quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Salários Iguais para Homens e Mulheres ?

Um estudo realizado pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), mostra que se políticas de igualdade salarial para homens e mulheres não forem aceleradas, serão necessários 87 anos (sabe-se lá como chegaram a este enigmático e preciso número de anos!) para que isso aconteça. Por outro lado, a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire, vê motivos para comemorar a redução das desigualdades salariais, reconhecendo entretanto que é preciso acelerar o ritmo de implementação de tais políticas, e mais, segundo o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, doses maciças e contínuas de políticas afirmativas de Estado serão necessárias.

Mas será que existe motivos para comemorar igualdade de salários para homens e mulheres? Será que políticas estatais são mesmo necessárias?
Vejamos o que diz o economista Walter Block na sua perfeita análise de igualdade salariais para homens e mulheres:

“Leis que estabelecem salários iguais para trabalhadores iguais. A questão aqui é, naturalmente, como definir “trabalhos iguais”, se isso é tomado literalmente e abrangendo todos os aspectos da produtividade do empregado, tanto a curto quanto a médio prazos, inclusive os diferenciais psíquicos, a discriminação pelos clientes e pelos outros trabalhadores, a habilidade do empregado de entrosar-se com os gostos, não gostos e idiossincrasias do empresário. Em resumo, todos esses componentes devem ser pesados, se trabalho igual significa, para o empresário, exatamente o mesmo que lucratividade igual. Só então, no livre mercado, trabalhadores com essas mesmas habilidades tendem a ganhar salários iguais. Se, por exemplo, as mulheres ganhassem menos do que os homens, mesmo sendo trabalhadoras tão boas quanto eles, nesse sentido, entrariam em cena forças que, ao levarem a situação a um desfecho, assegurariam o pagamento igual. Como? O empregador poderia ganhar mais dinheiro substituindo funcionários por funcionárias. A demanda por trabalhadores homens diminuiria, baixando, assim, os salários dos homens; e cresceria a demanda por trabalhadoras mulheres, elevando os salários das mulheres. Cada empresário que substituísse um homem por uma mulher teria uma vantagem competitiva sobre o que se recusasse a fazê-lo. Os empregadores maximizadores de lucros teriam lucros continuamente maiores do que os empregadores discriminadores. Os maximizadores de lucros teriam condições de vender mais barato do que os discriminadores e, sem a concorrência de qualquer outro fator, eventualmente levá-los à falência.

Na pura realidade, entretanto, os proponentes de salários iguais para trabalhos iguais não têm em mente esse tipo estrito de igualdade. Sua definição de “igualdade” são os mesmos anos de escola, habilidades equivalentes, escolaridade equivalentes e, talvez, resultados similares em testes de aptidão. No entanto, indivíduos virtualmente idênticos, no que se refere a esses critérios, podem ter capacidades extremamente diferentes de gerar lucros para os empregadores. Por exemplo: Consideremos dois trabalhadores, um homem e uma mulher, idênticos no que toca a resultados de testes e nível de escolaridade. É de fato incontestável que, em caso de gravidez, o mais provável, de longe, é que a mulher fique em casa e crie o filho. Considerar se esse costume é ou não justo, não é relevante. Relevante é o que efetivamente acontece. Se a mulher fica em casa, interrompendo uma carreira ou um emprego, ela passa a valer menos para o empregador. Neste caso, embora os candidatos homem e mulher estejam identicamente qualificados para o cargo, a longo prazo o homem será mais produtivo do que a mulher e, portanto, mais valioso para o empregador.

Paradoxalmente, muitas peças de evidência indicando que homens e mulheres não são igualmente produtivos surgem do próprio movimento de liberação da mulher. Há vários estudos em que homens e mulheres foram testados, primeiro em grupos isolados uns dos outros e então juntos, competindo um com o outro. Em alguns casos, quando os grupos eram testados isoladamente, as mulheres demonstravam claramente que tinham habilidades inatas maiores do que os homens. Ainda assim, quando os dois grupos eram testados em competição, os homens invariavelmente obtinham melhores escores do que as mulheres. Deve-se enfatizar, novamente, que a preocupação aqui não é com a equidade dessas concorrências, e sim com os efeitos. A questão é que, no mundo do trabalho, as mulheres frequentemente se encontram em situação de competição com os homens. Se elas se submetem constantemente aos homens e não conseguem dar o máximo de si ao competir com eles, são, na verdade, menos úteis ao empresário, para obtenção de lucro. Se a mulher é igual ao homem nos resultados dos testes e inferior a ele na maximização de lucros, então a lei de salários iguais por trabalhos iguais se mostra desastrosa para as mulheres.

