segunda-feira, 30 de agosto de 2021

A figura do alcagueta no ambiente de trabalho



Infelizmente na maioria das empresas com raras exceções convivemos com a indefectível e repugnante figura do alcagueta. Também chamado de delator, puxa saco, linguarudo, dedo duro, fofoqueiro, X9, espião, etc.. Essa figura já se tornou folclórica no ambiente de trabalho. E tanto faz, pode ser do sexo feminino ou masculino, lá está ele marcando presença sempre à espreita de um flagrante de um colega de trabalho para denunciá-lo ao supervisor ou até mesmo diretamente ao proprietário da empresa. A atriz Emily Blunt no filme "O Diabo Veste Prada" interpretou magistralmente um tipo desses, aliás na minha opinião ela foi protagonista das melhores cenas do filme. Não é muito fácil lidar com esse tipo, vejamos então um típico alcagueta em ação:


Está sempre olhando o relógio para ver quem chega atrasado, é o primeiro a saber (sabe Deus como) quando uma colega está grávida, sabe quem está enviando currículos porque está insatisfeito com o emprego, sabe quem na reunião do cafezinho está falando mal do supervisor e do próprio empregador, está sempre de olho em quem conversa mais do que trabalha. É capaz de passar de carro nos arredores da empresa na calada da noite para ver se o vigia está fazendo a ronda ou dormindo na guarita, sim já tive o desprazer de trabalhar com um sujeito desses. E tudo isso é passado em detalhes para o gestor do espionado ou até mesmo diretamente para o diretor da empresa.


O pior de tudo é que essa figura tem alguma (às vezes muita!) credibilidade e tolerância por dois motivos básicos: primeiro, porque não inventa nada, tudo que ela reporta é quase cem por cento verdade (alguns chegam até a aumentar os fatos para piorar a situação) e segundo, por ser um bajulador nato, muitos supervisores e patrões adoram uma bajulação, ainda que ela não seja autêntica. Por isso, em algumas empresas essa figura goza de algum prestígio e respaldo.


Não é nada fácil identifica-lo, principalmente os novatos que estão chegando. Ele é sempre uma figura simpática, prestativa, amigão para o que der e vier, costuma dar presentinhos irrecusáveis tais como, balas, confeitos e chocolates. É amável, gentil, está sempre sorrindo e às vezes até ajuda a falar mal do chefe, pois jogar o verde para colher maduro é uma de suas ferramentas favoritas.


Bem, uma figura dessas é lógico que é desprovida de conduta ética profissional, não quer aprender a tê-la e tem raiva (muita raiva) de quem a possui. Na verdade, o alcagueta barganha com si próprio a falta de habilidade profissional pela delação (premiada ou não, alguns o fazem por puro prazer e inveja do colega) de seus colegas de trabalho. Todos os delatores sem exceção deixam a desejar no desempenho de suas funções, e isso é fato. Por isso, falar apenas o necessário perto dessas figuras é uma excelente defesa, mesmo assim ele poderá te delatar por te achar um tanto quanto apático ou pernóstico.


Provavelmente a única maneira de se livrar dessa figura é na entrevista de recrutamento e seleção. Uma entrevista bem feita poderá sim detectar um alcagueta, basta fazer as perguntas certas. Mesmo assim se ela conseguir dar um olé no entrevistador, a segunda entrevista que vai checar as habilidades profissionais é fatal. Pois, como eu disse, em praticamente cem por cento dos casos, o alcagueta é ruim no que faz, não tem expertise profissional. Ser falastrão e histriônico são duas características marcantes do alcagueta. No entanto, se na maioria das empresas essa figura está presente, significa que o recrutamento está falhando em algum ponto. O trabalho na modalidade Home Office também afasta a presença dessa inoportuna figura.


