segunda-feira, 26 de julho de 2021

Funcionária demitida por justa causa por se negar a vacinar e a questão do indivíduo e do coletivo




Recentemente foi notícia nos veículos da imprensa a demissão por justa causa de uma funcionária de um hospital que se negou a tomar vacina contra a peste chinesa. Ela ajuizou ação trabalhista para reverter a justa causa e perdeu a ação na primeira e na segunda instância, pois o que foi alegado na sentença é que o interesse individual não se sobrepõe ao coletivo. Será? Nos meus quarenta anos de profissão considero esse episódio um dos mais graves e preocupantes sendo tal sentença uma das mais bizarras e tirânicas que já tomei conhecimento. Vamos por partes:


- Empresa sempre tem e sempre terá a prerrogativa de demitir


Pela milésima vez eu repito aqui que demitir empregados é prerrogativa inconteste de toda empresa, mesmo sem motivo algum. Não gostou da cara do funcionário? Olho da rua! É claro que estou dramatizando e zoando, no entanto, nenhuma empresa tem a obrigação de justificar os motivos de uma demissão. Porém, a coisa muda de figura e se complica bastante quando a demissão se dá por justa causa, como é o caso tratado em tela.


Demitir a funcionária por se negar a se vacinar contra a peste chinesa é perfeitamente coerente, afinal quem determina as normas e regulamentos internos é a empresa através da diretoria, supervisores e o RH. Mas cabe justa causa nesse caso? Baseada em qual alínea do artigo 482 da CLT que trata da justa causa? E não me venham com as alíneas "b" ou "h" porque nesse caso são facilmente refutáveis. Existe algum amparo legal para isso? Bem, o que existe é um documento emitido pelo Ministério do Trabalho bem no início da pandemia orientando para que, caso a empresa determine a imunização e o funcionário se negar a vacinar, ele poderia (poderia!) ser demitido por justa causa. Mas isso não se transformou em lei, um relatório não tem força de lei mas orientar e sugerir. Portanto, até o presente momento não há embasamento legal que justifique demissão por justa causa quando o funcionário declina da imunização. Demissão sim, justa causa, não.


- O que dizem os médicos


Todo médico sério, pautado pela ética profissional, realmente preocupado com a cura da enfermidade e devidamente imunizado da politização da doença é enfático e cirúrgico em dizer que a decisão de se vacinar é única e exclusiva do indivíduo. Nada poderá obrigá-lo a fazê-lo. E não poderia ser diferente. Além disso, quem foi infectado pela doença, o organismo já desenvolveu naturalmente anticorpos muito mais resistentes em relação aos anticorpos produzidos artificialmente pela vacina. Portanto, a orientação médica é no sentido de quem foi infectado pela doença não precisa e não deve se vacinar. Seria o caso dessa funcionária? Se sim, isso foi ignorado em nome dessa terminologia vazia  chamada de “coletivo”. Além disso, é sabido e notório que a vacina não é garantia plena de imunização.


- Indivíduo X Coletivo


Quer dizer que o interesse individual não se sobrepõe ao coletivo? Mas o que é o coletivo? Ora, o coletivo é apenas uma expressão retórica, trata-se de um conceito abstrato, ele não é real. É um conceito passado de modo doutrinário nos cursos de humanas, todos com viés progressista ou esquerdista (dá no mesmo) e os alunos engolem isso porque acham bonito. Quando cursei Ciências Sociais tive que provar dessa groselha indigesta. Todavia, na prática é um conceito fragilíssimo que vira pó de traque pela ótica da Escola Austríaca de Economia que obviamente os professores nunca ouviram falar. Quando um zé ruela vem com essa conversa que o coletivo se sobrepõe ao indivíduo, basta perguntar a ele: e o coletivo é formado de que, cara pálida?


Portanto, como se pode decidir algo em nome de algo que não é concreto mas apenas um conceito? Na verdade o coletivo é formado por indivíduos! De novo, formado por in-di-ví-du-os!  Estes sim, reais e de carne e osso. Cada indivíduo tem a sua história, suas particularidades, intenções peculiares, profissões diferentes, criação e formação diferentes, objetivos diferentes e desiguais e assim infinitamente. É tão difícil de entender isso? Ou será que tem que desenhar e explicar o desenho para a anta do RH da empresa e para a energúmena da juíza que confirmou a justa causa? Obviamente que essa sentença abre um enorme precedente para empregadores de má fé.


Então, aí está, essa é a justiça do trabalho, única no mundo, sustentada e mantida com o dinheiro suado de nossos impostos. Em nenhum país decente existe essa aberração. Ela se proclama paladina dos trabalhadores, porém suas sentenças embasadas em politicagem chinfrim acaba prejudicando quem ela diz defender. Confirmou injustamente a justa causa dessa reclamante com base em lei alguma e ao sabor da simpatia política dos magistrados pelos tiranos burocratas e ditadores de plantão que elaboram relatórios baseados em cientificismo. 