Isso é calamitoso, porque os incentivos à maximização de lucros são revertidos. Em vez de o mercado dar um forte impulso à contratação de mulheres e dispensa de homens, os empregadores estarão motivados a demitir mulheres e contratar homens para o seu lugar. Se eles forem forçados a pagar o mesmo salário a homens e mulheres, muito embora não sejam igualmente produtivos, o aumento dos lucros de dará na medida em que os trabalhadores homens substituam as mulheres. Os empregadores inclinados a adotar o ponto de vista feminista, insistindo em manter trabalhadoras mulheres, terão seus lucros reduzidos e perderão sua fatia de mercado. Os empregadores que prosperarão, serão os que não empregarem mulheres.

Devemos destacar que a tendência de mulheres que sejam realmente iguais aos homens em produtividade, receberem salários iguais só existe no livre mercado regido por lucros e perdas. Somente na livre iniciativa há incentivos financeiros para contratar mulheres altamente produtivas e desvalorizadas, para "tirar proveito" de sua condição e, com isso, aumentar seus salários.

No governo e nos setores sem fins lucrativos, esses incentivos orientados para o lucro estão, por definição, ausentes. Não é nem um pouco por acaso, então, que virtualmente todos os abusos reais das mulheres nesse sentido tenham lugar no governo e nas áreas sem fins lucrativos, como escolas, universidades, bibliotecas, fundações, serviço social e serviços públicos. Há poucas alegações de salários mais baixos para mulheres em campos da iniciativa privada como informática, propaganda ou mídia." (Extraído do livro, Defendendo o Indefensável, de Walter Block, Editora, Ortiz).

Como podemos ver, a defesa da igualdade salarial para homens e mulheres é equivocada e não se sustenta, naturalmente, à luz de uma análise mais profunda levando-se em conta as leis de mercado e da lucratividade das empresas.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Não Eclipsar o Patrão

"Toda derrota provoca ódio, e superar o chefe tanto é tolo quanto fatal. A supremacia é sempre detestada, em especial pelos superiores. O sábio deve ocultar as vantagens comuns, assim como se disfarça a beleza com um toque de desalinho. A muitos não incomoda ser superado em riqueza, caráter ou temperamento, mas ninguém, em especial um soberano, gosta que lhe excedam em inteligência. Trata-se, afinal do maior dos atributos, e qualquer crime contra ele constitui lesa-majestade. Os soberanos querem sê-lo no que é mais importante. Os príncipes gostam de ser ajudados, mas não sobrepujados. Ao aconselhá-los, faça-o como se os lembrasse de algo esquecido, não como se acendesse a luz que ele é incapaz de ver. Os astros nos ensinam tal sutileza. São filhos e brilhantes, mas nunca rivalizam com o sol."

Texto extraído da página 27, Aforisma nº 7 do Livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, Editora Martin Claret.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Modelo Rescisão Contratual Empregada Doméstica


Temos aqui a seguinte situação: Uma empregada doméstica admitida em 01 de Abril de 2008 com demissão sem justa causa (demissão normal) em 14 de Agosto de 2008. Foi-lhe entregue comunicado que à partir do dia seguinte ela estaria em cumprimento do Aviso Prévio. Ocorre que a empregada pediu dispensa de cumprir o Aviso, no entanto, foi-lhe comunicado que a dispensa de cumprir o Aviso não seria possível, e como de praxe e por escrito, em caso do não cumprimento do Aviso Prévio, o valor seria descontado de suas verbas rescisórias, ou seja, o valor de R$ 500,00, que ela tomou ciência ao assinar o comunicado. Então, temos os seguintes valores:

- Saldo de Salário: 500,00/ 30 x 14 = 233,38
- 13º Proporcional: 4/12 avos = 166,68
- Férias Proporcionais: 4/12 avos = 166,68
- 1/3 Férias = 55,56
- Sub-Total = 622,30
Descontos:
- Aviso Prévio = 500,00
- INSS 8% = 32,00
- Sub-Total= 532,00
Total a Receber= 90,30

São 4/12 avos de 13º Proporcional e de Férias Proporcionais, porque para que a empregada fizesse jus a 5/12 avos teria que trabalhar pelo menos até o dia 15 de Agosto para que a contagem fosse do mês cheio. Como ela foi demitada um dia antes, conta-se apenas os 4/12 avos (Abril, Maio, Junho e Julho) para os cálculos das verbas rescisórias.

A previdência social de 8% é sobre o Saldo de Salário e 13º proporcional. Não há incidência de previdência sobre Férias proporcionais e nem sobre 1/3 das Férias pagas na rescisão.

