estudos de maneira aconchegante, agradável e, sobretudo, sem procrastinação.

Tomar gosto pelo estudo começa pela escolha de um local sossegado, tranquilo. O fator estético é fundamental, por isso os estudantes/streamers investem em materiais bonitos e atrativos que comportam diversos tipos de canetas, lapiseiras, ring planners, cadernos inteligentes, pastas de arquivo e claro, um notebook conectado à internet. Muitas empresas patrocinam esses vlogs fornecendo os diversos produtos utilizados. Importante sempre destacar que o ambiente organizado e os materiais de estudo devem convidar o estudante para o estudo. Poderá ter um fundo musical com música apropriada e relaxante ou não, isso fica a critério.

Diversas técnicas e métodos de estudo são transmitidos, tais como, método Kernell, mapa mental, método Robinson (EPL2R), método mnemônico, técnica Pomodoro, como trabalhar com as flashcards, como elaborar um texto acadêmico entre muitas outras. Aprende-se até mesmo como ter uma linda caligrafia em tempo recorde de maneira bem fácil. A maioria desses estudantes tem um padrão de caligrafia bem análoga à caligrafia técnica utilizada por engenheiros, arquitetos e desenhistas. Garatujas nunca mais!

Além disso, aprende-se técnicas de administração do tempo, concentração, motivação e produtividade. Os “likes” e comentários de agradecimento dos seus seguidores são impressionantes, são estudantes (do ensino médio e  universitário) que tiveram suas vidas de estudo mudadas após o contato com os study vlogs e acabaram desenvolvendo o gosto e o prazer pelo estudo obtendo resultados satisfatórios em todas as matérias. Citarei aqui apenas dois:

“Sinto uma sensação de rivalidade quando vejo os streamers sentados estudando e lendo livros por um longo tempo. Sempre que tenho vontade de desistir de estudar recorro ao study vlog e recarrego minha motivação”.

“Sinto-me aliviada quando vejo esses vídeos ao vivo em noites tranquilas e solitárias. Eles me fazem sentir que não sou a única a ficar acordada a noite estudando. Eu nunca os conheci em pessoa, mas eles já se tornaram meus bons parceiros de estudo”.

E como isso terá impacto na carreira profissional de cada um deles?  Simplesmente, trata-se de uma importante e natural etapa preparatória para a entrada no mercado de trabalho, seja em qualquer profissão. Isto porque essas pessoas trazem na bagagem um apurado senso de organização, esmero, concentração, administração do tempo, criatividade, motivação e produtividade, ou seja, as características mais desejadas e muito requisitas no perfil de um candidato.

Portanto, quem tiver condições e criatividade para a criação de um study vlog para incentivar e motivar estudantes, ótima decisão, porém quem não puder não há mais desculpas esfarrapadas, pois falta de motivação para estudar e procrastinar não são mais problemas, a solução está a alguns cliques do mouse ou alguns toques do smartphone. Não procrastinar mais, começar agora, ser um estudante/streamer ou estudar com eles. O resultado será surpreendente, o estudante verá que nunca foi tão gostoso estudar. Estude com eles!

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Aprendendo liderança e motivação com Duke Ellington




O Jazz é um gênero musical que nos traz infinitas e inestimáveis lições de liderança, motivação e principalmente insights de improvisação, sobretudo, nas circunstâncias que exigem tomadas de decisão diante de desafios.  E quem vai nos passar uma importante lição sobre motivação hoje é um dos maiores músicos de Jazz da história, Edward Kennedy “Duke” Ellington (1899-1974), bandleader, maestro, compositor, arranjador e que atuou proficuamente em sua banda até o seu falecimento em 1974.


Na banda de Duke Ellington, passaram músicos que também se sagraram como gênios absolutos em seus estilos característicos, bem como, no domínio total em seus instrumentos, entre eles, Johnny Hodges, Ben Webster, Jimmy Blanton, Paul Gonçalves, Charles Mingus, John Coltrane entre tantos outros. Duke, ele próprio um exímio pianista, tinha a preocupação de adaptar as suas composições e arranjos de acordo com o talento de cada músico de sua banda para que todos se destacassem extraindo de cada um deles o melhor que eles poderiam dar. E aqui já temos uma importante lição a ser seguida: detectar o talento de cada membro de sua equipe e extrair o melhor de cada um deles sem ficar tripudiando sobre seus erros.


Duke era um gentleman, elegante, dono de um suave humor e sabia lidar muito bem com os seus músicos. Sendo músicos que tocavam nas noites, alguns tinham problemas com alcoolismo, outros eram indisciplinados, mesmo assim, Ellington soube lidar muito bem com os egos inflados de cada um desses excelentes músicos. Jamais demitiu um músico sequer de sua banda, os que o deixaram, era para seguir carreira solo e muito gratos ao mestre pelo incomensurável aprendizado.


Existem centenas de exemplos a serem dados de situações pelas quais o mestre Duke passou com seus músicos dando verdadeiras lições de liderança e motivação. Chega até ser difícil escolher uma, mas aqui vai uma situação espetacular que ocorreu entre Duke e um de seus músicos, no caso o fenomenal trompetista Clark Terry.