- O indivíduo pode ser tratado, o coletivo não!


Desde tempos remotos, a humanidade convive com pestes, doenças e pandemias, todas devidamente estudadas e tratadas pela ciência médica, sendo que a maioria delas foi totalmente erradicada. Com a peste chinesa, tem sido bem diferente, pois quem está tratando dela não é a ciência médica mas são os políticos tiranetes e burocratas encastelados. Estamos fritos, ai de nós, os indivíduos.

 

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Trabalhador não quer direitos trabalhistas, ele quer apenas um emprego



O primeiro trimestre de 2021, conforme dados do IBGE/PNAD (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios), fechou com uma taxa de 14,7% da população desempregada, o que representa um contingente de 14, 8 milhões de pessoas, o que não é nada pouco e bem desanimador. A região nordeste é a mais crítica, seguida da sudeste, norte e por fim a sul. Já há algum tempo essa taxa encontra-se estacionada e insiste em não abaixar. Já considerando a pandemia, o problema é mais embaixo, Ou seria mais em cima? Vejamos:


Há quem diga: mas e a população ativa de empregados que representa 85.650 mil pessoas ocupadas? Bem, se compararmos o total da população do Brasil, o número de ocupados é bem baixo e a taxa de desempregados é absurda. É evidente que até países desenvolvidos de primeiro mundo enfrentam problemas de desemprego, sobretudo com a crise da pandemia. No entanto, os índices de desemprego desses países estão dentro de parâmetros aceitáveis, oscilando entre 5 a 7%, enquanto no Brasil, a taxa de 14,7% é escandalosamente vergonhosa. E a tendência é só aumentar.


É preciso parar de colocar a culpa na pandemia ou na falta de qualificação profissional, pois esta última não é critério para o desemprego. Se não existisse piso salarial e salário mínimo, um empregador daria emprego sem problema algum para uma pessoa sem qualificação profissional disposta a receber uma remuneração condizente com o que ela sabe fazer. O principal responsável pela alta taxa de desemprego atende pelo nome de “direitos trabalhistas”, o que significa que o problema vem bem lá de cima.


Praticamente já esgotei o assunto em meus artigos sobre a artificialidade dos ditos “direitos trabalhistas”. Um contrato de serviço sinalagmático não gera direitos, mas a obrigação do contratante em pagar pelos serviços prestados pelo contratado. Direitos trabalhistas foram inventados por políticos matreiros (desculpem a redundância) para ganharem votos e depois se refestelarem torrando o imposto do contribuinte em mimos, lagostas, vinhos importados, seguranças armados até os dentes, etc e tal.


A taxa de aumento do desemprego, em qualquer país que seja sempre será proporcional ao aumento de “direitos trabalhistas” proporcionados pelo estado que obriga o empregador a cumpri-los, caso contrário, os empregadores ficam sujeitos à severas penas que inclui multas brutais, o fechamento da empresa e até mesmo a prisão do empregador dependendo do caso.


Basta perguntar a um trabalhador que está desempregado se ele prefere um pacote de direitos trabalhistas ou apenas um emprego, ainda que sem tais direitos. A resposta é óbvia ululante. Não são os direitos trabalhistas que vão pagar o aluguel ou a prestação da casa própria; as despesas de água, luz e internet, as despesas de vestuário e alimentação do trabalhador. O que paga tudo isso é o seu salário. Direitos trabalhistas não diminuem o desemprego,  não pagam contas, não contribuem para o desenvolvimento econômico do pais, apenas sustentam políticos e parasitas estatais.

 

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Leitura recomendada: Felicidade Construída, Paul Dolan



“O melhor jeito de se animar é tentar animar outra pessoa” (Mark Twain)


Mas quem não corre atrás da felicidade não é mesmo? Seja no ambiente familiar, social ou no trabalho, a felicidade às vezes é como tentar achar agulha no palheiro. No entanto, nesse espetacular livro “Felicidade Construída”, o professor Paul Dolan, (editora Objetiva), nos revela o caminho das pedras, ou melhor, ele não ensina como ser feliz, mas como um bom mestre que é, nos dá a vara de pescar para que cheguemos até ela.


Paul Dolan é inglês, formado em economia pela Swansea University, é professor de Ciências Comportamentais na London School of Economics e no Imperial College. É conselheiro da Academia Nacional de Ciências nos Estados Unidos em pesquisas sobre a felicidade. Portanto, temos aqui uma concepção interessantíssima de construção da felicidade através do ponto de vista de um economista.


