quinta-feira, 19 de março de 2015

Leitura recomendada: Professor não é Educador -Armindo Moreira

"O educador usurpa uma função que é da família"
 (Armindo Moreira)


Eis aqui um pequeno livro em sua forma, mas gigantesco em seu conteúdo. Escrito pelo professor e mestre em Filosofia, Armindo Moreira, o livro “Professor não é Educador”, incomodou professores, causou desconforto em diretores de escolas e profissionais da área de pedagogia, todos reféns de teorias rasteiras esquerdistas, entre as quais e, sobretudo a pedagogia do oprimido, do vigarista e plagiador Paulo Freire, hoje desmascarado e desacreditado pelos seus próprios pupilos. Pena que ainda hoje incautos ainda depositam credibilidade nesse escroque, pois o que sua “pedagogia” deixou foi um flagelo para a educação no Brasil refletindo diretamente no mercado de trabalho.

O professor Moreira com muita lucidez, define claramente logo no início de seu livro o que é Educação: “Educar é promover, na pessoa, sentimentos e hábitos que lhe permitam adaptar-se e ser feliz no meio em que há de viver”. Essa tarefa não cabe ao professor obviamente, mas somente à família. Cabe ao professor a missão de Instruir. De acordo com o professor, "Instruir é proporcionar conhecimentos e habilidades que permitam à pessoa ganhar o seu pão e seu conforto com facilidade".

Em razão disso, podemos interagir no dia a dia com pessoas cultas e instruídas, e no entanto mal educadas, da mesma maneira que podemos interagir com pessoas sem nenhuma instrução, porém com esmerada educação. Diz o professor: "A instrução, por si mesma, não dá felicidade. Porém, é difícil conceber que um homem bem educado venha a ser infeliz".

Essa confusão proposital entre Educar e Instruir começou no início do século XX, por interesse exclusivo de governos totalitários. Eles criaram os famigerados ministérios da educação para “educar” o povo ao sabor de suas ideologias nefastas. E isso não foi uma exclusividade somente do Brasil. De lá para cá, a Instrução foi trocada pela Educação e o resultado dessa patacoada sabemos muito bem qual é. O politicamente correto que nos diga.

Vale a pena citar um trecho sobre o Insucesso Escolar, pois está diretamente implicado com o apagão de talentos profissionais:

"Há três tipos de insucesso escolar. Primeiro: o aluno abandona a escola. Segundo: o aluno não é promovido. Terceiro: o aluno é promovido sem mérito.
No primeiro caso, o prejuízo é mais individual do que social. No segundo caso, o prejuízo é tanto individual quanto social, porque a par dos prejuízos individuais, ocorre a perda dos custos sociais que a comunidade suportou para que o aluno freqüentasse a escola. No terceiro caso, os prejuízos são sociais. O terceiro tipo de insucesso traz à sociedade prejuízos incomensuráveis – mediante a incompetência de médicos, engenheiros, condutores de automóveis, mecânicos, químicos, etc. Talvez o Código Penal devesse contemplar severamente quem emite diploma para incompetentes".

O professor aborda ainda com muita propriedade a questão da disciplina escolar, responsabilidade absoluta do diretor da escola e não do professor em sala de aula; esculacha com o modismo da educação integral que em sua opinião não leva a nada e nem disse a que veio; critica o excesso de figuras desnecessárias nos livros didáticos; o equivoco em usar quadro na cor verde ao invés do tradicional quadro negro (e está coberto de razão sob o aspecto ótico); demole o cânone tão em voga de que o professor deve descer até o aluno; destrói a falácia do conflito de gerações; faz uma feroz crítica aos historiadores que fazem da disciplina de História ferramenta de doutrinação ideológica.

Enfim, são muitos temas pertinentes ao ensino que o professor Moreira desenvolve com maestria e deliciosa e refinada ironia filosófica, dignas de um grande mestre do ensino.

A elaboração de um currículo escolar que não seja efêmero e que dure pelo menos 20 anos, desenvolver a criatividade através do fornecimento de muitas idéias e também fomentar o hábito de observação atenta, são apenas algumas das soluções que o professor nos apresenta. Mas a principal delas a qual assino em baixo é subtrair o ensino à influência deletéria dos governos.

Portanto, não cabe ao Estado a responsabilidade do ensino de maneira alguma. Compactuo com a tese do professor Moreira: extinção do MEC já, agora, imediatamente! Em seu lugar, deveria atuar uma junta autônoma de ensino (JAE), administrada por professores profissionais eleitos por professores profissionais, atuando independentes da ação política-ideológica. O objetivo seria unicamente "preparar o cidadão para entrar competente no mercado de trabalho e viver com saúde".

E que ninguém mais se engane e nem se deixe enganar: Educação e Instrução não são sinônimos! A família, Educa, o professor, Instrui.

Um comentário:

proglaessel disse...

Excelente o texto Olavo, claro, lúcido e elucidativo, nem cabes sugestões ou questionamentos.