sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Atenção Profissionais de RH, vem aí a Licença Manguaça!

Ora ora, mas vejam só que batata quente as empresas terão de segurar dentro em breve: No dia 4 de Agosto foi aprovado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado o projeto de lei que proíbe demitir por justa causa os trabalhadores alcoólatras (atendem também pela bonita e politicamente correta expressão, dependentes de alcoolismo crônico). Ao invés da demissão, encaminha-se o ébrio para o devido tratamento. O texto aprovado em caráter terminativo segue para a Câmara dos Deputados.

A embriaguez habitual ou em serviço, consta do artigo 482 da CLT, alínea “f”, como um dos motivos para a dispensa por justa causa. No entanto, o projeto de lei inclui mais um parágrafo no referido artigo que reconhece o dependente de álcool como doente. E no caso de comprovação de alcoolismo crônico, o trabalhador será afastado e perceberá auxílio-doença pelo tempo que for necessário. E tem mais: após o seu retorno à empresa ele fará jus a um período de 12 meses de estabilidade! Mas que beleza, melhor não poderia ser. Está criada a licença manguaça!

Entretanto, se o trabalhador recusar o tratamento, hipótese praticamente impossível de ocorrer, daí sim perderá o emprego. Ora, se a “mardita” lhe garante tratamento do paizão Estado por tempo indeterminado, se bobear até a aposentadoria, e ainda estabilidade vitalícia, por que o manguaceiro iria declinar de ser tratado? Vitalícia sim porque não se pode descartar as possibilidades de infinitas recaídas as quais são freqüentes nos casos de dependência crônica de cangibrinas. Tais recaídas são confirmadas pelos coordenadores dos Alcoólicos Anônimos.

Não que eu seja contra bebidas alcoólicas ou condene os dependentes exagerados, afinal, a dose é que faz o veneno. Quem quiser se embriagar até cair é plenamente livre para fazê-lo, mas que assuma as responsabilidades e responda individualmente pelas conseqüências de seus atos. Apresentar-se sóbrio no ambiente de trabalho é o mínimo que se pode esperar de um empregado. Impor agora às empresas a tutela dessas pessoas por um problema de ordem pessoal, livrando-as de suas responsabilidades e premiando-as com licenças e estabilidades ao invés da demissão, é no mínimo indecente, além de uma utopia que jamais poderá dar certo.

Afirmar que a embriaguez em serviço ainda dê justa causa se não for confirmada dependência crônica é piada de mau gosto, porque quem chega ao ponto de se apresentar embriagado no trabalho já atingiu a dependência crônica há muito tempo. E os prejuízos, como sempre, por conta das empresas. A aprovação dessa lei abrirá precedentes para outros vícios sabe-se lá quais para terror e desespero dos profissionais de RH. Por enquanto pelo que parece, vem aí a estabilidade manguaça.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Pensamento do Dia


"Estamos caminhando para o socialismo, um sistema que, como se diz, só funciona no Céu, onde não precisam dele, e no Inferno, onde ele já existe."

Ronald Reagan

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A filosofia do Faça Você Mesmo Extingue Profissões

As esposas que me desculpem, mas solicitar dos maridos serviços de manutenção e reparos domésticos, tais como, instalação de chuveiro, estancar vazamento em torneiras, desentupir ralos e clarabóias, chumbar pesadas antenas no telhado, limpar caixa de gordura, aparar a grama, pintar paredes, configurar roteador e demais serviços semelhantes, além de ser uma perda de tempo considerável, acaba deixando sem emprego os profissionais especializados nessas funções. Isso é o que eu chamo de roubo indireto de empregos.

O mercado de trabalho já é por demais complexo e essa filosofia do faça você mesmo é uma – literalmente - grande roubada a qual sempre fui contra. Deixemos então essas tarefas para os profissionais da área: Encanadores, eletricistas, pedreiros, pintores, jardineiros, técnicos, etc. Estes são profissionais experientes e treinados, carregam consigo uma maleta com todo tipo de ferramentas adequadas e inimagináveis, conhecem os macetes da profissão, estudaram para isso e esse tipo de serviço é a sua principal fonte de renda, quer sejam profissionais autônomos ou com vínculo empregatício.

Abominável também é aquele metido a sabichão que se presta a executar esses tipos de tarefas alegando que está fazendo economia. Na verdade faz tudo errado e o prejuízo acaba sendo muito maior que o estrago, além, é claro de tirar o emprego de quem executa essas tarefas muito melhor. Aqui conta também o fator tempo desperdiçado. Em seu livro “The 4-Hour Workeek”, cujo tema é a administração do tempo, Timothy Ferris discorre sobre o tempo perdido com tarefas que podem muito bem serem delegadas para quem entende do assunto, e com isso ganhar esse tempo com atividades muito mais produtivas ou lucrativas.