De acordo com Dolan, a felicidade é determinada pela maneira como alocamos nosso tempo e nossa atenção. Equivocadamente, usamos nossos sentimentos de hoje para projetar o que sentiremos no futuro. O tempo é um recurso escasso, devemos usá-lo de maneira a ter mais prazer e propósito o maior tempo possível, pois, assim como não podemos recuperar o tempo perdido, a felicidade perdida agora está para sempre perdida.


É imprescindível que criemos um ambiente propício para a produção de nossa felicidade. E o grande problema que nos trava é alimentar expectativas muito altas para ser muito feliz. De acordo com Dolan, alimentar essas expectativas é comprovadamente um método certo de não atingi-la. As expectativas de felicidades devem ser modestas. Parece até óbvio, mas na prática as pessoas costumam apostar bem alto em seus projetos de felicidade e acabam frustradas. Construir a felicidade em doses homeopáticas é a receita correta para desfrutá-la.


Se o seu projeto de felicidade é ter uma casa com piscina, quadra de tênis e energia solar ou então almejar ser o diretor da empresa em que trabalha, com certeza você vai se frustrar. Ao passo que se o seu projeto de felicidade é chegar em casa, preparar uma xícara de chá e ouvir aquele cd favorito, você está no caminho certo.


Dolan, inclusive, cita a música como um excelente estímulo. Diz ele, “a música é uma forma poderosa de abrir a mente e afeta intensamente a região do cérebro associada às emoções positivas e a memória de um jeito que nenhum outro estímulo em nosso processo de produção de felicidade é capaz”. A prática de serviços voluntários também muito contribui para a pessoa se sentir bem e feliz.


Portanto, Felicidade Construída, é um livro que, tenho certeza, fará os leitores enxergarem a felicidade através de outro prisma. Afinal, felicidade não se encontra por aí no atacado ou no varejo, para obtê-la temos é que nós mesmos criar um ambiente e condições para construí-la.


segunda-feira, 14 de junho de 2021

Mudança de opinião em algumas questões trabalhistas





Ao longo dos anos atuando na área de Recursos Humanos, é natural que com o passar do tempo podemos mudar de opinião a respeito de assuntos pertinentes à área de nossa atuação profissional. Naturalmente que no início de minha carreira neste setor eu tinha opiniões sobre questões trabalhistas diferentes das que eu tenho hoje. A mudança de opinião é algo que vejo como positivo, não há nenhum demérito nisso, ao contrário, posições pétreas sobre certos temas às vezes não fazem mais sentido algum de acordo com o momento atual. Então, vejamos alguns temas pontuais que mudei minha opinião a respeito:


Carteira assinada: eu apostava nisso, quanto mais carteiras assinadas melhor para o trabalhador.  E já faz um bom tempo, muitos anos por sinal, que para mim isso não passa de uma grande bobagem e ilusão. A pejotização (alô, receita federal!) veio para ficar definitivamente. A “uberização” de serviços fala por si só. Nada como ser o patrão de si próprio, trabalhar na medida de suas necessidades e ter a liberdade de prestar serviços para quem bem entender. O que mais importa no meu entender é o fator empregabilidade, o que não quer dizer absolutamente ter carteira assinada, pois essa é que a impede àquela.


Previdência Social/Aposentadoria: a mesma coisa que o item acima.É óbvio que sem carteira assinada não há recolhimento previdenciário sem o qual não há aposentadoria. Já sabemos que a previdência social é um esquema Ponzi que está pra lá de falido e quebrado, a qualquer momento virá abaixo. Reformas da Previdência não adiantam, são apenas cortina de fumaça, outras virão por aí. Atualmente existe no mercado uma infinidade de alternativas disponíveis no que diz respeito à previdência privada. Vale muito a pena o investimento e com valores atrativos.


Agências de emprego: na condição de recrutador sempre tive um ótimo relacionamento com várias delas, mas quando precisei recrutar deficientes físicos para o cumprimento da Lei nº 8.213/92, todas elas sem exceção (sim, até aquela mais famosa e manjada que todos conhecem muito bem) me bateram a porta na cara ou então me mandavam listas desatualizadas em Excel cujos candidatos já haviam até mesmo falecido. Portanto, a minha consideração por agências e o que elas valem para mim é a mesma coisa que vale uma nota de R$ 3,00 reais.


Estabilidade no emprego: eu gostava disso, achava bonito quem ficava dez a quinze anos na mesma empresa. Que bobagem! E que coisa mais egoísta! Já há algum tempo que a vida útil de um funcionário na empresa não passa de quatro a cinco anos e olhe lá! Está muito bom assim, é tempo suficiente para adquirir expertise profissional para depois partir para ter o seu próprio negócio ou mesmo trabalhar por conta própria e dar lugar para outras pessoas que estão acabando de se formar e iniciando a carreira profissional. Se apegar ao cargo que exerce é algo por demais mesquinho, coloca o funcionário numa zona de conforto até que ele atinja a plenitude da incompetência. Leia o livro "Todo Mundo é Incompetente Inclusive Você (O Princípio de Peter)", de Laurence Peter que você entenderá o que estou dizendo.