O modelo do recibo de quitação das verbas rescisórias foi elaborado no aplicativo Excel.








segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Jogos de Tabuleiro no processo de Seleção de Pessoal

Nestes últimos tempos, os jogos de tabuleiro ganharam um amplo destaque. São jogos modernos para adultos, que em curto prazo conquistaram a simpatia de um número infinito de adeptos. Nomes como, Carcassone, Railroad Tycoon, On The Underground, Puerto Rico, Agrícola, Cuba, Ticket To Ride, Container, Conquest, WFF’N Proof entre muitos outros, fazem a alegria e muito sucesso entre os jogadores praticantes.


Divididos em jogos por categorias tais como, Estratégia Abstrata, Logística, Economia, Finanças, Lógica , Matemática, etc, há jogos para todos os gostos. É justamente aí que entra a utilidade corporativa de tais jogos. Já existe um grande número de empresas que utiliza esses jogos no processo de seleção de pessoal, sobretudo nas Dinâmicas de Grupo. Por serem jogos de longa duração que levam entre uma a 4 horas de competição e que necessitam de 4 a 8 até 10 participantes, conforme o jogo, são jogos que atendem perfeitamente às expectativas de resultado numa dinâmica de grupo, além da diversão que proporcionam aos participantes. As empresas que adotaram os jogos, têm revelado satisfação nos resultados obtidos, pois através da observação minuciosa dos participantes durante a partida, é possível inferir os atributos de comportamento de cada um deles, ou seja: Participação, dinamismo, espírito de equipe, otimismo ou pessimismo diante de desafios e situações complexas, perseverança, persuasão, assertividade, liderança, criatividade, frustração, como o participante lida com a derrota, etc. Segue um breve resumo de alguns:

O jogo Container, por exemplo, classificado na categoria de Logística, é sobre grandes navios e grandes produções. Os jogadores é que decidirão o que produzir e quais mercadorias de outros jogadores serão embarcadas para uma ilha remota, sendo possível definir os preços das mercadorias para maximizar os ganhos. Chegando na ilha, os jogadores passam a ser compradores. As ofertas serão feitas pelas mercadorias que atracam com os barcos a cada dia na ilha.


No Jogo On The Underground, os jogadores são responsáveis pelo controle absoluto e funcionamento de uma rede de metrôs na hora do rush, não podendo descuidar de cada mínimo detalhe na operacionalidade dos trens para que não aja atrasos, reclamações de clientes, estrangulamento de tráfego ou acidentes e mesmo em caso de ocorrências graves, como agir rapidamente com eficácia.


Já em Railroad Tycoon, o tema é a construção de uma estrada de ferro para transformá-la num vasto império, com conexões à New York, Chicago com o objetivo de ganhar o máximo de dinheiro possível, desenvolvendo locomotivas rápidas e eficientes e ampliando a malha ferroviária.




O Jogo WFF’N Proof (Well-Formed-Formula, ou, Fórmulas bem formadas), sucesso há 40 anos, é um excelente e famoso jogo de Lógica e Matemática usado inclusive em salas de aulas para aprimorar o raciocínio e a capacidade de argumentação e motivação.







No jogo Puerto Rico, uma das grandes sensações do momento, os jogadores são proprietários de fazenda em Puerto Rico. São plantados diferentes tipos de produtos: Índigo, Café, Milho, Tabaco, Açucar, Café. Os jogodors devem desenvolver seus negócios mais rapidamente em relação aos seus oponentes.




Por enquanto, esses jogos ainda não são fabricados no Brasil, a maioria deles é de procedência européia e o único impecilho em obetê-los é o custo da importação, mas vale a pena o investimento, pois trata-se de mais uma alternativa eficiente e divertida no processo de seleção de candidatos.

Para saber um pouco mais a cerca desses e muitos outros instigantes jogos, visite o site Board Game Geek

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Prazo de Pagamento - Verbas Rescisórias - Aviso Prévio

Vamos analisar aqui a seguinte situação: A empresa demite um funcionário sem justa causa, no entanto, não dispõe de verba em caixa para efetuar a quitação devida no 10º dia. A empresa então, comunica ao funcionário que ele ficará afastado, ganhando como se estivesse trabalhando; desta forma, a empresa só terá que pagar as verbas rescisórias no primeiro dia útil após os 30 dias de Aviso Prévio. Essa prática tem respaldo no Artigo 4º da CLT, senão, vejamos o que diz o artigo: “Considera-se como serviço efetivo o período em que o empregado esteja à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, salvo disposição especial expressamente consignada”. Como nada consta no elenco do Artigo 487 da CLT, há numerosas decisões, inclusive do Tribunal Superior, que o tem como Aviso Prévio Indenizado, do que decorre que a rescisão deveria ter sido feita no 10º dia útil e não no 31º, resultando na multa por atraso. Há divergências! Não há lei nenhuma que mande ou obrigue o empregador dar serviço ao empregado durante a relação de emprego, que compreende, inclusive, o período do Aviso Prévio. Não se pode confundir empregado “Dispensado de trabalhar no período do Aviso”, com empregado dispensado de “Cumprir o Aviso Prévio”. O primeiro, continua empregado nos 30 dias, embora sem prestar serviço, (porém, deve estar sempre à disposição quando solicitado pela empresa a comparecer ao trabalho) ao passo que o segundo se desliga de imediato.