Podemos citar também essa bobagem de que cada um seja responsável pelo lixo da rua e do meio-fio de sua calçada. Neste caso, estaria extinta a profissão de garis. Já vi pessoas em lanchonetes que após a refeição, recolhem os pratos, copos e talheres e levam até o balcão para facilitar a vida da garçonete. A intenção é boa e simpática, mas essas pessoas estão contribuindo para a extinção da profissão de garçonete. Algumas profissões já se extinguiram por causa do faça você mesmo.

Portanto, antes de bancar o sabe-tudo e perder tempo tentando formatar o computador, inventando pintar as paredes da sala, abrindo o ar condicionado para ver se acha o defeito, consertando aquele telhado de madeira no quintal e outras tarefas dessa natureza, saiba que existem excelentes profissionais especializados no mercado para esse tipo de trabalho. Alguns deles desempregados e disponíveis esperando que uma oportunidade dessas apareça. A filosofia do faça você mesmo é por demais tacanha, ela rouba empregos e extingue profissões.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Fumantes já São Discriminados no Processo de Seleção

Nada mais incômodo e desagradável quando se entrava numa sala de escritório e se deparava com aquela nuvem azulada de fumaça de cigarro pairando no ar sobre as cabeças dos funcionários. Normalmente quem já estava na sala não percebia o ar viciado pelas baforadas que impregnavam o ambiente, só quem vinha de fora é que percebia. Esse foi um dos motivos que os fumódromos foram criados nas empresas.

No Estado de São Paulo, a lei antifumo atualmente em vigor e flagrantemente inconstitucional, ao proibir o fumo em ambientes fechados, fez com as empresas transferissem os fumódromos para áreas externas e na impossibilidade de fazê-lo simplesmente extinguissem com os mesmos. Porém, a lei nacional antifumo não permite o fumo em ambientes fechados mas permite nos fumódromos.

Já há uma tendência das empresas solicitarem às agências de emprego e recolocação de profissionais para que dêem preferência aos candidatos não fumantes. Isto se comprova nas fichas de solicitação de emprego no item que o candidato deve assinalar se é fumante ou não. E a maioria das agências aderiu à exigência absurda. Naturalmente as empresas que não extinguirem seus fumódromos estão sujeitas às multas previstas. Talvez, por isso a exigência.

Os profissionais de RH estão divididos nessa questão. Alguns afirmam que as empresas devem investir em campanhas educativas no sentido de seus empregados fumantes pararem de fumar. Outros mais afoitos até acenam com a possibilidade de se demitir o fumante por justa causa no caso da empresa ser multada por descumprimento da lei e ainda descontar a multa da rescisão do empregado! Já os mais sensatos não acreditam que as empresas possam abrir mão de empregados talentosos só porque são fumantes. E estão certos.

O argumento de que o fumante perde tempo ao se deslocar do local de trabalho para fumar em área externa é falacioso e inconsistente. Primeiro porque dependendo do setor em que ele atua o cigarro não compromete a produtividade, mesmo porque não há registro de funcionários que não atingiram suas metas por serem fumantes; segundo, porque então as empresas teriam que agir da mesma forma com funcionários que navegam no orkut, no msn, ficam pendurados no telefone em altos papos furados mas nem por isso deixam de cumprir suas tarefas.

São dois pesos, duas medidas. Enquanto políticas afirmativas e anti-discriminatórias estão na ordem do dia, o fumante, ah, esse pode ser discriminado. A lei antifumo é mais um produto do politicamente correto, tal como essa armadilha e bobagem que é a responsabilidade social corporativa. São armadilhas que empresários ingênuos e mal informados embarcam sem se darem conta que embarcaram numa canoa furada. O naufrágio é só uma questão de tempo

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A Penhora Trabalhista on-line reflete diretamente na oferta de empregos

Uma medida que vem sendo usada abusivamente sem dó nem piedade pela Justiça do Trabalho é a penhora on-line das contas bancárias das empresas, com o objetivo de garantir a quitação de dívidas trabalhistas. Um instrumento que já se tornou um terror para os prepostos no dia da audiência, pois em diversas ocasiões ocorre a penhora logo na primeira audiência, impossibilitando assim qualquer outra alternativa de acordo para a reclamada.

O procedimento é feito diretamente pelo juiz do trabalho, através do site do Banco Central, bloqueando imediatamente todas as contas e aplicações financeiras das empresas, tornando-as indisponíveis, independente de solicitação do reclamante. Esta terrível medida vigora desde 2002 quando foi firmado um convênio entre o Banco Central e o Tribunal Superior do Trabalho, denominado Bacen Jud, na intenção de acabar com a dificuldade que a Justiça do Trabalho tinha em cobrar dívidas trabalhistas.