É claro que muitos empregadores têm ojeriza a esse tipo de figura e na próxima lista de cortes e demissão, o dedo duro é o primeiro a ser limado. É sempre bom lembrar, o dedo duro é sempre improdutivo como profissional. Por outro lado, existem aqueles empregadores que até estimam esses tipos podendo até a promovê-los a gestor sem qualquer mérito ético-profissional. E se isso acontecer é sinal (mal sinal, diga-se de passagem) que o empregador seja também desprovido de ética profissional tanto quanto ou até pior que a figura. Talvez então tenha chegado aquele momento game over, é hora de começar a enviar currículos e trocar de emprego.


segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Aprenda com Miles Davis a transformar erros em acertos



Não, não é um artigo sobre autoajuda, mesmo porque Miles Davis (1926-1991) não foi um escritor que escreveu sobre essas bobagens. Miles Davis foi um tremendo monstro e bandleader do Jazz e que praticamente continua sendo um divisor de águas nesse estilo. É autor do mais importante álbum da história do Jazz, "A Kind of Blues". Podemos dizer que o Jazz existe antes e depois de Miles Davis, mas isso já é tema para outro artigo. A lição desse artigo foi contada por outro monstro do Jazz, o gigantíssimo pianista Herbie Hancock, membro durante muito tempo da banda de Davis e que aprendeu com o saudoso mestre a sair de situações conflitantes.


Herbie Hancock conta uma situação que o deixou absurdamente assombrado. Foi numa apresentação ao vivo em Stuttgart, Alemanha em 1963 que contava com Miles Davis (trumpet), Herbie Hancock (piano) Ron Carter (baixo acústico), Tony Williams (bateria) e Wayne Shorter (sax alto). Como podem ver, só feras no palco!


Durante a execução de uma belíssima e clássica composição de Davis, “So What!”, lá pelo meio da música quando Miles executava seus brilhantes solos de trumpet, Hancock ao piano erra feio o acorde. Tudo acontece numa fração de segundo que faz Hancock levar as mãos à cabeça pelo erro. Miles percebe o erro e também numa fração de segundo executa um fraseado no trumpet que faz com que o erro de Hancock se transforme em acerto! A sensibilidade de Miles naquele instante na escolha das notas deixou Hancock literalmente desconcertado, segundo ele, um momento que ele nunca e jamais vai se esquecer.


Transformar erros em acertos é um desafio para poucos. Exige treino (muuuuito treino), estudo, pesquisa, leitura, perspicácia e gigantesca percepção da realidade. O resultado disso é o aprimoramento das habilidades, seja lá em qualquer profissão que seja. O que num primeiro instante pode parecer improviso de momento, na verdade tem anos de treino por trás. É a mesma situação para quem fala de improviso em público, a pessoa já treinou infinitas vezes variadas situações que ficaram gravadas na memória e que a qualquer momento ela vai precisar colocar alguma delas em prática.


Miles Davis tinha uma frase que ele gostava de repetir: "Quem não erra já está cometendo um erro". Aprender com os erros e transformá-los em acertos é  um dos grandes exercícios para treinar as habilidades. Foi o que Miles fez naquela noite em Stuttgart. Hancock em seu depoimento sobre Miles, diz que Miles o ensinou a transformar veneno em remédio. Essa é a grande lição que o mestre nos legou: sempre poderemos extrair algo bom de uma situação ruim. Tentemos sempre,  não é fácil, podemos errar, vamos errar, e isso quer dizer então que estamos no caminho certo.


Abaixo o vídeo do depoimento do pianista Herbie Hancock.




 

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Mas que raios é esse tal de trabalho informal?





Normalmente e na maioria dos casos, as palavras não alcançam o real significado do que pretendem, são apenas construção social. O pior é que muita gente por falta de referências acaba aceitando e abraçando esses conceitos sem se darem conta que são apenas palavras soltas ao léo e quase sempre pejorativas. É o caso dessa definição estapafúrdia denominada “trabalho informal”. Mas quem inventou essa bobagem? Vamos lá:


Em geral, tipos de besteiras dessa natureza são sempre criadas por gente que não tem o que fazer. Alguém se arrisca em um palpite? Quem pensou nos membros da OIT-Organização Internacional do Trabalho, meus parabéns, acertou em cheio! Ora, mas quem mais poderia ser? Poderia ser também obra de algum sindicato, mas o que é a OIT senão um sincatão fuleiro de desocupados que ditam regras para o mundo, para empregadores e empregados que não os elegeram para isso?