Vestir a camisa da empresa: bem, isso daria um outro artigo com no mínimo uns cinco mil caracteres. É mister perguntar: o que nós definimos como “vestir a camisa da empresa”? Chegar no horário? Não faltar? Ser um exemplo em disciplina? Ser um funcionário padrão? Obedecer o empregador só porque manda quem pode e obedece quem tem juízo? Não, eu creio que nenhuma dessas alternativas está correta. Devemos sim vestir a camisa da empresa, no entanto, antes de vesti-la é preciso vestir a camisa do profissional que você é e que ela seja blindada com uma grossa camada de Ética Profissional.


Sobre a CLT: Desde o começo eu já encarava a CLT como algo muito ruim, tanto para empregado, bem como, para o empregador, afinal decorar 952 artigos ninguém merece. Entretanto, no começo de minha carreira eu até considerava a CLT como um mal necessário e sei que muitos profissionais do setor trabalhista ainda hoje também a encaram dessa forma. Com o tempo percebi que a CLT é um fator desagregador, um grande óbice para a empregabilidade e que joga empregado contra o empregador cujo único ganhador é sempre o estado (lembrando que jamais escreverei estado com e" maiúsculo) absoluto. Com a promulgação da Constituição Federal/88 que constitucionalizou os “direitos” trabalhistas, eu estava certo que a CLT seria jogada na lata de lixo da história. Infelizmente ela ainda resiste, efeito nefasto de um estado varguista paternalista que insiste em não cair de podre. Ela continua sendo um mal e agora mais do nunca absolutamente desnecessário, as leis naturais de mercado já enterraram a CLT há muito tempo, só não vê quem não quer.


Bom, mas são somente esses pontos? E quanto as outras questões trabalhistas, que diga-se de passagem não são poucas? Quem acompanha este blog conhece a minha posição a respeito, ou seja, direitos trabalhistas não existem de fato, são criados artificialmente por burocratas encastelados que nunca pisaram num departamento de pessoal e sem nenhuma experiência em gestão de RH. Leis trabalhistas sancionadas visam  única e exclusivamente a busca de votos e aumento de impostos. Esses burocratas parasitas não entenderam ainda (provavelmente fingem que não entendem) algo tão simples: o trabalhador não quer direitos trabalhistas, o trabalhador quer trabalhar e para isso ele precisa apenas de uma coisa: um emprego! Tem que desenhar isso para esses burocratas, explicar o desenho, desenhar a explicação do desenho e nem assim.





segunda-feira, 24 de maio de 2021

Filme recomendado: Jogo de Espiões


Mais uma obra prima dirigida com brilhantismo pelo saudoso mestre Tony Scott. Jogo de Espiões tem como protagonistas, Robert Redford (Nathan Muir) e Brad Pitt (Tom Bishop). Redford em uma de suas mais brilhantes performances é um agente da CIA em seu último dia de trabalho e Pitt é seu ex-pupilo que encontra-se detido numa prisão na China.


Lançado em 2001, tornou-se um clássico no gênero, mais do que um filme espetacular de ação e suspense de tirar o fôlego, o diretor foca no personagem Nathan Muir (Redford) que nos dará formidáveis lições de lealdade, inteligência, sagacidade, amizade e redenção. 


Num passado remoto, Muir recruta Bishop, um exímio atirador que havia se apresentado como voluntário. Muir fica impressionado com a determinação e as habilidades de Bishop e resolve treiná-lo para as missões mais obscuras da CIA. Podemos dizer que Muir se sentia quase um pai para Bishop e disso resultou uma cumplicidade fraterna.


Muir começou a passar missões para Bishop e dava ordens que Bishop não estava de acordo. Chegaram a discutir algumas vezes pelos métodos muito violentos e nada ortodoxos determinados por Muir. Bishop então se afasta de Muir. Porém, algum tempo depois, uma missão em Beirute para eliminar um perigoso terrorista coloca Muir e Bishop novamente juntos. Os dois saem para tomar um café e Bishop dá um presente de aniversário para Muir. É uma garrafinha portátil de bebida que Bishop confiscou numa operação chamada “jantar fora” (jantar fora guarde bem essa expressão!).Muir disse a Bishop que ia se lembrar disso.