Tanto empregado e empregador, ganham nesse tipo de situação. O empregado ganha muito mais tempo livre e disponível para buscar uma nova colocação no mercado de trabalho, ficando livre da situação desconfortável de ser demitido e ainda ter que permanecer nas dependências da empresa, sobretudo se sua demissão foi causada por alguma situação de conflito interno. Por outro lado, a empresa ganha além do tempo suficiente para fazer caixa para quitação das verbas rescisórias do ex-funcionário, livra-se também da situação desconfortável em manter um funcionário demitido em suas depedências.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A Questão da Divisão do Trabalho (Por Adam Smith)

"Na realidade, a diferença de talentos naturais em pessoas diferentes é muito menor do que pensamos; a grande diferença de habilidade que distingue entre si pessoas de diferentes profissões, quando chegam à maturidade, em muitos casos não é tanto a causa, mas antes o efeito da divisão do trabalho. A diferença entre as personalidades mais diferentes, entre um filósofo e um carregador comum da rua, por exemplo, parece não provir tanto da natureza, mas antes do hábito, do costume, da educação ou formação. Ao virem ao mundo, e durante os seis ou oito primeiros anos de existência, talvez fossem muito semelhantes entre si, e nem seus pais nem seus companheiros de folguedo eram capazes de perceber nenhuma diferença notável. Em torno dessa idade, ou logo depois, começam a engajar-se em ocupações muito diferentes. Começa-se então a perceber a diferença de talentos, sendo que esta diferenciação vai-se ampliando gradualmente, até que, ao final, o filósofo dificilmente se disporá a reconhecer qualquer semelhança. Mas, sem a propensão à barganha, ao escambo e à troca, cada pessoa precisa ter conseguido para si mesma tudo o que lhe era necessário ou conveniente para a vida que desejava.

Todos devem ter tido as mesmas obrigações a cumprir, e o mesmo trabalho a executar, e não pode ter havido uma tal diferença de ocupações que por si fosse suficiente para produzir uma diferença tão grande de talentos. Assim como é essa propensão que gera essa diferença de talentos, tão notável entre pessoas de profissões diferentes, da mesma forma, é essa mesma propensão que faz com que a diferença seja útil. Muitos grupos de animais, todos reconhecidamente da mesma espécie, trazem de nascença uma diferença de “índole” muito maior do que aquela que se verifica entre as pessoas, anteriormente à aquisição de hábitos e à educação. Por natureza, a diferença entre um filósofo e um carregador de rua, no tocante ao caráter básico e à disposição, não representa sequer 50% da diferença que existe entre um mastim e um galgo, ou entre um galgo e um spaniel, ou entre este último e um cão pastor.

Entretanto, esses tipos de animais, embora sendo da mesma espécie, dificilmente têm qualquer utilidade uns em relação aos outros. A força do mastim não se beneficia em nada da velocidade ou rapidez do galgo ou da sagacidade do spaniel ou da docilidade do cão pastor. Os efeitos provenientes dessas diferenças de “índole” e talentos, por falta da faculdade ou propensão à troca, não são capazes de formar um patrimônio comum, e não contribuem o mínimo para o melhor atendimento das necessidades da espécie. Cada animal, individualmente, continua obrigado a ajudar-se e defender-se sozinho, não dependendo um do outro, não auferindo vantagem alguma da variedade de talentos com a qual a natureza distinguiu seus semelhantes. Ao contrário, entre os homens, os caracteres e as habilidades mais diferentes são úteis uns aos outros; as produções diferentes e dos respectivos talentos e habilidades, em virtude da capacidade e propensão geral ao intercâmbio, ao escambo e à troca, são como que somados em um cabedal comum, no qual cada um pode comprar qualquer parcela da produção dos talentos dos outros, de acordo com suas necessidades."

Excerto extraído do 2º capítulo, Vol.1 do livro "A Riqueza das Nações", de Adam Smith, editora Martins Fontes.