Esse termo foi criado pela OIT no ano de 1972, citado pela primeira vez em um documento denominado, “Relatório sobre as condições de trabalho em Gana e no Quênia”. É! Antes disso, ninguém mencionava esse termo. Esse termo caiu no colo dos sindicalistas “soças” e virou anátema no âmbito das relações de trabalho, sobretudo em países nos quais os sindicatos andam em lua de mel com governos socialistas como foi o caso do Brasil até tempos atrás. Hoje isso acabou ainda bem.


O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE em sua pesquisa nacional de amostras por domicílio (PNAD) informa que 39,7% da população empregada no Brasil, o que corresponde a 34 milhões de pessoas, o que não é pouca coisa, estão na “informalidade”.  Nos últimos meses 81% dos postos de trabalho abertos estão na “informalidade”. A própria Organização Internacional do Trabalho-OIT num estudo denominado “Mulheres e Homens na Economia Informal”, aponta que 60 % das vagas no mundo estão no trabalho informal, o que corresponde a dois bilhões de pessoas.


E o que se entende por trabalho informal? Segundo os criadores do termo, é aquele sem carteira assinada, ou seja, sem vínculo empregatício, sem contribuição previdenciária, sem FGTS e claro, sem todo aquele pacotaço denominado “direitos trabalhistas” que, diga-se de passagem, já comentei inúmeras vezes em meus artigos, são “direitos” mais artificiais do que sabores de gelatinas coloridas ou pacotinhos de sucos em pó.


Ora, mas se de acordo com a OIT no mundo todo são dois bilhões (com certeza é mais do que isso, milhões de pessoas ficam fora da pesquisa) de pessoas trabalhando na informalidade é sinal de que isso não é tão ruim assim nem significa algo pejorativo, a não ser pelos ainda iludidos adoradores da CLT. Trocar o pacotaço de “direitos trabalhistas” por ser o patrão de si próprio e planejar a elisão fiscal de acordo com a sua possibilidade é a opção na ordem do dia para aqueles que estão procurando emprego. E quem faz essa opção dificilmente retorna para o que chamam de trabalho formal.


Portanto, não existe trabalho informal e assim sendo fica descaracterizado o que é chamado de trabalho formal, pois um não pode existir sem o outro. Trabalho é trabalho normal como qualquer outro, nem formal nem informal e ponto final.

 

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Funcionária demitida por justa causa por se negar a vacinar e a questão do indivíduo e do coletivo




Recentemente foi notícia nos veículos da imprensa a demissão por justa causa de uma funcionária de um hospital que se negou a tomar vacina contra a peste chinesa. Ela ajuizou ação trabalhista para reverter a justa causa e perdeu a ação na primeira e na segunda instância, pois o que foi alegado na sentença é que o interesse individual não se sobrepõe ao coletivo. Será? Nos meus quarenta anos de profissão considero esse episódio um dos mais graves e preocupantes sendo tal sentença uma das mais bizarras e tirânicas que já tomei conhecimento. Vamos por partes:


- Empresa sempre tem e sempre terá a prerrogativa de demitir


Pela milésima vez eu repito aqui que demitir empregados é prerrogativa inconteste de toda empresa, mesmo sem motivo algum. Não gostou da cara do funcionário? Olho da rua! É claro que estou dramatizando e zoando, no entanto, nenhuma empresa tem a obrigação de justificar os motivos de uma demissão. Porém, a coisa muda de figura e se complica bastante quando a demissão se dá por justa causa, como é o caso tratado em tela.