Acontece que Bishop (disfarçado de fotógrafo) conhece no campo de feridos uma enfermeira voluntária, Elizabeth Hadley (interpretada pela atriz Catherine McCormack). Na verdade, Elizabeth é uma ex-ativista política britânica, porém ela não revela esse fato a Bishop e nem Bishop revela que está em missão pela CIA. Os dois se envolvem e têm um romance. Muir levanta a vida de Elizabeth e revela a Bishop que ela é uma perigosa ativista que participou de atentado em Londres e que resultou na morte do filho de um ministro chinês. Era verdade. Muir e Bishop discutem novamente. Após a missão cumprida em Beirute com a morte do terrorista numa exagerada operação comandada por Muir, os dois agentes rompem a amizade definitivamente para nunca mais se encontrarem. Nesse dia, Bishop retorna ao apartamento de Elizabeth e o encontra vazio. Um bilhete (forjado por Muir) escrito por ela revelando que realmente ela era uma ativista perigosa. Sem Bishop saber de nada, Muir entrega Elizabeth para os chineses em troca de um diplomata que estava capturado. Elizabeth pega prisão perpétua na China.



Muitos anos se passam e no último dia de trabalho de Muir na CIA ele é informado que seu antigo pupilo foi capturado na China e ia ser executado no dia seguinte. Bishop conseguiu rastrear Elizabeth e tentou resgatá-la (isso passa logo no início do filme) numa operação mal sucedida e acabou sendo preso. Os chefões da CIA questionam Muir sobre o que Bishop foi fazer na China. Muir disse que não fazia ideia (mas é claro que sabia!) e nunca mais teve contato com ele. Como não era uma missão autorizada, a CIA lava as mãos e não vai salvar Bishop. Bishop seria executado logo ao amanhecer. Muir é colocado como suspeito e é investigado por um comitê de investigadores. Ele não poderá mais sair do prédio até que esclareça as suas missões com Bishop.


É a partir daí que Muir entra em ação para salvar Bishop sem a CIA saber. O plano que Muir elabora é uma verdadeira lição de criatividade, sagacidade e ousadia. Dentro das dependências da CIA, Muir passa a noite forjando documentos, invadindo salas, telefonando para amigos, falsificando assinatura do diretor da CIA até que ele consegue um contato na China através de um amigo. A operação para livrar Bishop não vai sair barato, vai custar 500 mil dólares! Aonde Muir vai conseguir esse valor? Sim, ele vai usar de sua própria conta bancária, economias que ele juntou ao longo dos anos.


Enquanto isso, ao mesmo tempo, Muir responde impassível com firmeza e muita frieza as perguntas dos investigadores. Ele conta superficialmente sobe a relação de Bishop com Elizabeth, dando poucos detalhes. Por fim, ele fingiu também estar de acordo com o lavar de mãos da CIA para não libertar Bishop, pois foi uma missão não autorizada. Muir então é liberado, mas antes um investigador lhe faz uma última pergunta, o que considero uma dos pontos altos do filme. O investigador lhe pergunta que se ele soubesse que Bishop foi à China a fim de libertar Elizabeth, se ele contaria isso a seus superiores. Muir demora a responder, olha fixo para um ponto qualquer da sala e responde, NÃO! Reflita bem sobre esse “não”, pois isso já valeria o filme.


Nesse mesmo momento, enquanto Muir já havia saído do prédio da CIA, a operação para resgatar Bishop e também Elizabeth está em curso. Um blackout total é provocado no presídio e finalmente Bishop e Elizabeth são resgatados por soldados americanos. E aqui é o que considero o outro ponto alto do filme. O piloto do helicóptero comunica pelo rádio que a missão “jantar fora” foi cumprida. Bishop escuta e pede para o piloto repetir o que disse. E o piloto repete, “operação jantar fora, senhor”. Impossível não se arrepiar.


Além das lições de inteligência, sagacidade e lealdade ao antigo pupilo que o personagem de Muir nos passa, a maior lição que fica é que sempre há tempo para se redimir de um erro cometido no passado e na maioria das vezes,  o erro nunca sai barato. Mas Muir se redimiu, com muita inteligência, impassível e sorrindo.


Obs: há um versão desse filme disponível no youtube em português, embora a qualidade do som não seja aquelas coisas, vale a pena dar uma conferida.


segunda-feira, 17 de maio de 2021

Quer ser crítico de arte? Então fuja dos cursos de Artes Plásticas


“O pintor pensa em formas e cores. O objetivo não é construir um fato anedótico, mas constituir um fato pictórico” (Georges Braque, pintor cubista)


Eu tenho o maior apreço pela profissão de crítico de arte, porém não posso dizer a mesma coisa pela maioria dos profissionais que a exercem. Na falta de critério para analisar com seriedade uma obra de arte, inventam estórias numa linguagem para iniciados, politizam a obra, assumem o papel de psicanalistas frustrados empurrando o artista para o divã e acreditam piamente que sabem mais sobre a obra plástica do que o próprio autor que a compôs. Um pouco de história:

 

A crítica de arte se perde no tempo, teve o seu início oficialmente nos salões literários do século XVIII, quando os próprios artistas emitiam juízos de valor sobre as obras de seus pares. Ela envolve os elementos de interpretação, julgamento e do gosto particular. Ainda assim, na remota antiguidade já existiam autores que discorriam sobre a arte, podemos citar como exemplo, o robusto “Tratado da Arquitetura” ou “De Architectura”, (em 10 volumes!) de Marcus Vitruvius Pollio, que data aproximadamente de 27 a 16 a.C., entre muitas outras obras desse quilate.