O que parecia ser uma boa solução acabou virando um pesadelo para reclamada e reclamante. Ocorre que a penhora on-line está em flagrante rota de colisão com o Artigo 882 da CLT, que possibilita à reclamada disponibilizar e nomear bens materiais ou em espécie para quitação da dívida. Mesmo porque a penhora on-line imediata não significa pagar o reclamante, apenas garantir o pagamento, que, diga-se de passagem, pode ser garantido por outras alternativas, como as previstas no artigo 882 da CLT.

Evidente que a reclamada em caso de penhora on-line, mesmo tendo o seu capital de giro bloqueado, entrará com toda sorte de recursos, tais como agravos, embargos e mandados de segurança, sendo que o reclamante continuará sem receber ainda por muito tempo. É bom lembrar que o bloqueio das contas é imediato, mas a liberação das mesmas não é, leva tempo e é sobremaneira burocrático.

Com as contas bancárias confiscadas, o caminho da falência é iminente. Não há mais como honrar a folha de pagamento, o recolhimento da previdência social, FGTS, verbas de aposentadoria, pensões, vale transporte, etc. Estes são direitos dos trabalhadores e que por definição são impenhoráveis. Além disso, o erário deixa de receber tributos. Muitas empresas, sobretudo as de pequeno porte, após muitos anos no mercado encerraram suas atividades devido a penhoras trabalhistas online desnecessárias.

Naturalmente que uma empresa com o capital de giro confiscado não vai gerar empregos, ao contrário, demite, vai à falência, encerra as atividades. A penhora on-line é contraditória, pois privilegia um ex-empregado em detrimento dos outros que estão trabalhando. É preciso que se aplique a penhora online com muita cautela, sob pena de comprometer gravemente a economia do país e a oferta de empregos

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Resiliência e a Superação de Adversidades

Resiliência é uma palavra que poucas pessoas estão familiarizadas, ainda desconhecendo o seu sentido e significado por completo. Trata-se de um atributo pessoal que atualmente a maioria das empresas busca encontrar nos profissionais das mais variadas profissões, não somente nos cargos de liderança mas em qualquer que seja o nível hierárquico do profissional.

O conceito original da palavra vem da Física e significa “a capacidade de um objeto recuperar-se, de se moldar novamente após ter sido comprimido, expandido ou dobrado, voltando ao seu estado original”. Podemos dizer, portanto, que resiliência é capacidade do ser humano adaptar-se a todo tipo de adversidades sem se deixar abater e ainda sair fortalecido delas.

Mas ainda é pouco. Ser resiliente é balançar e não cair, se curvar mas não se quebrar, levar punchs seqüenciais no fígado e permanecer de pé, ir ao inferno e voltar dele incólume, e ainda extrair dessa chamuscante experiência idéias construtivas e uma lição de vida. Não é fácil. É privilégio de poucos. E de onde essas pessoas tiram essa incrível capacidade de superação? Algumas são resilientes por natureza, porém, segundo pesquisadores, é perfeitamente possível o desenvolvimento desse atributo.

O psiquiatra austríaco Viktor Frankl, fundador da escola de Logoterapia foi praticamente o pioneiro a desenvolver estudos sobre a resiliência baseado na sua própria experiência de vida quando foi prisioneiro no campo de concentração em Auschwitz. Em seu livro “A Busca do Sentido da Vida”, Frankl diz que “só sobrevive aquele que consegue transcender sua existência e encontrar sentido em algo que está fora de si próprio, como um amor ou um projeto”. Enquanto prisioneiro, Frankl concentrou seu pensamento no reencontro de sua esposa, seus pais e nas aulas que iria ministrar quando a guerra acabasse. A chave é sempre a busca de um sentido para a vida.

Pesquisadores do assunto detectaram em pessoas resilientes algumas características em comum: autoconfiança, ampliação dos conhecimentos, flexibilidade, nível elevado de improvisação, empatia e facilidade em estabelecer relacionamentos, bom humor contagiante, rir da própria desgraça, apoio moral e sempre visando algum projeto ou sonho como disse o mestre Frankl.

O profissional resiliente sabe como gerenciar dificuldades, enfrentar pressões por metas e resultados, sabe recuar quando preciso, sabe como lidar com o imprevisto, e até mesmo com a perda do emprego e problemas dolorosos de ordem pessoal sem se abalar, ou jogar a toalha. As situações traumáticas são inevitáveis. Por isso empresas de todos os portes cobiçam esses profissionais. Com certeza, são esses profissionais que fazem a diferença no quadro corporativo