Demitir a funcionária por se negar a se vacinar contra a peste chinesa é perfeitamente coerente, afinal quem determina as normas e regulamentos internos é a empresa através da diretoria, supervisores e o RH. Mas cabe justa causa nesse caso? Baseada em qual alínea do artigo 482 da CLT que trata da justa causa? E não me venham com as alíneas "b" ou "h" porque nesse caso são facilmente refutáveis. Existe algum amparo legal para isso? Bem, o que existe é um documento emitido pelo Ministério do Trabalho bem no início da pandemia orientando para que, caso a empresa determine a imunização e o funcionário se negar a vacinar, ele poderia (poderia!) ser demitido por justa causa. Mas isso não se transformou em lei, um relatório não tem força de lei mas orientar e sugerir. Portanto, até o presente momento não há embasamento legal que justifique demissão por justa causa quando o funcionário declina da imunização. Demissão sim, justa causa, não.


- O que dizem os médicos


Todo médico sério, pautado pela ética profissional, realmente preocupado com a cura da enfermidade e devidamente imunizado da politização da doença é enfático e cirúrgico em dizer que a decisão de se vacinar é única e exclusiva do indivíduo. Nada poderá obrigá-lo a fazê-lo. E não poderia ser diferente. Além disso, quem foi infectado pela doença, o organismo já desenvolveu naturalmente anticorpos muito mais resistentes em relação aos anticorpos produzidos artificialmente pela vacina. Portanto, a orientação médica é no sentido de quem foi infectado pela doença não precisa e não deve se vacinar. Seria o caso dessa funcionária? Se sim, isso foi ignorado em nome dessa terminologia vazia  chamada de “coletivo”. Além disso, é sabido e notório que a vacina não é garantia plena de imunização.


- Indivíduo X Coletivo


Quer dizer que o interesse individual não se sobrepõe ao coletivo? Mas o que é o coletivo? Ora, o coletivo é apenas uma expressão retórica, trata-se de um conceito abstrato, ele não é real. É um conceito passado de modo doutrinário nos cursos de humanas, todos com viés progressista ou esquerdista (dá no mesmo) e os alunos engolem isso porque acham bonito. Quando cursei Ciências Sociais tive que provar dessa groselha indigesta. Todavia, na prática é um conceito fragilíssimo que vira pó de traque pela ótica da Escola Austríaca de Economia que obviamente os professores nunca ouviram falar. Quando um zé ruela vem com essa conversa que o coletivo se sobrepõe ao indivíduo, basta perguntar a ele: e o coletivo é formado de que, cara pálida?


Portanto, como se pode decidir algo em nome de algo que não é concreto mas apenas um conceito? Na verdade o coletivo é formado por indivíduos! De novo, formado por in-di-ví-du-os!  Estes sim, reais e de carne e osso. Cada indivíduo tem a sua história, suas particularidades, intenções peculiares, profissões diferentes, criação e formação diferentes, objetivos diferentes e desiguais e assim infinitamente. É tão difícil de entender isso? Ou será que tem que desenhar e explicar o desenho para a anta do RH da empresa e para a energúmena da juíza que confirmou a justa causa? Obviamente que essa sentença abre um enorme precedente para empregadores de má fé.


Então, aí está, essa é a justiça do trabalho, única no mundo, sustentada e mantida com o dinheiro suado de nossos impostos. Em nenhum país decente existe essa aberração. Ela se proclama paladina dos trabalhadores, porém suas sentenças embasadas em politicagem chinfrim acaba prejudicando quem ela diz defender. Confirmou injustamente a justa causa dessa reclamante com base em lei alguma e ao sabor da simpatia política dos magistrados pelos tiranos burocratas e ditadores de plantão que elaboram relatórios baseados em cientificismo. 


- O indivíduo pode ser tratado, o coletivo não!


Desde tempos remotos, a humanidade convive com pestes, doenças e pandemias, todas devidamente estudadas e tratadas pela ciência médica, sendo que a maioria delas foi totalmente erradicada. Com a peste chinesa, tem sido bem diferente, pois quem está tratando dela não é a ciência médica mas são os políticos tiranetes e burocratas encastelados. Estamos fritos, ai de nós, os indivíduos.