No Brasil, a crítica de arte teve o seu início, considerando como o primeiro crítico de arte, Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879) o barão de Santo Ângelo, pintor, arquiteto, cartunista e historiador de arte. Ele era ligado à Academia Imperial de Belas Artes (AIBA). E aqui é importante distinguir História da Arte e Crítica de Arte. Grosso modo, a primeira trata dos acontecimentos passados e a segunda trata dos acontecimentos e movimentos artísticos do presente.

 

Vamos dar um salto pelo século XX e considerar que a partir do surgimento dos movimentos Arte Moderna e na sequência o Pós-Modernismo até os dias atuais, a crítica de arte abandonou a obra e se voltou narcisisticamente para si própria passando a ser mais importante que a obra em si. E o pior, é bem comum atualmente um crítico de arte desdenhar uma verdadeira obra de arte canonizada pelo tempo e sem critério algum. Chancela como obra de arte, defecar sobre a bandeira do país ou crianças pegando no bilau de marmanjos entre outras escatologias dessa natureza. É exatamente isso que os críticos de arte entendem como arte, ou seja, pura manifestação política rasteira sem qualquer conexão com o juízo estético.

 

O professor Affonso Romano de Sant’Anna em seu esplêndido livro “O Enigma Vazio: Impasses da Arte e da Crítica”, livro obrigatório para quem quer se inteirar obre o assunto, discorre formidavelmente a cerca da bizarrice que se tornou a crítica de arte. Vamos conferir duas passagens de seu livro:

 

“Assim como a pintura no século passado através da arte conceitual quis-se palavra, fez-se conceito, fez-se frase, discurso sobre tela, também a crítica contemporânea fez algo igual e inverso: tornou-se ela mesma uma forma de pintar com palavras, como, aliás, foi mostrado no célebre livro de Tom Wolfe, “A Palavra Pintada” [...]

  

“A action writing” (termo cunhado pelo historiador de arte, Russel Lynes), embora pretenda uma transparência, uma homologia com a obra plástica que deflagrou a escrita, abandona a referência, encanta-se consigo mesmo. É a linguagem narcisista, deslumbrada com seus próprios reflexos. Se fôssemos tentar, não digo superpor, mas aproximar tal escrita à obra veríamos que não se reconhecem, não se ajustam. “O quadro descrito ficou aquém ou foi além da obra plástica, o texto realizou uma anamorfose, uma deformação, uma alucinação, uma especulação, fascinante em si, mas distante do original [...]"


Eu diria, bem distante, mas muito longe mesmo do original!

 

O saudoso jornalista americano Tom Wolfe citado por Sant’Anna, escreveu esse fantástico livro “A Palavra Pintada” (1975), leitura também recomendada. Wolfe zomba de críticos de arte dessa estirpe como os famosos e conhecidos, Clement Greenberg, Harold Rosenberg e quejandos dessa panelinha. Greenberg é autor da célebre frase: “Toda arte profundamente original parece a princípio feia”. Bem, em certos casos até que essa frase faz algum sentido, apesar de eu não ter apreço por este autor.

 

No Brasil, a crítica de arte a partir do século XX sempre se confundiu com militância política esquerdista, marxista e chinfrim, coisas de jecas provincianos como, por exemplo, Mário Pedrosa que, apesar de ser um profundo expert em arte, o seu proselitismo de militonto acabou se distanciando anos luz da crítica de arte. Monteiro Lobato, este sim um gigante (que também foi crítico de arte) se destacava com uma originalidade ímpar em seus artigos impecáveis. É famosa a sua polêmica com a pintora Anita Malfatti. Lobato escreveu um ácido artigo, “A Propósito da Exposição Malfatti”, espinafrando o modernismo “copy & paste” dos gringos que a artista usurpou quando esteve estudando no exterior. Lobato colocou Malfatti em seu devido lugar. Atualmente no Brasil um dos poucos nomes que se destaca e que tenho algum respeito é do crítico e curador de arte, Tadeu Chiareli.

 

Os críticos de arte estrangeiros também não ficam atrás nas questões de narcisismo e militância rasteira. Dificilmente aparece um monstro como o saudoso crítico de arte Robert Hughes ou mesmo um Hilton Kramer, fundador da publicação New Criterion. Posso citar aqui como boas referências, Roger Kimball, atual editor da New Criterion, James Panero, Karen Wilken e com muitas restrições, Eleanor Heartney.