Certa vez, antes de um ensaio, Duke chamou o trompetista Clark Terry e disse a ele o seguinte: “Hoje quero que você toque igual ao trompetista Buddy Bolden”. Clark ficou surpreso, pois jamais havia ouvido falar nesse músico chamado Buddy Bolden, então ele respondeu a Duke: “Mas, maestro, quem é esse tal de Buddy Bolden que eu nunca ouvi antes?”. Duke então lhe respondeu: “Mas como você nunca ouviu falar de Buddy? Ele é o melhor trompetista do momento, fantástico, disputado a tapas pelas mais importantes bandas de jazz, o som de seu trompete é único, autêntico, quem o escuta já sabe que se trata de Buddy Bolden. Buddy tem o som mais volumoso de trompete da cidade, usa notas dobradas ao extremo, tem a fama de quando afina o instrumento em New Orleans, os copos se quebram em Argel”. Clark, já atônito pediu a Duke que providenciasse então alguns discos de Buddy para que ele pudesse ouvir o estilo desse músico. Foi então que Duke, com seu sorriso habitual, disse para Clark: “Relaxa, Clark, para falar a verdade, você é o Buddy Bolden!”.


Que show de motivação! O nome dessa tática em comportamento organizacional é competência provocativa em ação. Ellington estava falando o tempo todo sobre o próprio Clark, ainda que este não houvesse percebido. Foi uma poderosa injeção de estimulo e inspiração para que Clark desse tudo de si e todo o seu potencial criativo naquele ensaio e ir além do que ele estava habituado.


Assim então atua um verdadeiro líder, como atuou Ellington nessa ocasião entre muitas outras. Liderança não se resume em autoridade do tipo só eu mando e você apenas obedece. Um bom líder sabe provocar com maestria, ele tem o dom de enxergar nas pessoas o seu melhor desempenho ainda que ele esteja abaixo do esperado, e mais, ele enxerga as qualidades positivas delas muitas vezes muito mais do que elas próprias. Duke tinha esse dom e além de dar show com as suas composições e arranjos, o mestre também deu show em suas lições de liderança e motivação, lições essas tais como o seu legado musical, serão sempre perenes. Take a Train!

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Aprenda com Miles Davis a transformar erros em acertos



Não, não é um artigo sobre autoajuda, mesmo porque Miles Davis (1926-1991) não foi um escritor que escreveu sobre essas bobagens. Miles Davis foi um tremendo monstro e bandleader do Jazz e que praticamente continua sendo um divisor de águas nesse estilo. É autor do mais importante álbum da história do Jazz, "A Kind of Blues". Podemos dizer que o Jazz existe antes e depois de Miles Davis, mas isso já é tema para outro artigo. A lição desse artigo foi contada por outro monstro do Jazz, o gigantíssimo pianista Herbie Hancock, membro durante muito tempo da banda de Davis e que aprendeu com o saudoso mestre a sair de situações conflitantes.


Herbie Hancock conta uma situação que o deixou absurdamente assombrado. Foi numa apresentação ao vivo em Stuttgart, Alemanha em 1963 que contava com Miles Davis (trumpet), Herbie Hancock (piano) Ron Carter (baixo acústico), Tony Williams (bateria) e Wayne Shorter (sax alto). Como podem ver, só feras no palco!


Durante a execução de uma belíssima e clássica composição de Davis, “So What!”, lá pelo meio da música quando Miles executava seus brilhantes solos de trumpet, Hancock ao piano erra feio o acorde. Tudo acontece numa fração de segundo que faz Hancock levar as mãos à cabeça pelo erro. Miles percebe o erro e também numa fração de segundo executa um fraseado no trumpet que faz com que o erro de Hancock se transforme em acerto! A sensibilidade de Miles naquele instante na escolha das notas deixou Hancock literalmente desconcertado, segundo ele, um momento que ele nunca e jamais vai se esquecer.


Transformar erros em acertos é um desafio para poucos. Exige treino (muuuuito treino), estudo, pesquisa, leitura, perspicácia e gigantesca percepção da realidade. O resultado disso é o aprimoramento das habilidades, seja lá em qualquer profissão que seja. O que num primeiro instante pode parecer improviso de momento, na verdade tem anos de treino por trás. É a mesma situação para quem fala de improviso em público, a pessoa já treinou infinitas vezes variadas situações que ficaram gravadas na memória e que a qualquer momento ela vai precisar colocar alguma delas em prática.


Miles Davis tinha uma frase que ele gostava de repetir: "Quem não erra já está cometendo um erro". Aprender com os erros e transformá-los em acertos é  um dos grandes exercícios para treinar as habilidades. Foi o que Miles fez naquela noite em Stuttgart. Hancock em seu depoimento sobre Miles, diz que Miles o ensinou a transformar veneno em remédio. Essa é a grande lição que o mestre nos legou: sempre poderemos extrair algo bom de uma situação ruim. Tentemos sempre,  não é fácil, podemos errar, vamos errar, e isso quer dizer então que estamos no caminho certo.


Abaixo o vídeo do depoimento do pianista Herbie Hancock.




 

Liderança Compartilhada: empregadores e empregados estão preparados?

As relações do trabalho no Brasil ainda caminham bem devagar quase in slow motion no que diz respeito às alternativas modernas de liderança....