 

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Trabalhador não quer direitos trabalhistas, ele quer apenas um emprego



O primeiro trimestre de 2021, conforme dados do IBGE/PNAD (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios), fechou com uma taxa de 14,7% da população desempregada, o que representa um contingente de 14, 8 milhões de pessoas, o que não é nada pouco e bem desanimador. A região nordeste é a mais crítica, seguida da sudeste, norte e por fim a sul. Já há algum tempo essa taxa encontra-se estacionada e insiste em não abaixar. Já considerando a pandemia, o problema é mais embaixo, Ou seria mais em cima? Vejamos:


Há quem diga: mas e a população ativa de empregados que representa 85.650 mil pessoas ocupadas? Bem, se compararmos o total da população do Brasil, o número de ocupados é bem baixo e a taxa de desempregados é absurda. É evidente que até países desenvolvidos de primeiro mundo enfrentam problemas de desemprego, sobretudo com a crise da pandemia. No entanto, os índices de desemprego desses países estão dentro de parâmetros aceitáveis, oscilando entre 5 a 7%, enquanto no Brasil, a taxa de 14,7% é escandalosamente vergonhosa. E a tendência é só aumentar.


É preciso parar de colocar a culpa na pandemia ou na falta de qualificação profissional, pois esta última não é critério para o desemprego. Se não existisse piso salarial e salário mínimo, um empregador daria emprego sem problema algum para uma pessoa sem qualificação profissional disposta a receber uma remuneração condizente com o que ela sabe fazer. O principal responsável pela alta taxa de desemprego atende pelo nome de “direitos trabalhistas”, o que significa que o problema vem bem lá de cima.


Praticamente já esgotei o assunto em meus artigos sobre a artificialidade dos ditos “direitos trabalhistas”. Um contrato de serviço sinalagmático não gera direitos, mas a obrigação do contratante em pagar pelos serviços prestados pelo contratado. Direitos trabalhistas foram inventados por políticos matreiros (desculpem a redundância) para ganharem votos e depois se refestelarem torrando o imposto do contribuinte em mimos, lagostas, vinhos importados, seguranças armados até os dentes, etc e tal.


A taxa de aumento do desemprego, em qualquer país que seja sempre será proporcional ao aumento de “direitos trabalhistas” proporcionados pelo estado que obriga o empregador a cumpri-los, caso contrário, os empregadores ficam sujeitos à severas penas que inclui multas brutais, o fechamento da empresa e até mesmo a prisão do empregador dependendo do caso.


Basta perguntar a um trabalhador que está desempregado se ele prefere um pacote de direitos trabalhistas ou apenas um emprego, ainda que sem tais direitos. A resposta é óbvia ululante. Não são os direitos trabalhistas que vão pagar o aluguel ou a prestação da casa própria; as despesas de água, luz e internet, as despesas de vestuário e alimentação do trabalhador. O que paga tudo isso é o seu salário. Direitos trabalhistas não diminuem o desemprego,  não pagam contas, não contribuem para o desenvolvimento econômico do pais, apenas sustentam políticos e parasitas estatais.

 

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Leitura recomendada: Felicidade Construída, Paul Dolan



“O melhor jeito de se animar é tentar animar outra pessoa” (Mark Twain)


Mas quem não corre atrás da felicidade não é mesmo? Seja no ambiente familiar, social ou no trabalho, a felicidade às vezes é como tentar achar agulha no palheiro. No entanto, nesse espetacular livro “Felicidade Construída”, o professor Paul Dolan, (editora Objetiva), nos revela o caminho das pedras, ou melhor, ele não ensina como ser feliz, mas como um bom mestre que é, nos dá a vara de pescar para que cheguemos até ela.


Paul Dolan é inglês, formado em economia pela Swansea University, é professor de Ciências Comportamentais na London School of Economics e no Imperial College. É conselheiro da Academia Nacional de Ciências nos Estados Unidos em pesquisas sobre a felicidade. Portanto, temos aqui uma concepção interessantíssima de construção da felicidade através do ponto de vista de um economista.