  

E aqui cabe um fato que ocorreu com um estimado amigo meu, artista plástico, pintor e escultor, uma das pessoas mais cultas que conheci na vida, dessas pessoas que conversam com embasamento e conhecimento de causa a cerca de diversos assuntos. Ele viveu algum tempo na Inglaterra e nos Estados Unidos, depois retornou ao Brasil. Como tinha muitos contatos no meio artístico, foi convidado a expor as telas numa destacada galeria de arte. Uma crítica de arte escreveu para uma revista especializada uma resenha risível e bisonha sobre sua obra, especialmente sobre um quadro abstrato pintado pelo artista. Ela escreveu mais ou menos o que se segue:

 

“São traços violentos de vermelhos e azuis raivosos que se entrecruzam em busca de brechas, saídas e atalhos para onde levar o artista sufocado num país inóspito”. O fundo branco branco (sim, duas vezes!) o artista registrou o nada que via pela frente, a angústia da lonjura de sua terra natal e a falta de amigos, pessoas. O artista gritava luz, ele pedia por luz, mas ela se encontrava atrás do branco branco oculta pelas vias vermelhas e azuis que o impediam se se libertar [...] E o delírio na groselha não tinha fim.

 

E agora a verdadeira história do quadro. O artista acordou pela manhã e ao entrar em seu estúdio tropeçou em duas latas de tintas destampadas, respectivamente azul e vermelha. A tintas rolaram e foram escorrendo por cima de uma tela de duratex branco que estava no chão. O artista então pegou uma vassoura e gravetos, fez alguns arranjos e... voilà!, em menos de 15 minutos um quadro abstrato estava pronto e de maneira bem displicente. Eu e ele demos boas risadas dessa crítica de arte de meia tigela. O artista até enviou um artigo para a revista contando como realmente o quadro foi produzido, mas é claro que a sua réplica não foi publicada.

 

Ficou claro o que faz um crítico de arte hoje? Vamos lá, recapitulando: enxerga a obra de arte apenas como propaganda política (e como bem diz o filósofo Roger Scruton, "a mensagem da propaganda não faz parte do significado estético), chancela escatologias como obra de arte, se transforma num simulacro de psicanalista e viaja na maionese quando analisa uma obra de arte dando significado a ela que jamais passou pela cabeça do autor;  e por fim acredita piamente que o seu texto sobre a obra é tão belo e magnifico que até mesmo supera a beleza da obra analisada. Ele quer apenas o aplauso de seus pares.


Por isso, se alguém quer ser crítico de arte, fuja, passe batido dos cursos universitários de artes plásticas que chafurdaram a Beleza numa lama que é uma mistura de estruturalismo e desconstrucionismo forjados por figuras como Jacques Derrida, Roland Barthes e Gilles Deleuze. Comecem estudando Benedetto Croce, Romano Galeffi, Gillo Dorfles, Carlo Ludovico Ragghianti, José Ortega Y Gasset, Louis Lavelle, Etienne Gilson, Bruno Zevi, Charles Lalo, Harold Osborne, Suzanne Langer e Lionelo Venturi. Não é preciso cursar uma faculdade  de artes plásticas para ser crítico de arte, pelo contrário, os grandes críticos de arte da história vieram de outras vertentes do conhecimento humano, sobretudo, da Filosofia.

 

Portanto, sempre quando lermos as abóboras e groselhas que um crítico de arte escreve, estejamos certos que do outro lado bem longe dali, haverá o próprio artista que produziu a obra fazendo escárnio e dando boas risadas dessas críticas e análises ridículas, risíveis, medonhas e não mais que bisonhas.

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GALEFFI, Romano. Fundamentos da Crítica de Arte. 2.ed. Centro Brasileiro de Estudos Estéticos.1985

HEARTNEY, Eleanor. Pós-Modernismo. Editora Cosac & Naif.2002

ORTEGA Y GASSET, José. A Desumanização da Arte. 6.ed. Cortez Editora. 2012

DE SANT'ANNA, Affonso Romano. O Enigma Vazio: Impasses da Arte e da Crítica. Editora Rocco. 2008

SCRUTON, Roger. Beleza. Editora É Realizações.2013

VENTURI, Lionelo. História da Crítica de Arte. Edições70. 2007

WOLF, Tom. A Palavra Pintada. L&PM Editores. 1987



segunda-feira, 10 de maio de 2021

O melhor veterinário do mundo ou quando a vocação faz a diferença



Há muitos anos quando residi por um tempo numa pequena cidade do interior, conheci um profissional da medicina veterinária, daqueles que podemos falar sem medo de errar, “esse é o cara”. Vou chamá-lo de Dr. R, porque "R" é a letra inicial do nome dele. Como sempre tive pets, a minha relação com veterinários sempre foi constante. Eu o conheci tomando café e comendo um pão doce numa padaria. Trocamos cartões de visita e dias depois fiz uma visita ao seu consultório.


