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terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Leitura recomendada: Teorias Cínicas (Helen Pluckrose e James Lindsay)

Sem dúvida alguma, “Teorias Cínicas”, publicado pela Faro Editorial foi um dos mais importantes e impactantes livros lançados em 2021. Os seus autores, Helen Pluckrose é uma escritora britânica e editora-chefe da revista Areomagazine, uma publicação especializada em cultura e humanismo; James Lindsay, americano, matemático, critico cultural e comentarista político. Ambos os autores se definem como liberais clássicos.

A razão da indicação deste livro é a sua obrigatoriedade de leitura para todos os profissionais que atuam no setor de Recursos Humanos ou no setor administrativo. É preciso entender as razões que muitas empresas, sobretudo as multinacionais e demais grandes corporações aderiram às políticas identitárias, ao politicamente correto e outorgaram as mais diversas pautas progressistas embaladas em atrativas denominações tais como, justiça social, inclusão, multiculturalismo, ambientalismo (mudanças climáticas) numa simbiose suspeita e para lá de duvidosa com governos ditos progressistas.

Os autores mergulharam numa pesquisa documental monstruosa traçando um gigantesco panorama da questão que teve o seu início na década de sessenta nos campis universitários, sobretudo nas ciências humanas, embora, atualmente as exatas e biológicas também já estejam contaminadas. Começa com os efeitos da Escola de Frankfurt passando por Michel Foucault, Jaques Derrida, Jean-François Lyotard, construtivismo e relativismo cultural, pós-modernismo para finalmente tomar forma numa espécie de ideologia denominada "Teoria" que nada mais é do que o a teoria pós-modernista aplicada na prática como feroz ativismo político irracional e anticientífico.

A Teoria se divide em quatro partes: Teoria pós-colonial, Teoria Queer, Teoria Crítica da Raça e Interseccionalidade e Feminismo e estudo de gênero. Todas são explicadas detalhadamente no livro. Nomes como Judith Butler, Patricia Hill Collins, Kristie Dotson, Miranda Fricker, Nancy Tuana e Robin DiAngelo são as principais fontes, elaboradoras, defensoras e ativistas dessas teorias que nascem nas academias.

Os professores acadêmicos são os primeiros a fazerem a adesão a tais teorias com uma influência brutal e até mesmo ameaçadora sobre os estudantes rejeitando in limine qualquer manifestação de oposição às teorias. Evidências científicas, a razão e a lógica de nada valem como argumentos válidos e legítimos contra tais teorias, o que vale é a adesão cega como um seguidor fanático de seita pronto a difundir pela vida os dogmas da Teoria, seja na vida pessoal, no lazer e no trabalho.

O resultado na prática são os cancelamentos de pessoas por qualquer afirmação e expressão de opiniões que elas façam e que não estejam de acordo  com a Teoria, o policiamento da linguagem, perseguições e exclusão de conteúdos nas redes sociais com o banimento de seus canais e perfis, lacração infinita e até mesmo demissões sumárias de funcionários que não estejam afinados com essa perversa ideologia.

Os militantes dessas teorias já confessaram diversas vezes que não importam as evidências científicas, não estão interessados em razão ou argumentações lógicas, o que vale é a narrativa pura e simples embalada em perfumaria barata de nomes atrativos. O que importa é converter tudo em luta e ativismo político na forma de cancelamento de pessoas, policiamento da linguagem, ter muito cuidado no que fala (perda da espontaneidade), fazer sentirmos culpado o tempo todo por algo que não cometemos, por sermos devedores de uma dívida que não fizemos e até mesmo culpados por existirmos.

Os autores concluem que a Teoria nada mais é do que uma nova religião dogmática hostil à razão e às verdades objetivas, não admite refutação ou discordância de qualquer tipo. Difunde-se através de seus militantes com “zelo evangélico por meio de diplomados e, sobretudo, através das redes sociais e do jornalismo ativista". Eu diria também que aqui no Brasil o poder judiciário é um dos seus principais propagadores, aliás, pode-se dizer que o ativismo judicial já se tornou uma tendência em diversos países.

Como alternativas à Teoria, os autores reconhecem todas as pautas levantadas por esses acadêmicos como válidas e legítimas, seja elas de raça, gênero, feminismo e de todos os movimentos ativistas que se colocam como vítimas oprimidas. No entanto, os autores apresentam um guia no qual são expostos todos os pontos de cada questão e para cada uma delas as respostas devidas e adequadas sempre tendo como diretriz o que eles denominam como “Ciência Liberal”.