De acordo com Dolan, a felicidade é determinada pela maneira como alocamos nosso tempo e nossa atenção. Equivocadamente, usamos nossos sentimentos de hoje para projetar o que sentiremos no futuro. O tempo é um recurso escasso, devemos usá-lo de maneira a ter mais prazer e propósito o maior tempo possível, pois, assim como não podemos recuperar o tempo perdido, a felicidade perdida agora está para sempre perdida.


É imprescindível que criemos um ambiente propício para a produção de nossa felicidade. E o grande problema que nos trava é alimentar expectativas muito altas para ser muito feliz. De acordo com Dolan, alimentar essas expectativas é comprovadamente um método certo de não atingi-la. As expectativas de felicidades devem ser modestas. Parece até óbvio, mas na prática as pessoas costumam apostar bem alto em seus projetos de felicidade e acabam frustradas. Construir a felicidade em doses homeopáticas é a receita correta para desfrutá-la.


Se o seu projeto de felicidade é ter uma casa com piscina, quadra de tênis e energia solar ou então almejar ser o diretor da empresa em que trabalha, com certeza você vai se frustrar. Ao passo que se o seu projeto de felicidade é chegar em casa, preparar uma xícara de chá e ouvir aquele cd favorito, você está no caminho certo.


Dolan, inclusive, cita a música como um excelente estímulo. Diz ele, “a música é uma forma poderosa de abrir a mente e afeta intensamente a região do cérebro associada às emoções positivas e a memória de um jeito que nenhum outro estímulo em nosso processo de produção de felicidade é capaz”. A prática de serviços voluntários também muito contribui para a pessoa se sentir bem e feliz.


Portanto, Felicidade Construída, é um livro que, tenho certeza, fará os leitores enxergarem a felicidade através de outro prisma. Afinal, felicidade não se encontra por aí no atacado ou no varejo, para obtê-la temos é que nós mesmos criar um ambiente e condições para construí-la.


segunda-feira, 14 de junho de 2021

Mudança de opinião em algumas questões trabalhistas





Ao longo dos anos atuando na área de Recursos Humanos, é natural que com o passar do tempo podemos mudar de opinião a respeito de assuntos pertinentes à área de nossa atuação profissional. Naturalmente que no início de minha carreira neste setor eu tinha opiniões sobre questões trabalhistas diferentes das que eu tenho hoje. A mudança de opinião é algo que vejo como positivo, não há nenhum demérito nisso, ao contrário, posições pétreas sobre certos temas às vezes não fazem mais sentido algum de acordo com o momento atual. Então, vejamos alguns temas pontuais que mudei minha opinião a respeito:


Carteira assinada: eu apostava nisso, quanto mais carteiras assinadas melhor para o trabalhador.  E já faz um bom tempo, muitos anos por sinal, que para mim isso não passa de uma grande bobagem e ilusão. A pejotização (alô, receita federal!) veio para ficar definitivamente. A “uberização” de serviços fala por si só. Nada como ser o patrão de si próprio, trabalhar na medida de suas necessidades e ter a liberdade de prestar serviços para quem bem entender. O que mais importa no meu entender é o fator empregabilidade, o que não quer dizer absolutamente ter carteira assinada, pois essa é que a impede àquela.


Previdência Social/Aposentadoria: a mesma coisa que o item acima.É óbvio que sem carteira assinada não há recolhimento previdenciário sem o qual não há aposentadoria. Já sabemos que a previdência social é um esquema Ponzi que está pra lá de falido e quebrado, a qualquer momento virá abaixo. Reformas da Previdência não adiantam, são apenas cortina de fumaça, outras virão por aí. Atualmente existe no mercado uma infinidade de alternativas disponíveis no que diz respeito à previdência privada. Vale muito a pena o investimento e com valores atrativos.