Mas antes de visitá-lo, tenho como mania de profissional de RH levantar a vida das pessoas. Coletei o máximo de informações sobre a sua pessoa, pois eu não me sentia confortável com os outros veterinários disponíveis que atendiam na cidade. O que descobri sobre o Dr. R causou-me certo espanto. Ele veio de outra cidade (como eu) e residia ali não fazia muito tempo, porém, tempo suficiente para conquistar um prestígio profissional que nem mesmo os veterinários locais possuíam. Diziam que ele chegou a ressuscitar alguns animais, informação essa que foi confirmada por alguns de seus clientes e até mesmo por uma sua ex-assistente. Ele mesmo não gostava muito de falar sobre o assunto. Quando indagado sobre esse fato ele não confirmava, mas também não negava, apenas sorria e dizia que era uma questão de fé.


Então fui até o seu consultório. Ele atendia na sua própria e modesta residência na qual a parte da frente ele adaptou o seu consultório. Já tive uma surpresa quando cheguei, pois o encontrei em meio a uma pilha de livros abertos sobre uma escrivaninha. Concentrado, ele fazia anotações que nem me viu entrar. Era a sua biblioteca particular que ficava junto ao consultório. Quando me viu convidou-me para um café. Contou-me um pouco de sua história, a sua paixão incondicional por animais desde criança e a vocação inexorável para cursar medicina veterinária. Leitor voraz de Agatha Christie e Georges Simenon e apreciador de uma deliciosa cerveja artesanal que ele mesmo fazia com miolo de pão preto. Se valia da alopatia, homeopatia e até mesmo muita oração. E dava certo, salvar vida de pets era com ele mesmo, não importava o método, a sua maior alegria era ver o bichano abrindo os olhinhos.


De todos os pets que deixei aos seus cuidados ele acertou em todos, desde os casos mais simples até os casos mais graves. Com o Dr. R não tinha essa de sábado, domingo ou feriado não poder trabalhar. Não, não, a qualquer hora do dia ou da noite ele era incapaz de recusar atendimento, inclusive em domicílio se preciso fosse, pois ele salvava vidas. Dinheiro nunca foi problema, se não tinha na hora, pagava depois. Fazia o seu preço de acordo com a possibilidade do cliente, chegava a cobrar preço abaixo da tabela o que lhe causou alguns problemas com a maldita guilda do CRMV. Varou noites e madrugadas fazendo cirurgias complicadas, mas como sempre, todas muito bem sucedidas.


Para o Dr. R, tratar um pet não era como consertar um chuveiro ou um ferro elétrico como infelizmente muitos veterinários fazem (alguém aí vestiu essa carapuça?), sempre foi contra a comercialização de animais domésticos e um fervoroso defensor da adoção responsável. Levava uma vida modesta, sem luxos, investia o que ganhava em estudos, pesquisas e livros, sua vida era clinicando ou estudando em e meio a uma pilha de livros. Sempre solícito e gentil, dava dicas e orientações sobre pets na rua para quem o interpelava, mesmo que não fosse seu cliente fiel.


Esse tipo de comportamento ético, exemplar e impecável acabou gerando raiva e incompreensão por parte dos veterinários da cidade, afinal, para eles, Dr. R era um forasteiro que se mudou para cidade só para se dar bem, atitude típica de provincianismo local. Foi denunciado diversas vezes para a guilda CRMV por cobrar abaixo da tabela, fazer campanha de castração gratuita, dar consultas de graça e doar remédios para quem não podia pagar. Quantos crimes, não?


Dr. R não era de se meter em confusão e não fazia parte dessa panelinha decrépita de veterinários mercenários e incompetentes. Retornei para o estado de São Paulo não sem antes me despedir dele ao sabor de uma saborosa cerveja artesanal. Não o encontrei mais, ele sempre foi arredio às redes sociais mas, em contato com amigos tive notícias que ele ainda reside por lá e continua firme e clinicando com toda a sua competência extraordinária para a felicidade dos pets.


É claro que a expressão “o melhor veterinário do mundo” é apenas um termo de força de expressão retórica, no entanto, apesar de ter contato com excelentes profissionais veterinários, nunca mais encontrei outro profissional dessa envergadura, diferenciado, de um amor pela profissão que chegou a assustar seus pares concorrentes. E a explicação disso encontra-se numa única palavra: vocação! Infelizmente, uma palavra que está fora de moda e acabou sendo absorvida pelo lucro fácil ou apenas o fetiche de usar um jaleco branco. 


Artigo dedicado ao Dr. R.C.S, médico veterinário.

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