Para nós, profissionais de Recursos Humanos, estamos cientes de que a Teoria e suas pautas ativistas já bateram nos portões das grandes corporações que na prática são chamadas de "empresas lacradoras". Sabemos muito bem que essas pautas foram muito bem recebidas e muito bem vindas por essas empresas. Cabe a cada profissional de RH estudar profundamente a questão, como os autores desse livro fizeram para saber lidar com cada uma dessas pautas da melhor maneira possível, ou seja, com uso da lógica e da razão.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

*Justiça Social, um credo dogmático que recusa a razão e as evidências científicas




“Há uma questão que começa nas nossas universidades e chega até a Justiça Social. O aspecto mais imediato do problema é que o estudo acadêmico sobre Justiça Social é transmitido aos alunos, que depois vão para o mundo. Esse efeito é mais intenso nas áreas associadas à Justiça Social, que ensinam os alunos a serem céticos em relação à ciência, razão e evidências; a considerarem o conhecimento como vinculado à identidade; a captarem a dinâmica do poder opressor em cada interação; a politizarem cada faceta da vida; e a aplicarem os princípios éticos de forma desigual, de acordo com a identidade. Porém, a Justiça Social também se materializa como uma cultura predominante no campus, que aceita muitas dessas ideias como contextos óbvios. Nos Estados Unidos, atualmente, a maioria das universidades possui pré-requisitos de “diversidade”: essas ideias são ensinadas a todos, como parte do currículo geral. É comum subestimar esse problema. Costumamos deparar com a suposição de que, uma vez formados, os alunos terão que aprender habilidades para se colocar no mercado de trabalho e que isso resolverá a questão assim que ingressarem no “mundo real”, eles terão que deixar para trás essas posições ideológicas a fim de encontrar emprego. Mas e se eles simplesmente levarem as suas crenças para o mundo profissional e recriarem esse mundo para se ajustar a eles?

Infelizmente, é exatamente isso que vem acontecendo. O mundo real está mudando para absorver as habilidades desses alunos, e uma indústria de Justiça Social, que já vale bilhões de dólares, está se formando, toda dedicada a treinar empresas e instituições a promulgar e policiar A Verdade Segundo a Justiça Social. Um novo cargo intitulado (com uma ou outra variação) “Diretor de Diversidade, Equidade e inclusão” foi criado para mudar a cultura organizacional de acordo com a ideologia da Justiça Social [...]

No entanto, os diretores de diversidade. Equidade inclusão não se limitam à academia; eles também afloram nos departamentos administrativos e de recursos humanos, inclusive nas prefeituras. De acordo com um importante site de classificados de emprego no Reino Unido, empregos para cargos relacionados à igualdade e diversidade são especialmente comuns na Equality and Human Rights Commission, em associações profissionais, na Law Society, em escolas e universidades, na polícia, em grandes empresas do setor privado, nos sindicatos. Tornaram-se regra, e não a exceção. Portanto, esses diretores e executivos exercem um poder institucional, social e cultural significativo [...]

Talvez não seja surpreendente que as grandes corporações tenham cedido tão facilmente à pressão da Justiça Social. Afinal, o objetivo prioritário delas é ganhar dinheiro, e não defender valores liberais. Como a maioria dos consumidores e eleitores dos países ocidentais apoia a ideia de gral de justiça social, e como a maioria das pessoas não consegue entender a diferença entre justiça social e Justiça Social, as grandes corporações por vezes optam por ceder às demandas dos ativistas pela Justiça Social, pelo menos em questões menores que não afetam muito os resultados financeiros, por achar que esse é um modo astuto de manter um relacionamento favorável com o seu público.[...]

Portanto, não é exagero observar que os Teóricos da Justiça Social criaram uma nova religião, uma tradição de fé que é ativamente hostil à razão, à refutação, ao desmentido e à discordância de qualquer tipo. Na verdade, todo projeto pós-moderno agora parece, em retrospecto, uma tentativa inconsciente de desconstrução de velhas metanarrativas do pensamento ocidental – ciência, razão, juntamente com religião e sistemas econômicos capitalistas – para abrir espaço para uma religião totalmente nova, uma fé pós-moderna baseada em um Deus morto, que vê misteriosas forças mundanas em sistemas de poder e privilégio e que santifica a vitimização. Cada vez mais, essa é a religião fundamentalista da esquerda teoricamente secular [...]

A Teoria não permaneceu confinada à academia. Primeiro, aplicado, depois reificado, o pós-modernismo sob a forma de Justiça Social deixou as universidades, difundiu-se - com zelo evangélico – por meio de diplomados e através das redes sociais e do jornalismo ativista [...]”

As abordagens da Justiça Social que se concentram exclusivamente na identidade grupal e ignoram a individualidade e a universalidade estão condenadas ao fracasso pela simples razão de que as pessoas são indivíduos e compartilham uma natureza humana comum. A política identitária não é um caminho para o empoderamento.”

Meus comentários: os autores distinguem os termos justiça social (com letras minúsculas) e Justiça Social (com letras maiúsculas). O primeiro os autores descrevem os significados mais amplos e genéricos do termo; e o segundo, trata-se de um credo identitário dogmático criado por acadêmicos teóricos pós-modernistas para fins de violento ativismo político que não admite evidências racionais, lógicas e científicas.  Já está em elaboração uma resenha desse livro neste blog.

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*Excertos extraídos do livro, " Teorias Cínicas", de Helen Pluckrose e James Lindsay, editora Faro Editorial,  1ª edição, São Paulo/2021

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