Agências de emprego: na condição de recrutador sempre tive um ótimo relacionamento com várias delas, mas quando precisei recrutar deficientes físicos para o cumprimento da Lei nº 8.213/92, todas elas sem exceção (sim, até aquela mais famosa e manjada que todos conhecem muito bem) me bateram a porta na cara ou então me mandavam listas desatualizadas em Excel cujos candidatos já haviam até mesmo falecido. Portanto, a minha consideração por agências e o que elas valem para mim é a mesma coisa que vale uma nota de R$ 3,00 reais.


Estabilidade no emprego: eu gostava disso, achava bonito quem ficava dez a quinze anos na mesma empresa. Que bobagem! E que coisa mais egoísta! Já há algum tempo que a vida útil de um funcionário na empresa não passa de quatro a cinco anos e olhe lá! Está muito bom assim, é tempo suficiente para adquirir expertise profissional para depois partir para ter o seu próprio negócio ou mesmo trabalhar por conta própria e dar lugar para outras pessoas que estão acabando de se formar e iniciando a carreira profissional. Se apegar ao cargo que exerce é algo por demais mesquinho, coloca o funcionário numa zona de conforto até que ele atinja a plenitude da incompetência. Leia o livro "Todo Mundo é Incompetente Inclusive Você (O Princípio de Peter)", de Laurence Peter que você entenderá o que estou dizendo.


Vestir a camisa da empresa: bem, isso daria um outro artigo com no mínimo uns cinco mil caracteres. É mister perguntar: o que nós definimos como “vestir a camisa da empresa”? Chegar no horário? Não faltar? Ser um exemplo em disciplina? Ser um funcionário padrão? Obedecer o empregador só porque manda quem pode e obedece quem tem juízo? Não, eu creio que nenhuma dessas alternativas está correta. Devemos sim vestir a camisa da empresa, no entanto, antes de vesti-la é preciso vestir a camisa do profissional que você é e que ela seja blindada com uma grossa camada de Ética Profissional.


Sobre a CLT: Desde o começo eu já encarava a CLT como algo muito ruim, tanto para empregado, bem como, para o empregador, afinal decorar 952 artigos ninguém merece. Entretanto, no começo de minha carreira eu até considerava a CLT como um mal necessário e sei que muitos profissionais do setor trabalhista ainda hoje também a encaram dessa forma. Com o tempo percebi que a CLT é um fator desagregador, um grande óbice para a empregabilidade e que joga empregado contra o empregador cujo único ganhador é sempre o estado (lembrando que jamais escreverei estado com e" maiúsculo) absoluto. Com a promulgação da Constituição Federal/88 que constitucionalizou os “direitos” trabalhistas, eu estava certo que a CLT seria jogada na lata de lixo da história. Infelizmente ela ainda resiste, efeito nefasto de um estado varguista paternalista que insiste em não cair de podre. Ela continua sendo um mal e agora mais do nunca absolutamente desnecessário, as leis naturais de mercado já enterraram a CLT há muito tempo, só não vê quem não quer.


Bom, mas são somente esses pontos? E quanto as outras questões trabalhistas, que diga-se de passagem não são poucas? Quem acompanha este blog conhece a minha posição a respeito, ou seja, direitos trabalhistas não existem de fato, são criados artificialmente por burocratas encastelados que nunca pisaram num departamento de pessoal e sem nenhuma experiência em gestão de RH. Leis trabalhistas sancionadas visam  única e exclusivamente a busca de votos e aumento de impostos. Esses burocratas parasitas não entenderam ainda (provavelmente fingem que não entendem) algo tão simples: o trabalhador não quer direitos trabalhistas, o trabalhador quer trabalhar e para isso ele precisa apenas de uma coisa: um emprego! Tem que desenhar isso para esses burocratas, explicar o desenho, desenhar a explicação do desenho e nem assim.





Livro: Como Escrever Boas Notas (Sönke Ahrens) - Apresentando o Método Zettelkasten

“Nada nos motiva mais do que a experiência de nos tornarmos melhores naquilo que  fazemos.” (Sönke Ahrens) Diga adeus à página em branco, se...